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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata
do PT à Presidência da República, adotaram ontem discurso
de enfrentamento da oposição. Dilma ratificou a ideia
de comparações entre os governos Lula e Fernando Henrique
Cardoso, e o presidente afirmou que a oposição não tem
discurso e por isso tenta impedir suas viagens pelo
país.
"Quando um partido de oposição
não tem o que propor, não tem discurso, fica difícil
a situação e eles tentam impedir que o outro time jogue.
[...] Vou continuar viajando até 31 de dezembro, meia-noite.
E vou fazer muita força para eleger minha sucessora,
para depois ir para casa desligado e não dar palpite
no governo", disse Lula em entrevista a rádios
de Governador Valadares (MG).
Dilma disse que, se quiserem, vai
comparar "obra por obra". "Se quiserem
comparar, nós vamos comparar. Número por número, casa
por casa, obra por obra", afirmou, sem citar nenhum
nome da oposição.
Segundo a ministra, "tem uma
diferença muito grande desse governo em relação a qualquer
momento da história recente deste país". "O
Brasil cresce agora a favor do povo brasileiro e não
contra o povo brasileiro, quando apenas poucos ganhavam",
afirmou.
"Nós temos orgulho do nosso governo
e temos orgulho do líder que nos lidera nesse governo,
que é o presidente Lula", afirmou a ministra.
Críticas
A declaração de Dilma foi uma reação
da crítica feita anteontem por FHC sobre a liderança
e a experiência da ministra. Ao participar da inauguração
da Biblioteca de São Paulo, obra do governo estadual,
Fernando Henrique fez duras críticas a Dilma e a Lula,
além de citar abertamente Serra como o candidato da
oposição.
"[Dilma] pode até vir a ser,
mas por enquanto ela não é líder. Por enquanto, é reflexo
de um líder", disse FHC, se referindo a Lula. "O
Serra já tem liderança e mostrou que faz", afirmou.
A estratégia do governo é transformar
a eleição presidencial de outubro em uma espécie de
plebiscito. Em seu discurso, Dilma lembrou que é mineira
e tentou demonstrar simpatia durante sua fala. No entanto,
cometeu duas gafes.
Primeiro, confundiu-se e chamou Governador
Valadares de Juiz de Fora, outra cidade mineira. Em
seguida, referiu-se às obras de saneamento e habitação
que a comitiva presidencial visitou na Vila Palmeiras
dizendo que o local era Vila Palmares.
Citando o esforço do governo para
a construção de casas populares e criticando os antecessores
de Lula, Dilma destacou que as ações do governo devem
ter o objetivo de mudar a vida das pessoas. "Não
fizeram olhando os mais pobres, fizeram olhando os remediados,
uma classe média", afirmou.
A ministra ainda alfinetou indiretamente
o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), provavelmente
seu principal adversário na eleição. O tucano enfrenta
problemas de enchentes no estado.
"Quando ocorre um alagamento,
quando ocorre um desbarrancamento, o pessoal fica espantado
porque quem morre são os mais pobres", afirmou.
"Morrem os mais pobres porque não teve uma política
habitacional nesse país que fizesse com que essas pessoas
não fossem obrigadas a morar na beira do córrego, na
beira do rio, na beira da lagoa, num fundo de vale ou
na encosta de um morro."
Dilma argumentou ainda que o PAC tem
o mérito de executar obras em lugares que nunca antes
tinham recebido atenção do poder público, e frisou que
a segunda edição do programa garantirá a continuidade
desses avanços. "Nós vamos transformar cada vez
mais o Brasil."
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