Mossoró-RN, domingo 22 de novembro de 2009

 

Marcas do passado

Por "Silvio Atanes
Jornalista/Crítico Musical Paulistano

Biscoito fino para as massas. O mote modernista de Oswald de Andrade cai como uma luva de cetim lilás em Lanna Rodrigues. "Marcas do Passado" (Paulinos Music), CD de estreia de Lanna Rodrigues, desce redondo como um chope bem tirado no Pavão Azul. Os produtores Moisés Camilo e Jefferson Luís injetaram doses industriais de bom gosto na confecção da bolachinha. Capricharam na ourivesaria musical.

Obra multifacetada e caleidoscópica, "Marcas do Passado" reserva surpresas em cascata ao ouvinte mais atento, entre as quais as letras melancólicas bem calibra-das - sem ser deprê - e a direção vocal certeira de Bruno Galvão, da segunda geração da grande família musical dos Golden Boys/Trio Esperança. Bruno é filho do Mário Correa, do Trio Esperança. Por isso, os backing vocals são espetaculares, com lugar até para o doo-wop dos grandes Rapazes Dourados "Um caminho" faixa 13. Lanna Rodrigues oscila entre o pop infalível e a MPB mainstream, se dá bem até com a irresistível new bossa "De vez em noites" faixa 3. Desfila influências inusitadas, com ecos de Ana Cristina César nas letras e traços de Ângela Rô Rô em certas levadas blues. Isso é tudo? Não, ela ainda compõe divinamente!

O denominador comum é sua doce, mas não melosa, educada e afinada voz, um bálsamo num tempo de gralhas teens, sertanojos e axexelentos. "É só olhar pra trás/Que o pensamento faz o sonho adormecer." A introdução da música "Cicatrizes" faixa 9, prenuncia um hit instantâneo e duradouro, que já nasce clássico.  Lanna Rodrigues tem de sobra o que falta a uma série de ídolos fabricados em linha de montagem: identidade musical, não por acaso lapidada em conservatório. E também não é à toa que ela toca violão muito bem, coisa rara hoje em dia.

A última surpresa do CD é o tempo musical, bem diferente do tempo cronometrado. As faixas, de tão boas, parecem durar mais que o indicado pelo relógio. E as que são de fato mais longas que o padrão radiofônico ficam ainda mais gostosas de ouvir com esse aparente paradoxo da relatividade. "Marcas do Passado" também tem um timing perfeito nas suas 14 faixas, mais uma ousadia da estreante cantora. Abre em alto-astral com os quatro minutos de "Ilusão" faixa 1, tem uma espécie de intermezzo em "Não adianta" faixa 8 e fecha com o acalanto de "Instantes" faixa 14, que faz a imaginação ouvir "bis, bis, bis!!!" da plateia. Ou, como se diz no século XXI: "Parou por quê? Por que parou?"

Apesar de puxado pelo sucesso arrasa quarteirão "Cicatrizes" faixa 9, o CD não deixa nenhuma marca no ouvinte. Pelo menos não sobre a pele, apenas um insistente gosto de "quero mais". Seja bem-vinda ao sucesso, Lanna! Você vai despertar muito mais que pedidos de casamento ao vivo em programas de web TV. Por fim, a única contraindicação: quem começa a ouvir não consegue parar mais, tem de tomar diariamente uma dose de Lanna Rodrigues, como o bom e velho Biotônico Fontou-ra. Nossos ouvidos agradecem!  

...et cetera e coisa e tal...

Nossos votos de muitas felicidades para o poeta, historiador e amigo Rubens Coelho que está de idade nova no dia de hoje. No próximo dia 12 de dezembro, às 19 horas, Rubens estará lançando sua mais recente obra "Pelas Ruas de Havana", na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall, em Natal.  

Muito constrangedora a situação dos nossos estudantes da Uern e Ufersa ao ter que pedirem carona para se dirigirem a estas duas universidades. E diria mais: para Mossoró, que já se pode considerar uma cidade grande, a situação não é só de constrangimento, mas de perigo também, tanto para quem pede como para quem dá a carona.

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