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Marcas do passado
Por "Silvio Atanes Jornalista/Crítico
Musical Paulistano
Biscoito fino para as massas. O mote
modernista de Oswald de Andrade cai como uma luva de
cetim lilás em Lanna Rodrigues. "Marcas do Passado"
(Paulinos Music), CD de estreia de Lanna Rodrigues,
desce redondo como um chope bem tirado no Pavão Azul.
Os produtores Moisés Camilo e Jefferson Luís injetaram
doses industriais de bom gosto na confecção da bolachinha.
Capricharam na ourivesaria musical.
Obra multifacetada e caleidoscópica,
"Marcas do Passado" reserva surpresas em cascata
ao ouvinte mais atento, entre as quais as letras melancólicas
bem calibra-das - sem ser deprê - e a direção vocal
certeira de Bruno Galvão, da segunda geração da grande
família musical dos Golden Boys/Trio Esperança. Bruno
é filho do Mário Correa, do Trio Esperança. Por isso,
os backing vocals são espetaculares, com lugar até para
o doo-wop dos grandes Rapazes Dourados "Um caminho"
faixa 13. Lanna Rodrigues oscila entre o pop infalível
e a MPB mainstream, se dá bem até com a irresistível
new bossa "De vez em noites" faixa 3. Desfila
influências inusitadas, com ecos de Ana Cristina César
nas letras e traços de Ângela Rô Rô em certas levadas
blues. Isso é tudo? Não, ela ainda compõe divinamente!
O denominador comum é sua doce, mas
não melosa, educada e afinada voz, um bálsamo num tempo
de gralhas teens, sertanojos e axexelentos. "É
só olhar pra trás/Que o pensamento faz o sonho adormecer."
A introdução da música "Cicatrizes" faixa
9, prenuncia um hit instantâneo e duradouro, que já
nasce clássico. Lanna Rodrigues tem de sobra o
que falta a uma série de ídolos fabricados em linha
de montagem: identidade musical, não por acaso lapidada
em conservatório. E também não é à toa que ela toca
violão muito bem, coisa rara hoje em dia.
A última surpresa do CD é o tempo
musical, bem diferente do tempo cronometrado. As faixas,
de tão boas, parecem durar mais que o indicado pelo
relógio. E as que são de fato mais longas que o padrão
radiofônico ficam ainda mais gostosas de ouvir com esse
aparente paradoxo da relatividade. "Marcas do Passado"
também tem um timing perfeito nas suas 14 faixas, mais
uma ousadia da estreante cantora. Abre em alto-astral
com os quatro minutos de "Ilusão" faixa 1,
tem uma espécie de intermezzo em "Não adianta"
faixa 8 e fecha com o acalanto de "Instantes"
faixa 14, que faz a imaginação ouvir "bis, bis,
bis!!!" da plateia. Ou, como se diz no século XXI:
"Parou por quê? Por que parou?"
Apesar de puxado pelo sucesso arrasa
quarteirão "Cicatrizes" faixa 9, o CD não
deixa nenhuma marca no ouvinte. Pelo menos não sobre
a pele, apenas um insistente gosto de "quero mais".
Seja bem-vinda ao sucesso, Lanna! Você vai despertar
muito mais que pedidos de casamento ao vivo em programas
de web TV. Por fim, a única contraindicação: quem começa
a ouvir não consegue parar mais, tem de tomar diariamente
uma dose de Lanna Rodrigues, como o bom e velho Biotônico
Fontou-ra. Nossos ouvidos agradecem!
...et cetera e coisa e tal...
Nossos votos de muitas felicidades
para o poeta, historiador e amigo Rubens Coelho que
está de idade nova no dia de hoje. No próximo dia 12
de dezembro, às 19 horas, Rubens estará lançando sua
mais recente obra "Pelas Ruas de Havana",
na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall, em Natal.
Muito constrangedora a situação dos
nossos estudantes da Uern e Ufersa ao ter que pedirem
carona para se dirigirem a estas duas universidades.
E diria mais: para Mossoró, que já se pode considerar
uma cidade grande, a situação não é só de constrangimento,
mas de perigo também, tanto para quem pede como para
quem dá a carona.
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