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ALTO
DO MOURA, A CIDADE DE BARRO ONDE VIVEU VITALINO
ALEX GURGEL Especial
para O Mossoroense
CARUARU - Mais populosa
cidade do Agreste pernambucano, Caruaru é famosa por
sua feira-livre, abrigando um dos mais importantes entrepostos
comerciais do Nordeste brasileiro e tem no Alto do Moura
o maior centro de artes figurativas da América Latina.
Este título, concedido pela Unesco, é consequência de
uma história que começou na década de 1940, pelas mãos
do Mestre Vitalino, criador dos bonecos de barro que
fizeram escola e ficaram conhecidos por "Bonecos
de Vitalino".
O nome do lugar
deve-se a uma lagoa que existia nas proximidades chamada
"Lagoa Fedorenta". Beirando a lagoa, existia
o Alto da Fedorenta que foi invadido por uma família
de sertanejos em busca de trabalho nos engenhos e corte
de cana. O chefe da família, Antonio Moura, ao notar
que as terras do Alto da Fedorenta estavam desocupadas,
não tinham dono, imediatamente chamou seu genro e as
cercou, ficando como proprietário, pois era o costume
da época.
Às margens do
Rio Ipojuca, o Alto do Moura tem terras férteis e muita
água, um incentivo para a população dedicar-se a agricultura.
Com o passar do tempo, foi descoberto que a argila da
região era de ótima qualidade, ideal para peças utilitárias.
Então, surgiram os louceiros que faziam panelas, moringas,
potes, chaleiras, jarras, quartinhas, etc... Logo o
povoado (atualmente um bairro de Caruaru) ficava conhecido
como o lugar dos oleiros.
Quando se estabeleceu
na pequena vila, Vitalino era apenas um humilde artesão
que esculpia, em argila, pequenas peças vendidas nas
feiras da região como brinquedos infantis. Depois de
sua morte, seus brinquedos ganharam status de obra de
arte. Hoje, praticamente todos os moradores do Alto
do Moura são ceramistas. E foi esta concentração de
artistas populares, aliada à qualidade artística das
peças ali produzidas, que deram à pequena vila o título
que tanto orgulha os caruaruenses.
O Alto do Moura está
a 7 quilômetros do centro de Caruaru, sendo um pequeno
bairro localizado no alto de um morro, tem apenas duas
fileiras de casas, quase todas habitadas por artesãos
que ganham a vida modelando bonecos de barro. A
Casa onde viveu e morreu o Mestre Vitalino virou um
museu, que está localizado no centro do Alto do Moura.
Após a morte do artista, a casa foi tombada pela prefeitura
de Caruaru que, em 1971, criou e instalou ali a Casa-Museu
Mestre Vitalino.
O acervo do pequeno
museu é constituído por objetos pessoais, fotografias
e alguns dos poucos móveis que pertenceram ao ceramista.
Quem cuida do museu é um filho de Vitalino, Severino,
funcionário público municipal que recebe um salário-mínimo
pela tarefa. O acesso é gratuito e há poucas peças do
mestre. Quem quiser conhecer a arte deixada por Vitalino
tem que ir ao Museu do Barro, em Caruaru. Ali, há um
acervo de mais de duas mil peças de cerâmica, distribuídas
em cinco ambientes.
Atualmente, o
Alto do Moura é considerado pela Unesco como o maior
Centro de Artes Figurativas das Américas, concentrando
mais de 1.000 artesãos que moldam o dia a dia o homem
nordestino. Lá, cada residência se transforma em ateliê,
envolvendo toda a comunidade local, desde o mais simples
ajudante àqueles que moldam o barro transformando-o
em arte. Hoje, arte e artesãos veem suas peças ultrapassarem
as fronteiras do país, retratando sua cultura, seu povo
e sua gente.
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