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Avó e neta embarcam na realização de um sonho que ultrapassa gerações
MÁRCIO COSTA
Editor-chefe
REGINALDO TERTULINO
(Repórter
e passageiro de primeira viagem)
Desde o ato alcançado por Santos Dumont, há 99 anos, voar tem se configurado como um desejo quase que universal e que ultrapassa os limites das gerações.
No último domingo, a pista do aeroporto Dix-sept Rosado foi testemunha da realização de um sonho envolvendo a dona-de-casa Margarida Alves da Silva e sua neta Vanessa Gabriella, de apenas 5 anos, que pela primeira vez deixaram o solo para curtir a sensação do primeiro vôo.
Após uma semana de articulação com a equipe de organização do Festival Aéreo de Mossoró (FAM), a movimentação em torno do primeiro vôo da dupla foi iniciada às 10h30 e presenciada pela equipe do jornal O Mossoroense a partir da presença do repórter Reginaldo Tertulino que embarcou em seu primeiro vôo para acompanhar a experiência.
Durante alguns minutos de expectativa, percorrendo o trajeto que separa o hangar do estacionamento, as reações entre as duas convidadas mantinham uma clara distonância.
Com apenas cinco anos e sempre falante, a pequena Vanessa Gabriella não se continha de ansiedade ante a proximidade do momento de subir no avião, indagando a cada aeronave qual a que seria utilizada para o momento marcante. "É nessa que eu vou?". De mãos dadas com a neta, Margarida Alves se mostrava mais apreensiva. Silente, quebrou o silêncio apenas no momento da entrada da aeronave. "Quero voar. É um sonho que guardo há muitos anos", destacou a dona-de-casa ao encaminhar os últimos detalhes para a decolagem.
Mesmo externando um sentimento misto de ansiedade e natural temor, Margarida Alves se manteve calma até o momento da partida destinado à realização de um sonho guardado há décadas.
"Pedia a Deus a oportunidade de poder voar de avião antes de morrer", afirma a dona-de-casa
O vôo comandado pelo piloto natalense Gileno Ribeiro Dantas Duarte, de apenas 21 anos, foi iniciado às 20h55. Com a aeronave taxiando a reação foi de expectativa e silêncio quebrado apenas pelo barulho do motor.
O silêncio foi mantido durante a primeira parte do vôo que foi marcada pelo processo de decolagem tendo a primeira reação na pequena Gabriela. "Ela pediu para soltar o cinto. Queria ver o cenário e passou a avaliar com alguns comentários", destacou Margarida Alves à equipe do jornal O Mossoroense. "Vi as casas pequenas, piscinas, tudo muito bonito", reforçou Gabriela no retorno do seu primeiro vôo.
A segunda etapa do vôo foi marcada pela emoção. Em meio a sensação de liberdade alcançada durante a experiência, o piloto Gileno Ribeiro encaminhou pequenas manobras e fez um vôo rasante para facilitar a visão dos convidados que acompanharam com atenção o momento marcante.
"É uma sensação boa. Lá em cima você chega a esquecer que está tão distante do chão. No início fiquei um pouco nervosa, mas aos poucos fui me sentindo muito a vontade. Foi sem dúvida a realização de um sonho", destaca Margarida Alves.
Ao fim do vôo, que durou cerca de 10 minutos, Vanessa Gabriela acabou surpreendendo a todos com uma insatisfação.
"Eu achei muito bom ter voado de avião, mas era para ser mais demorado. Quando é que eu vou de novo", destacou em tom de cobrança.
Para a dona-de-casa Margarida Alves, o episódio foi sem dúvida o mais esperado de sua vida, e o atendimento a um desejo alimentado desde o tempo de criança na pequena cidade de Patu.
"Eu sempre pedia a Deus a oportunidade de poder voar de avião antes de morrer e sabia que ele ia realizar esse meu sonho. Foi uma sensação maravilhosa", conclui Margarida no momento do pouso na pista do aeroporto Dix-sept Rosado.
Piloto de 21 anos foi destaque do evento
O natalense Gileno Ribeiro Dantas Duarte, de 21 anos, que pilotou a aeronave durante a experiência promovida pelo jornal O Mossoroense, apesar da pouca idade demonstrou tranqüilidade e experiência adquirida durante ao longo de 700 horas de vôo acumuladas em sua trajetória técnica.
O piloto mais jovem a participar do evento este ano falou da gratidão de participar do FAM e ver conquistas ligadas à sua atividade.
"Eu me sinto bastante gratificado de saber que estou conseguindo conquistar aquilo que sempre busquei, que é ser um bom profissional", destaca.
Sempre marcando presença nas edições do evento, realizado anualmente em Mossoró, Gileno destaca sua primeira participação aos 17 anos, período em que aprendia a voar. "No ano seguinte, quando vim novamente a Mossoró, já havia tirado o meu brevê de piloto. Eu tinha apenas 18 anos. De lá pra cá participo todos os anos e recebi com satisfação a condecoração como piloto mais jovem do Festival Aéreo de Mossoró (FAM)", conclui o piloto.
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Mossoró-RN, de 2005