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O destino na palma das mãos
Foi em meados de 90/91, por aí, que vim despertar realmente para a vida.
Naquela época já trazia nos ombros alguns fardos de sonhos vãos, mas não sabia ao certo o que fazer com tanta ilusão.
Buscando uma riqueza que não nos fazia falta, conhecemos a sarjeta e tudo quanto ela pode oferecer.
Aprendemos muito, nos tornamos fortes, descobrimos que há coisas mais importantes que o dinheiro, coisas como respeito, solidariedade e amigos.
De volta à terra-natal, nós, com uma mão na frente e outra atrás, contemplávamos os dias na incerteza do próximo passo que se alongava em nossos horizontes.
Em um destes dias de nada, certa vez me deparei com uma figura intrigante, perambulando pelas ruas pedindo esmolas em troca de uma revelação oculta bem no meio das nossas mãos.
Logo se via não era um bom adivinho, senão saberia estar diante de um pedinte como ele.
O que nos diferenciava é que não aprendi a decifrar os códigos ditos da sorte.
Quem me dera tivesse naqueles dias algum trocado naqueles tempos.
Para afogar as mágoas, nunca faltava quem pagasse um trago de aguardente barato – fosse um remédio seria mais difícil.
Mas foi em troca de uma dose de álcool que o velho leu a minha mão.
Eu nunca o vira antes em minha vida e acho improvável que ele também guardasse qualquer lembrança de mim.
Ainda assim falou do meu passado como quem tivesse dividido comigo o lar, o prato, a cama.
Falou dos meus pecados, dos meus tormentos e de minhas poucas alegrias.
Sobre o futuro, foi breve.
Disse que a minha vontade de trabalhar faria diferença em minha vida – óbvio, nenhum preguiçoso sobreviveria neste mundo de cão.
Disse ainda que por muitas vezes eu iria reconstruir a minha vida.
Dos amores, nada falou.
Talvez pela complexidade que reside em meu coração noturno e boêmio.
Hoje, reconstruindo outra vez a minha vida, fico observando a palma da minha mão e me perguntando o que mais ainda há por vir que eu não sei.
...et cetera e coisa e tal...
O livro “Expansão Urbana de Mossoró – Período de 1980 a 2004”, da professora Aristotelina Pereira Barreto Rocha, é um dos trabalhos mais importantes lançados pela Coleção Mossoroense nos últimos tempos.
Ainda pela Coleção Mossoroense, chamamos a atenção para as obras que serão editadas através do Projeto Rota Batida II, patrocinado pela Petrobras. “A Marcha de Lampião”, de Raul Fernandes e “Lampião em Mossoró”, de Raimundo Nonato, ambos ganham sexta edição.
Fizeram parte do Conselho Editorial para análise dos títulos os professores Antônio Alvino, representando a Petrobras, o poeta Aluísio Barros representou a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), e eu, de atrevido, pela Fundação Vingt-un Rosado.
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Mossoró-RN, de 2005