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Renan e Rosalba

Mesmo querendo mudar de assunto, Renan Calheiros continua ocupando todos os espaços midiáticos do país. Em Mossoró, o julgamento da ação contra a senadora Rosalba Ciarlini poderia despertar mais atenção, mas não é isso o que se verifica. Talvez a idéia de que nada lhe acontecerá e ela continuará senadora, trabalhando o nome para disputar o governo do Estado, nas eleições de 2010. O deputado Betinho Rosado tem conseguido mais espaço, com a sua idéia de candidatar-se a prefeito de Mossoró. Para ele, não se trata de cisma com Carlos e Rosalba, mas uma nova opção para Mossoró. Os adversários não estão gostando do adjetivo "novo", pois pertence a uma família que já milita na política mossoroense há mais de cem anos.

O TSE deveria ter analisado o processo impetrado por Fernando Bezerra na noite de ontem. Adiado várias vezes, nada impede que seja votado amanhã, ou transferido para a terça-feira seguinte, e assim por diante. No Senado, não haverá prorrogação. A partir das onze horas de hoje, o projeto de resolução que recomenda a cassação do presidente da Casa começará a ser discutido e votado. As sessões do TSE são abertas e todos podem acompanhar o desenrolar do processo. No Senado, a sessão será fechada. Além dos senadores, somente os advogados de defesa e os do PSOL - autor da representação contra o peemedebista no Conselho de Ética do Senado e a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra, além do secretário-adjunto, José Roberto.

Qualquer que seja o resultado, tanto no TSE quanto no Senado, não haverá chance de reverter a decisão. O STF, responsável pelo cumprimento das normas constitucionais, não modificará o que for votado pelos ministros e pelos senadores. Rosalba Ciarlini, Fernando Bezerra e Renan Calheiros sempre demonstraram confiança nos resultados, embora de difícil previsibilidade. Muito se especula que o voto secreto salvará o mandato de Renan Calheiros. Por outro lado, o mesmo sistema poderá facilitar o voto contrário, sem a necessidade de exposição ante o amigo. Muitos estão de olho na presidência do Senado, e as articulações estão sendo feitas como se o atual presidente já estivesse afastado.

No caso dos senadores reconhecerem a culpa de Renan e punirem-no com a cassação do seu mandato, o líder alagoano terá que se recolher à vida privada. Poderá retornar à vida pública após alguns anos, repetindo o mesmo caminho do ex-presidente Fernando Collor de Melo, hoje, senador da República. O efeito Renan atingiu seu irmão Olavo Calheiros, deputado federal, que também trabalha para não ter seu mandato cassado. Com Rosalba, a vitória lhe dará mais força para estruturar a campanha em direção ao governo do Estado. Perdendo o mandato, como a regra nesses casos é a suspensão do mandato político por três anos, manterá o mesmo projeto, trocando a força, pelo discurso da humildade. Vai pedir justiça ao povo.

 

 

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