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Teresa Cardoso Agência Senado
“Qualquer coisa que diga respeito
a licença ou a renúncia não faz parte da minha personalidade".
A afirmação foi feita pelo presidente do Senado, Renan
Calheiros, minutos depois de chegar ao Congresso e 24
horas antes da sessão plenária em que os senadores decidirão
se o senador faltou com o decoro parlamentar, como sugeriu
a representação contra ele ajuizada pelo PSOL, considerada
procedente pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
O senador é acusado de ter faltado
com a ética e o decoro com base em suspeita de ter-se
utilizado dos favores de um executivo da construtora
Mendes Júnior para pagar a pensão alimentícia da filha
de três anos que tem com a jornalista Mônica Veloso.
Em sua defesa, Renan apresentou documentos que o Conselho
de Ética considerou insuficientes para provar sua inocência.
Às vésperas do seu julgamento (ontem),
Renan ficou até as 11h30 na residência oficial, recebendo
para conversar apenas o senador José Sarney (PMDB-AP).
O primeiro julgamento da história do Senado de um presidente
da instituição acusado de quebra de decoro parlamentar
terá início às 11h desta quarta-feira (12). Até lá,
a Casa se organiza para cumprir um rito que pode ser
alterado, se assim entender o Supremo Tribunal Federal
(STF).
Ao meio-dia, enquanto Renan despachava
em seu gabinete, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) anunciava,
no Senado, que o 1º vice-presidente da Casa, senador
Tião Viana (PT-AC), rejeitara, liminarmente, o requerimento
em que o grupo de deputados conhecido como Terceira
Via pedia que a sessão fosse aberta.
Vice-presidente do Senado indefere
requerimento que permitia presença de deputados na sessão
O 1º vice-presidente do Senado, Tião
Viana (PT-AC), indeferiu formalmente, por volta das
15h30 de ontem, requerimento apresentado por nove deputados
federais para assistirem a sessão plenária desta quarta-feira
(12), na qual será votado o projeto de resolução do
Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que pede a perda
do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL). A sessão será secreta, conforme rito divulgado
pela Secretaria Geral da Mesa com base no artigo 197
do Regimento Interno do Senado.
Abordado pelos deputados no Plenário
da Casa, Tião Viana, que atua como presidente nas questões
ligadas ao processo contra Renan, recebeu o requerimento
e consentiu em despachar sobre o assunto naquele mesmo
momento. Com a recusa formalizada, os deputados anexaram
o despacho ao pedido de mandado de segurança que protocolariam
em seguida, por volta das 16h, no Supremo Tribunal Federal
com o objetivo de tornar aberta a sessão secreta.
O vice-presidente apoiou-se nos artigos
117 e 185 do regimento para negar a reivindicação dos
deputados. Diz o artigo 117 que "nas reuniões secretas,
além dos membros da comissão, só será admitida a presença
de senadores e das pessoas a serem ouvidas sobre a matéria
em debate". O parágrafo único do mesmo artigo determina
que "os deputados federais poderão assistir às
reuniões secretas que não tratarem de matéria da competência
privativa do Senado Federal".
Já o artigo 185 diz que "em sessão
secreta, somente os senadores terão ingresso no plenário
e dependências anexas, ressalvados o disposto no parágrafo
único do artigo 192 e os casos em que o Senado conceda
autorização a outras pessoas para a ela assistirem,
mediante proposta da presidência ou de líder".
O artigo 192 faz ressalva a funcionários necessários
ao funcionamento da sessão.
- A Constituição diz que os parlamentares
terão livre acesso a todas as dependências onde esteja
em jogo o interesse do país e o regimento do Senado
deve estar abaixo da Constituição - disse o deputado
Chico Alencar (PSOL).
Com ele estavam, Fernando Gabeira
(PV-RJ), Luciana Genro (PSOL-RS), Luíza Erundina (PSB-SP),
José Carlos Aleluia (DEM-BA), Carlos Sampaio (PSDB-SP),
Raul Jungmann (PPS-PE), Ivan Valente (PSOL-SP) e Raul
Henry (PMDB-PE). Os deputados foram acompanhados pelo
senador José Nery (PSOL-PA).
- Estamos aguardando para até amanhã
[quarta-feira] uma decisão do Supremo - disse Jungmann
ao voltar do STF.
Para os senadores Eduardo Suplicy
(PT-SP) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) a realização
de sessão aberta para o julgamento do caso Renan poderia
provocar questionamento judicial da decisão tomada pelo
Plenário.
Na opinião do deputado Fernando Gabeira,
do julgamento do presidente do Congresso Nacional "não
podem ser alijados" membros do Congresso. Para
ele e os demais a Constituição resguarda o segredo do
voto, mas não obriga a realização de sessão secreta.
Na Câmara, observam, as sessões para julgamento de mandatos
são abertas, embora o voto seja secreto.
- O Senado não pode se considerar
o Congresso sozinho - disse o deputado do PV, antes
de prometer fazer "corpo-a-corpo" com o senadores
visando ao seu convencimento.
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