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COMPARAÇÃO DESCABIDA
Nos últimos dias,
a imprensa tem noticiado com certa excitação as demandas sociais acontecidas no
campo e na cidade. Exageram no dimensionamento das ocupações dos sem-terras e
dos sem-tetos. Nenhum dos dois movimentos, pelo menos até agora, fez paralisar
a vida econômica do país. O setor produtivo e de serviço, industrial, agrícola,
comércio, bancário, comunicações e transportes estão funcionando sem maiores
problemas. Alguma agitação no serviço público, mas de conseqüências
localizadas.
Apesar disso,
alguns analistas mais apressados chegam a comparar a atual conjuntura a que
precedeu ao golpe de 64. O senador Arthur Virgílio do PSDB do Amazonas chegou
até a dizer que havia “um cheiro de governo Jango no ar”. Puro terrorismo para
meter medo na classe média. A situação hoje é completamente diferente. Os
militares depois de vinte anos de poder, saíram desgastados e não querem
retomá-lo, estão quietos nos seus quartéis. A Igreja agora está ao lado das
reformas. O anticomunismo perdeu sua força depois da extinção dos países
socialistas do leste europeu e o fim da Guerra Fria. O imperialismo dos Estados
Unidos, mesmo estando absolutamente hegemônico, deixou de ter interesse em
regimes militares ditatoriais, o domínio econômico num regime formalmente
democrático é mais prático e útil para seus interesses.
O que pode
acontecer se o governo de Lula não deslanchar e não conseguir controlar as
demandas sociais é não se reeleger e das urnas, sair vitorioso um candidato
representante da direita que em vez de reformas, anula os avanços sociais
conquistados. Aí é onde está o perigo. Dutra em 46 cassou os comunistas e os
reprimiu implacavelmente espalmando a democrática Constituição da época. Fez
tudo dentro da lei.
Temos a convicção
de que 64 não se repetirá. Não quer dizer que a direita não possa retornar ao
poder. Fernando Henrique Cardoso já está se peneirando e outros representantes
podem aparecer. A esquerda tem de ser competente para não deixá-los ter
sucesso.
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