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Decisão do papa de expulsar homossexuais da Igreja divide religiosos e gays
O ato do papa Bento XVI de exigir uma fiscalização nos seminários sobre o comportamento de padres e seminaristas norte-americanos para detectar se nos conventos existem sacerdotes com tendências ao homossexualismo, com o argumento de que esses são os responsáveis pelos casos de pedofilia no catolicismo estadunidense que tem chocado o mundo nos últimos anos, e vem causando polêmica.
A decisão divide opiniões dentro do contexto social mossoroense, como são os casos do bispo local dom Mariano Manzana e uma das fundadoras do movimento homossexual mossoroense, Joriana Pontes.
O bispo justifica a atitude de Bento XVI como sendo um ato de proteção para os que não tem tendência ao sacerdócio. "A Igreja não tem nada contra as pessoas que possuem uma orientação sexual diferente, mas colocar pessoas sem vocação para o sacerdócio é como querer que um cego trabalhe como motorista, para ser padre é exigido maturidade e equilíbrio nos sentimentos", justifica.
A militante critica essa confusão entre homossexualismo e pedofilia. "A minha opinião com relação ao assunto que o que se propõe no Vaticano contra a pederastia e pedofilia não está correto, por isso discordo no seguinte: ser pedófilo acarreta prejuízos que podem refluir com uma aproximação mais intensa com crianças independente do sexo e isso não tem nada a ver como homossexualismo", concluiu.
De acordo com dom Mariano, é precipitado afirmar que a Igreja Católica está perseguindo os homossexuais. "A Igreja ama essas pessoas como ama os pobres porque ambos tem em comum o fator da exclusão social. O que Bento quis foi evitar que futuros padres não tenham uma vida sadia na convivência com crianças, jovens e adultos, porque não adianta um padre rezar a missa de manhã e ir a um prostíbulo à tarde", comentou.
Conforme Joriana Pontes, o que a Igreja está fazendo é uma tentativa de buscar uma identidade própria. "Um dos motivos para essa atitude é a busca da Igreja Católica por sua própria identidade. No entanto, direito à vida, que é o principal direito da pessoa, garantido pelo direito natural, pela Declaração Universal dos Direito Humanos e pela legislação de todos os países civilizados, está sendo desrespeitado", comenta.
LEI - De acordo com a Lei Canônica, o voto do celibato é quebrado quando o padre se casa, mas não necessariamente quando este tem relações sexuais. A Igreja de Roma proíbe seus sacerdotes de casarem-se, mas não interfere na vida particular deles. Daí existirem tantos padres homossexuais declarados, exercendo o sacerdócio normalmente. O celibato, como se pode verificar, na prática, nada tem a ver com a castidade. E o perdão para as relações sexuais - heterossexuais ou homossexuais - praticadas pelos elementos do clero, pode ser facilmente obtido a qualquer hora através da confissão auricular a qualquer outro padre seu igual, quem sabe, não muito 'casto' tanto quanto o penitente.
É fácil perceber por que os papas são tão insistentes no reforço da lei do celibato para os componentes do clero católico romano. Não sendo casados e nem tendo família, poderiam ser facilmente transferidos de uma paróquia para outra ou a diferentes partes do mundo. A propriedade dos clérigos, que em alguns casos é bem considerável, e que se fossem casados passariam para a família, cai automaticamente nas mãos da "santa madre igreja" ou é herdada por ela no todo ou em parte. Portanto, os motivos do celibato obrigatório adotado pela Igreja de Roma são tanto eclesiásticos como econômicos.
A lei do celibato da Igreja de Roma (latina ocidental) é, indubitavelmente, apenas eclesiástica e não de direito divino. Havendo colisão entre o direito divino da comunidade e o dever eclesiástico do padre.
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Mossoró-RN, de 2005