em pasto

Texto: Caco Ishak

sabia como chegar
apenas não conseguia

ligou do celular dizendo que ia se atirar. olha pela janela agora pra tu me ver caindo. mas não encontrou a chave do cadeado que lacrava as grades da porta de vidro da sacada do décimo quinto andar. e ficava repetindo pra si mesma com o bucal do telefone na altura do peito. bois ruminam sua sorte.

bois ruminam sua sorte

não encontrou a chave que libertaria sua alma das verdades apreendidas numa tela de plasma ligada no canal carismático. levou o celular ao ventre. estabeleceu a única comunicação possível na cadeia de tempo em que era capaz de embarcar. a cada chute recebido, um soluço seco. um estampido de gente.

bois ruminam sua sorte

sabia como chegar. apenas não conseguia. não conseguia desatar os nós da garganta que se amontoavam nos pensamentos entre as ligações. entre os soluços. entre o pulo e a grade de ferro. correu até a cozinha. reconfortou-se com as gavetas abertas.

bois ruminam sua sorte

e um dia
ainda escreverão
que o blur foi a resposta
inglesa ao beck

desligou o telefone. vacas engendram sua morte a cada parto restabelecido.

bois ruminam sua sorte.

 

(Caco Ishak é autor do livro “ Dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa ”, publicado pela 7letras. Também escreve em www.verbeat.org/blogs/cacoishak).

 

 
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