POLÍTICA

Amazônia é tema de debate na Assembléia Legislativa

Sessão de hoje vai discutir a Campanha da Fraternidade 2007

Arquivo
Deputado Francisco Cartaxo
propôs a sessão de hoje


Val Sales

A Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) realiza hoje sessão solene para debater a Campanha da Fraternidade deste ano, que coloca a Região Norte no foco da mídia nacional e internacional. Com o tema “Fraternidade e Amazônia” e o lema “Vida e Missão Nesse Chão”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pretende chamar a atenção do mundo para a necessidade de preservação do meio ambiente como recurso para a sobrevivência das gerações futuras.

O evento foi proposto pelo deputado estadual Francisco Cartaxo (PT) e reúne as lideranças da Igreja Católica, assim como os membros dos órgãos e organizações voltadas para a defesa dos recursos naturais. Segundo ele, a Assembléia Legislativa está prestando uma grande homenagem à CNBB e à Diocese de Rio Branco, por estarem promovendo a Campanha da Fraternidade deste ano com o tema voltado para a Amazônia. “Esse é um momento muito precioso da humanidade, em que todo mundo está avaliando o seu presente, mas muito mais preocupado com o futuro, frisou”.

Para o parlamentar, a casa está contribuindo para trazer à luz, uma campanha que não é somente da igreja católica, mas que deve ser abraçada pela sociedade brasileira, pela sociedade panamericana, e particularmente, pela sociedade panamazônica. “Nós que moramos nessa região do planeta temos a obrigação moral e ética de estarmos colocando em foco informações que possam contribuir decididamente para que a Amazônia seja preservada naquilo que lhe é mais caro. Que seja respeitada, e mais particularmente, que a cultura e a vida dos povos da Amazônia sejam consideradas nesse aspecto”, acrescentou.

Cartaxo explicou que a campanha da fraternidade é um momento para que todos reflitam sobre o futuro, e que a Aleac, por estar inserida exatamente no contexto amazônico tem obrigação de prestar homenagem pela iniciativa, e por meio dela, promover o debate. “É a casa representativa do povo que reflete as demandas, os anseios e os desejos da sociedade. Nada mais justo que trazer à tona esse tema que nos é tão caro e que será refletido para a sociedade”, assegurou.

A unidade consciente pode fazer a diferença

O objetivo de Francisco Cartaxo é que a partir da discussão sobre o tema, a imprensa, a sociedade civil organizada e a classe política do Estado, também participem e ajudem na efetivação de uma conscientização geral sobre o futuro da Amazônia e da humanidade. “Diante da questão das queimadas e das mudanças de clima no planeta, como ficamos nós, que moramos no meio da floresta amazônica? Qual o papel que nos cabe? O que nos é reservado nesse momento da história?”, questionou”.

Segundo o parlamentar já passou da hora de se levantar esse debate e buscar soluções para o problema. Ele lembrou ainda que há mais de 400 anos o homem vem explorando planeta de forma até irresponsável. “Isso ocorre desde a época da revolução industrial, de maneira a até a creditar que, os recursos são explorados continuamente sem nenhum prejuízo para o futuro. Como ficam os nossos netos? Como ficarão nossos bisnetos? Alguém já parou um dia para pensar sobre isso?”, questionou novamente.

Cartaxo frisou que são 400 anos de exploração irracional no planeta, acreditando que os recursos são inesgotáveis, o que se sabe que não funciona dessa forma. O deputado ressaltou que quem tem o mínimo de bom senso hoje passa a acreditar também de que ainda a tempo de resgatar a dignidade do planeta terra. “A gente que vive na Amazônia tem esse papel de ajudar no debate, e por meio da aleac, da classe política e da sociedade civil organizada, chegarmos muito mais longe do que já se chegou até hoje”, completou.

Para ele, não é a paralisação do desmatamento e do garimpo na Amazônia que vai resolver a questão ambiental no planeta, mas que a região já estaria dando um grande passo, uma contribuição se cumprisse ao menos essas duas etapas na vida do planeta.

Acre preservado

O deputado Francisco Cartaxo ressaltou que o projeto de governo que se instalou há oito anos no Estado, colabora decisivamente para a preservação do meio ambiente. “Na medida que se cria um projeto que tem como seu maior patrimônio econômico a floresta em pé, por si só ajuda a gente a preservar uma parte importante do nosso planeta”, observou. Nesse trecho ele também questiona: “Será que só o Acre preservando é suficiente?”, ressaltou. Para o parlamentar esse debate e os projetos que estão sendo implantados e conduzidos no Estado devem servir espelho para outros Estados da Amazônia e se espalhar pelos países.

Ele disse ainda que a sociedade deve refletir o fato de não existir fronteiras para o desenvolvimento sustentável, e que elas devem ser extintas entre países e estados. O petista acredita que a unidade na preservação pode representar um passo mais que significativo para o bem da humanidade e da própria espécie. “Trata-se do respeito, que é o que as populações tradicionais têm pela sua riqueza natural. Devemos aprender com essas populações, de que o consumismo desenfreado e a política neoliberal de ocupação econômica dos espaços no planeta estão ultrapassados, e não leva a nada, a não ser à destruição, à destruição da própria humanidade”, explicou.

De acordo com Cartaxo o Acre pode servir de exemplo no trato das tradições da Amazônia, assim como se colocar como um grande espelho para o resto dos países e para outras nações do nosso planeta.

 
 
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Rio Branco-AC, 1 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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