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Do Editor |
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Mais do que um incentivo à cultura No dia 31 de março de 1964, foi deflagrado o famigerado Golpe Militar no Brasil, período que ficou marcado pelo autoritarismo, supressão de direitos constitucionais, perseguição, tortura, censura prévia aos meios de comunicação e à liberdade de expressão. Pois bem, 44 anos depois desse período negro da história brasileira, foi escolhida esta mesma data para que, ironicamente, o governo do Estado, através da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, lançasse a 9ª edição da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. A escolha da data pode não ter sido intencional, mas não se pode deixar de estabelecer uma analogia ao antagonismo desses dois eventos. Se antes toda e qualquer forma de expressão cultural era calada impiedosamente de diversas maneiras possíveis e até mesmo inimagináveis, hoje observa-se na esfera local uma necessidade cada vez maior de dar voz à pluralidade artística acreana, em todas as áreas culturais. É fato que a nossa arte já ultrapassou os limites do Estado e ganhou o mundo, o que tem encorajado cada vez mais os talentos até então ocultos a mostrar sua face e contribuir para o fortalecimento do cenário cultural e, por conseqüência, da nossa própria identidade. Ao democratizar cada vez mais o acesso da comunidade aos recursos destinados a projetos culturais, o governo atual vai na contramão daquele outro, da década de 1960, para o qual uma juventude alienada era a perfeita massa de manobra. Para este, incentivar o que o artista tem de melhor - seu trabalho, sua expressão - é semear em um terreno que renderá bons e saudáveis frutos pelas próximas gerações. Incentivar a cultura é saciar a fome de conhecimento da comunidade. |
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