Resley Saab
O primeiro Centro de Materiais Recicláveis da região será inaugurado em 30 dias pela Prefeitura de Rio Branco. O galpão tem uma área de 531 metros quadrados e já está quase pronto, faltando praticamente apenas o piso e os portões. A construção é financiada pela Fundação Banco do Brasil, cujo valor final será de quase R$ 400 mil.
O centro será administrado em forma de cooperativa, composta por 30 homens e mulheres da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis de Rio Branco. Na manhã desta quarta-feira, 30, o prefeito Raimundo Angelim, o gerente regional do Banco do Brasil no Acre, Edvaldo Sebastião de Souza e o superintendente do Sebrae/AC, Orlando Sabino, estiveram visitando as obras, acompanhados do secretário de Meio Ambiente, Arthur Leite, de Serviços Urbanos, Gildo César Rocha, de assessores municipais e os próprios catadores.
O investimento na construção é de R$ 390.903,31, dos quais R$ 57.625,75 são de recursos próprios da Prefeitura de Rio Branco. Para a instalação de maquinários deverão ser alocados outros R$ 25 mil, depois que o galpão for concluído.
Conforme Arthur Leite, o Governo do Estado já confirmou que fará a doação da prensa que permitirá a produção de fardos de papéis, de plástico e de alumínio, prontos para serem remetidos às fábricas de reciclagem.
“O que é mais positivo neste processo é que a cooperativa poderá estocar os fardos para aguardar as especulações de mercado, acompanhando a baixa e alta dos preços. Antes isso era impossível, pois se tinha que repassar o material imediatamente aos sucatões por falta de um espaço organizado e mecanizado”, explica o secretário de Meio Ambiente. Leite, no entanto, ressalta que o maior desafio não serão as obras do galpão, mas o de organizar os trabalhadores nos moldes do trabalho comunitário, para que o empreendimento possa, verdadeiramente, decolar.
Além da possibilidade de uma renda, outro benefício será uma redução média de 800 toneladas ao ano de resíduos que seriam remetidos ao aterro sanitário da cidade. Se não vai para o aterro, além de contribuir com a natureza, vira negócio.
De acordo com Úrsula Mara Silva de Assis, presidente da Associação de Catadores, cada trabalhador chega a ganhar entre R$ 400 e R$ 600 por mês. Do arrecadado, ele contribui com a associação em 6%. O quilo da lata de alumínio custa R$ 2 nos sucatões da cidade e a garrafa plástica de refrigerante é entregue a R$ 0,25. Em média cada catador chega a recolher até 200 quilos de materiais recicláveis por dia. Ele comemorou, classificando o local como a “extensão da casa de todos os associados”.
O Catar conta com a parceria de diversas instituições governamentais e não-governamentais, entre elas, o Banco do Brasil, por meio do seu programa de Desenvolvimento Regional Sustentável, o Ibama, o Sesi, e as secretarias Municipal e Estadual de Meio Ambiente.
Catadores também são agentes ambientais
O prefeito Angelim afirmou considerar os catadores como “agentes ambientais”. Na opinião dele, “estes trabalhadores não precisam ser observados pela população como coitadinhos, assim como acontecia com os garis e as margaridas da Prefeitura de Rio Branco”. O prefeito disse acreditar que ações de inclusão social como as que estão acontecendo mostram que o Banco do Brasil se preocupa com o desenvolvimento de pequenas comunidades com potencial para o crescimento econômico e social.
Orlando Sabino, do Sebrae-Acre, disse que a “dignidade humana está sendo respeitada” e que a sua instituição já promoveu várias capacitações para que estas pessoas pudessem “vivenciar este momento crucial”.
Edvaldo de Souza, do Branco do Brasil, destacou que quando “o foco é direcionado à pequena empresa, gerando economia, os recursos vão além do lucro, porque alcança o social”. Ele sugeriu que os trabalhadores da nova cooperativa procurassem observar experiências que deram certo em outras partes do País
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