o

VARIEDADES

“Para fazer música é preciso se informar”

Arthur Maia ensina pela primeira vez no Norte do Brasil, e diz que músicos da região são menos americanizados

Regiclay Saady
Arthur ganhou fama e respeito a
partir de muita dedicação ao que faz


Andréa Zílio

Seu berço é musical, o pai, a mãe, o tio, todos músicos, sua casa com freqüência recebia visitas de grandes nomes como Djavan, Elis Regina. Aos 17 anos, Arthur Maia também aprendeu a dividir o palco com nomes consagrados da música popular brasileira.

Pela primeira vez no Acre, o baixista subiu ao palco para mostrar um pouco do que aprendeu junto a artistas acreanos, entre eles, André Dantas. Arthur afirma: “Nas grandes capitais, a maior parte dos músicos são ‘americanóides’, quando venho para o Norte ou Nordeste encontro coisas diferentes, com raiz forte aliada a um leque bom de informação”.

O músico é politizado, preocupado com o social e de uma simplicidade ímpar para quem está na lista dos grandes músicos brasileiros e com o título de um dos maiores baixistas do país, de acordo com a crítica especializada. Foi de tênis, calça jeans e camiseta que ele subiu ao palco do Theatro Hélio Melo, na manhã de ontem, e realizou mais uma edição do Rio Branco Workshops.

O projeto é realizado pelo Clube do Choro, em parceria com a Eletrônica Halley e Fundação de Cultura Elias Mansour. Mas o músico prefere classificar o que faz como um workshow, que realizou também com o patrocínio da empresa Strings, com a qual lançou no mercado cordas para guitarra, corda Groove. Carioca nato, ele mostra que já esteve próximo do Acre de outras formas, pois produziu o Cd do acreano Paulinho Lemos, que mora na Europa e é admirador de João Donato e Chico Chagas.

No workshow, Arthur tocou, ensinou, escutou, mas diz que a finalidade é passar a realidade da música por meio de sua experiência, desmistificar o mercado e mostrar a simplicidade necessária ao meio musical, entre novatos e veteranos. “Para aprender e crescer é preciso ser eficiente, enfrentando o que não gosta, participando de estilos que não gosta. A minha sorte é que gosto de todo som”, diz.

Aprender a música – Tocando há 10 anos na banda de Gilberto Gil e tendo em seu currículo trabalhos com diversos músicos, entre eles, Djavan, Lulu Santos, Ivan Lins, Carlos Santana, entre outros, Arthur comenta que para aprender a tocar é preciso conhecer a música, suas diversas sonoridades, tons, mas, principalmente, sua história. “Para eu saber os tipos de samba eu preciso conhecer sua origem, sua história, os grandes músicos do samba. É preciso estudar, pesquisar, como em qualquer outra profissão, porque assim, o profissional terá mais ferramentas para criar”, diz.

Arthur deixou aos acreanos aprendizes e novatos da música, a maioria, baixistas, a dica para catalogarem os diversos gêneros, fazer trabalho de ‘garimpagem’, não se limitar. E deixou claro que no mundo artístico todos merecem respeito, são iguais, mas deve se esforçar se quiserem destaque. “Gosto de fazer workshow com músicos do lugar onde estou ensinando, porque assim desmistifico os tabus do glamour”, diz.

Um ser social – Um dos grandes orgulhos do carioca, além da família, não é o que conquistou no palco, mas fora dele. Arthur mora em Niterói, e foi lá que conseguiu, como curador cultural do lugar, inserir nas escolas públicas, o ensino as artes. Além disso, anualmente realiza um festival de música que disponibiliza oficinas gratuitas, com ajuda dos amigos músicos que atuam como voluntários. “O bom de qualquer profissão é quando você percebe, tem o estalo que nasceu para aquilo e se dedicar ao máximo. O músico tem que ser fruto do que ele planeja e não do acaso. Me dediquei muito e sinto que tenho de fazer outras coisas, que não é só tocar, é ser eficiente musicalmente e socialmente”, comenta Arthur.

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 1 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A

 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL