ESPECIAL
   ALMANACRE
Elson Martins

Identidade e escolha

A vida no mundo pode melhorar se forem adotadas políticas públicas que ampliem a possibilidade de escolhas dos indivíduos que almejam a felicidade. Isso subtende aumentar a longevidade das pessoas com bons programas de saúde e previdência, aumentar o conhecimento através de boa educação para todos e aumentar o crescimento econômico, justo e sustentável.

Esta é a idéia defendida pelo subsecretário da ONU, sociólogo e historiador Carlos Lopes, convidado internacional do programa “Sempre um Papo” que manteve esclarecedora conversa no início da noite de sábado no auditório da Biblioteca da Floresta.

Africano de origem e diplomata experiente, Carlos, que nasceu na Guiné Bissau e já produziu mais de 20 livros sobre desenvolvimento global, se expressou em português (com sotaque de Portugal) sem cansar a platéia. Porque foi elegante e convincente o tempo todo, durante as duas horas que passou respondendo às perguntas, algumas até complexas ou provocadoras.

Ao falar do papel da ONU, ele desmistificou a força política da instituição, geralmente mal dimensionada. Chegou a compará-la ao senado brasileiro, para explicar que suas decisões expressam a vontade dos representantes (paises) que a compõem, não o ideário de democracia latente no mundo.
O Conselho de Segurança da ONU, segundo deixou entrever, é o vilão da história. Composto de 15 membros, apenas 5 deles (os mais poderosos como Estados Unidos, Rússia e China) são permanentes e têm direito a veto. Por isso os Estados Unidos vetaram ajuda à Ruanda permitindo o extermínio de 800 africanos. E insistiu com a intervenção no Iraque mentindo sobre a existência de armas químicas naquele país.

Ao falar sobre a Amazônia, Carlos mostrou a contradição entre os brasileiros que reconhecem e denunciam problemas graves na região, mas não aceitam que o mundo também os reconheça e discuta. Os brasileiros também denunciam ameaça contra sua soberania na região, o que ele acha improvável. Os problemas da Amazônia em tempos globais, argumenta, são problemas do mundo, portanto, é normal que sejam discutidos nessa dimensão.

Para Carlos Lopes o desmatamento na Amazônia como fator de desequilíbrio climático preocupa menos que a perda de sua rica biodiversidade, certamente ameaçada. Mas também nesse campo as intervenções da ONU estão sujeitas à sua suspeita representatividade, cuja transformação desde sua criação tem sido muito lenta.

A esperança é que a rede de computadores através da qual podem interagir hoje três bilhões de pessoas, metade da população do planeta, acelerem as mudanças. Mesmo assim, não se tem certeza de que decorram disso boas escolhas para a sociedade global.

Calma lá! Carlos Lopes não está fechando portas à utopia. Nos dois livros que lançou na ocasião de sua palestra (Cooperação e Desenvolvimento Humano, e Desenvolvimento para Céticos) ele aposta no melhor. E acha possível construir um IDH (índice de desenvolvimento humano) que permita aos indivíduos viver mais, conhecer mais e ter mais.

CORREIO

Cauda da Serpente

O astrônomo amador e economista Francisco Carlos da Rocha Gomes está atraindo pessoas de todas as idades para o Grupo de Astronomia Gama Hidra do Acre, que fundou, organizou e desde janeiro hospeda na Biblioteca da Floresta Marina Silva.

Quinzenalmente e sempre às sextas-feiras, a partir das 18 horas, Francisco leva à biblioteca um potente telescópio e o instala no primeiro piso para quem quiser dar uma espiada fascinante no Cosmos. A idéia do grupo, explica, é “divulgar a ciência astronômica a todos, de forma gratuita, através de encontros quinzenais, debates, apresentações e, logicamente, muita observação do límpido céu acreano”.

Gama Hidra (Y Hidrae) ou Dhanab al Shuja, cujo significado é “cauda da serpente”, é o nome da estrela que na bandeira nacional representa o Estado do Acre.

Para ingressar na lista de discussão do Grupo de Astronomia Gama Hidra do Acre e participar de reuniões às sextas-feiras no auditório da Biblioteca da Floresta, basta dar uma chegadinha à instituição ou enviar e-mail para: gamahidra-subscribe@yahoogrupos.com.br,

Mas atenção: o endereço eletrônico acima está protegido contra spam bots exigindo, portanto, que o Java-script esteja ativado para poder visualizá-lo.

“Furo” dos isolados

Danou-se! Já não se fala no que pode acontecer de ruim contra os índios isolados fotografados no alto rio Envira, na fronteira do Acre com o Peru, após as fotos ganharem a blogosfera. As pessoas preferem saber a quem atribuir o “furo” de tê-las publicado antes que todo mundo.

Pelo que testemunhei, o “furo” foi da antropóloga Mariana Pantoja, que orientada pelo antropólogo Marcelo Piedrafita publicou fotos e contou toda a história, direitinho, no seu blog (www.aflora.blogspot.com), motivando até um pedido do sertanista Meirelles, por telefone, para que as retirasse para evitar que os blogueiros do mundo “piratessem” o material.

A postagem de Mariana feita no dia 15 de maio e foi retirada no dia seguinte com espetadas contra Funai. Posteriormente, dia 23, a matéria saiu no site Terra Magazine assinada pelo prestigiado Altino Machado. E desde então, os índios considerados “invisíveis” ganharam visibilidade virtual global. Deus os livre de mau olhado!

 
 
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Rio Branco-AC, 01 de junho de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A