OPINIÃO
   RETRATOS DO JURUÁ

Nelson Liano Jr.

 

A poesia da estrada aberta

“Eu já estou com o pé nesta estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes, amanhã...” . A letra da canção serve direitinho pra ilustrar o clima no Juruá com a abertura da BR-364. Tudo muda. Tanto o visual das cidades com o aumento de circulação dos carros e caminhões quanto o astral dos seu moradores. É verão, tempo de sonhar e fazer planos. Aquela visita à tia que mora na Capital. O filho que vai poder ver a mãe. É a oportunidade de quem sabe comprar um carro novo e vir dirigindo pela BR. Trazer novos equipamentos pesados para a empresa. É a oportunidade de comer melhor com a chegada dos hortifrutigranjeiros mais baratos. Prateleiras dos armazéns cheias. É tempo de alegria para os comerciantes que vendem mais, recebem hóspedes nos seus hotéis e comensais nos restaurantes. O dinheiro circula e o povo muda. A população de Cruzeiro do Sul cresce. Mais festas nas cidades. Novenário de Nossa Senhora da Glória lotado. A festa da fé, orgulho dos cruzeirenses com a presença dos filhos pródigos e os ilustres visitantes. O Juruá se torna importante e o povo talhado no isolamento aprova. Quem vive na pele o isolamento não quer saber de nada. A estrada amplia os horizontes e abre perspectivas de novas realizações. Os políticos chegam e oferecem seus projetos. O povo receptivo, mas sempre desconfiado, pensa: “será que dessa vez vai?” Tempo de estrada aberta é outro tempo. Tem também as mazelas. Caminhoneiros que levam adolescentes pela estrada e se aproveitam dos seus sonhos de uma vida melhor. Tem também aqueles carros que chegam da “capitar” com a mentalidade de “vamos detonar no Juruá”. Abrem o porta-mala e botam a música pra rachar os ouvidos no centro de Cruzeiro ou no Igarapé Preto. Se exibem. Pensam ser superiores. Acham que estão abafando. Mas na verdade estão pagando o maior mico. Tem ainda os marreteiros espertos querendo enganar o povo com produtos de péssima qualidade. Tem gente que brinca com os sonhos dos outros sem pedir licença. O povo do Juruá é generoso, mas não é tonto. O noticiário policial aumenta com os acidentes de trânsito, assaltos, arruaças e pequenos golpes. Mas o povo não liga para os transtornos. Quer cidadania, quer ser brasileiro, quer exercer plenamente o direito constitucional de ir vir. Só pode compreender a transformação da alma do povo do Juruá com a estrada aberta quem já viveu o drama do isolamento morando na região. Só assim é possível entender a sinfonia de sonhos que pulsa na veia do povo do Juruá com a estrada aberta.

ALEAC no Juruá

O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Edvaldo Magalhães, está levando a sério a aproximação do povo do interior com o legislativo estadual. Nesta terça-feira, a comissão de saúde vai ao Juruá discutir com a população os seus principais problemas. A deputada Idalina Onofre (PPS) questionou problemas na saúde no plenário da Casa. O líder do governo, deputado Moisés Diniz(PC do B), ouviu e tomou a iniciativa. Já dizia o poeta: “todo artista tem que ir aonde o povo está”.

Mais segurança pública

O deputado Taumaturgo Lima(PT) recebeu fax dos comerciantes de Cruzeiro do Sul reclamando dos assaltos aos postos de gasolinas. Pediu no plenário da Assembléia a presença do secretário de segurança, Antonio Monteiro, no Juruá. O pedido deverá ser atendido. Lá, se o secretário conversar direitinhos com os seus comandados tanto da civil quanto da PM vai ver que providências precisam ser tomadas com urgência para garantir a segurança da população. A deficiência nos efetivos é gritante. Já se foi o tempo em que se dormia com as janelas e as portas abertas no Juruá. E o tempo em que terçado servia só pra brocar a terra.

Eleição

O ex vice-prefeito de Cruzeiro do Sul, Mazinho Santiago, caminhava, nesta semana, solitário na Assembléia. Prepara a sua ida para o PTN. Confidenciou-me que tem como certa a indicação do prefeito de Rodrigues Alves, Deda, como candidato à prefeito de Cruzeiro pelo seu atual partido, o PP. Sente-se abandonado e esquecido. Mas garante que não abre mão da sua candidatura. Para quem não se lembra ele foi um dos pivôs da renúncia à reeleição do então prefeito César Messias, que não queria aceitar a indicação de outro vice.

Remédio amargo

Um antigo vereador de Cruzeiro do Sul disse-me que a candidatura do Jósa da Farmácia tem que ser levada à sério. Não me perguntem por qual partido. Mas parece que o empresário faz muita caridade e tem grande aceitação na periferia da cidade. Como os preços dos remédios no Juruá andam pela hora da morte a informação deve ser ao menos checada para quem sonha com a prefeitura da cidade.

Até a próxima...

 

 
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Rio Branco-AC, 1 de julho de 2007
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