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Florentina Esteves * |
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Expoacre Hoje se encerram os festejos da 32ª feira agropecuária – Expoacre – de nossa cidade. Foram nove dias em que o governo ofereceu, e o povo aproveitou a extensa programação da feira, que foi prestigiada, até, pela presença do Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. E em todos os jprnais vimos sua foto, ao lado do governador Jorge Viana, montando vistoso alazão. Esse Acre é festeiro, mesmo... E o governo lhe dando corda, é isso aí que se vê. Dentre a variada programação desses nove dias que durou a feira, não podia faltar – é claro – o leilão de animais, e vaquejada, bem ao estilo do evento. Além disso, tivemos a parte social, com o Projeto Cidadão, quando se realizaram centenas de casamentos coletivos, e a expedição de documentos. Pessoas nascidas nos seringais, que nunca “existiram” tiraram seus documentos de identidade e passaram a compor as estatísticas oficiais. De casamentos, então, nem se fala: já avós, vimos casarem pessoas que viviam juntas há dez, quinze, vinte anos ou mais. Também tivemos a parte esportiva: vôlei de praia (com a presença e participação de nosso acreaníssimo Carlão) e corrida de bicicross. Por fim, o programa cultural: artistas locais completaram, com seus shows, a programação festiva. Além desses, vieram de fora cantores renomados, como os sertanejos Pedro e Thiago, Zezé Di Camargo e Luciano, e as Bandas Só Pra Contrariar, e o Grupo Araketu. Bem, estamos em 2004, na cidade de Rio Branco do Acre, a falar desses eventos. E aos jovens, talvez, não tenha quem lhes fale desta mesma cidade, meio século atrás, e como se divertiam e viviam seus pais ou seus avós. E nosso relato bem que podia começar com “era uma vez”, como nas histórias de fadas. Não. Não quero dizer que as tivéssemos por aqui e que a vida, naqueles tempos, fosse uma sucessão de encantamentos. Pelo contrário: a vida era dura, e as diversões se resumiam a um baile na Tentamen ou no Rio Branco, cinema, aniversário na casa da comadre, e festejos religiosos. Mas o acreano sempre foi inventivo, e vivia em função do regime das águas do rio, como o título de um romance que li: “Um rio comanda a vida”. Sim, naquele tempo sem estradas e sem avião, se chegava a se partia via fluvial, e a cidade se engalava no inverno, época das cheias. Pois nesse mesmo rio barrento, veio a se pensar fazer uma atividade esportiva, a trazer alguma diversão para a cidade: regata. E lembro ao leitor que antes das pontes, o acesso de um para o outro lado da cidade se fazia atravessando o rio em catraias. E vieram mesmo a ficar em nossa história catraieiros como seu Neco, José Lima, e Zé da Rocha, que ganhou até uma canção, que começava assim: “Seu Zé da Rocha venha me salvar, que a canoa vai descendo, e eu não sei remar...” E as regatas consistiam em disputa, entre as catraias, de quem chegasse primeiro, vencendo percurso pré-estabelecido. Chicão, catraieiro forte e alto, costumava ser o vencedor. E tome festa! Hoje nossa cidade modernizou-se. E com as pontes, facilitando o acesso de um para o outro lado do rio, vieram os carros, o transporte coletivo, a cidade se espraiando, e nossa história acontecendo. Já não somos mais aquele Território que vivia em função do extrativismo. A pecuária se afirma como nova vocação. E que vem dando certo. Mas vem dando certo porque se procura preservar nossas florestas, tão ricas promissoras, cuja história, eu acredito, se escreverá um dia começando com “Era Uma vez”. * Professora e Ecritora |
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