VARIEDADES

A gravura indígena em sementes da Eko Jóias

Há mais de um ano, o acreano Kleder Bezerra decidiu se dedicar ao artesanato e chama atenção criando bijuterias com motivos regionais

Regiclay Saady
Kleder Bezerra


Andréa Zílio

Ele é formado em Prótese Odontológica e Pedagogia com especialização em Gestão Ambiental, mas é no artesanato que o acreano Antonio Kleder Bezerra tem se destacado. A matéria-prima é a mesma usada pela maioria dos artesãos acreanos, mas a sua criatividade tem sido a principal aliada.

Com a marca Eko Jóias, ele é um dos destaques da Feira Agropecuária do Acre. Colares, brincos, anéis, pingentes e pulseiras ganham também valor cultural com gravuras indígenas que faz nas sementes.

Kleder tem 40 anos de idade. O primeiro trabalho com artesanato foi quando estudava na Universidade de Campinas (Unicamp) e vendia peças de artesãos do Acre. Mas conta que o fornecimento deixou de ser freqüente, então ele se propôs o desafio de começar a fabricar seu próprio artesanato.

A afinidade com o fazer artesanato foi tanta que Kleder não a deixou mais e hoje compõe a lista dos artesãos acreanos. Diz que é uma espécie de terapia, que se tornou um trabalho paralelo e lucrativo.

“Quando comecei a fazer, parecia que já confeccionava artesanato há muito tempo. Eu fui criando as peças e adaptando algumas máquinas. Sempre procurei fazer coisas diferentes”, comenta.

Ecologicamente correto

Desde que iniciou, Kleder conta que sempre fez questão de comprar matéria-prima de cooperativas que trabalham com manejo e têm a preocupação de manter as espécies de sementes, inclusive a jarina.

O artesão conta ainda que sempre acreditou nos produtos florestais renováveis. Além disso, ele agrega a grande paixão pela cultura indígena em suas peças fazendo gravuras que mostram a história e os hábitos de algumas etnias, principalmente dos Kaxinawas, que admira muito.

Um trabalho diferenciado

A formação em Gestão Ambiental, segundo Kleder, ajudou-o no trabalho com artesanato. Levar seus produtos à Expoacre foi uma oportunidade de divulgá-los. “Os acreanos mereciam conhecer um trabalho feito com matéria-prima local, que é muito valorizado lá fora.”

Hoje o artesão manda seu trabalho para o Sul e Sudeste do Brasil. Além disso, exporta para a Alemanha, Itália, França, Suíça e Estados Unidos. Mas o seu grande desafio agora é encontrar parceiros para que o produto continue chegando nesses lugares sem passar por atravessadores. Conta que está buscando ajuda na Agência de Negócio do Acre (Anac) e no Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Com a marca Eko Jóias, mensalmente, Kleder produz e vende uma média de 100 a 150 peças em Rio Branco. E exporta cerca de 200 a 300. O telefone de contato do artesão é 9994-0431.

 

 
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Rio Branco-AC, 1 de agosto de 2004
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