COTIDIANO

Produtores de leite comemoram liberação de crédito

Dinheiro será utilizado para fazer a compra antecipada da produção de leite e derivados

Cedida
Bispo dom Joaquín Pertínez celebrou missa durante inauguração da fazenda


Os 200 associados à Cooperativa dos Produtores da Regional do Baixo Acre (Coopel) festejaram no fim da tarde de ontem a liberação de um empréstimo de R$ 370 mil do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a compra antecipada da produção de leite dentro do programa Fome Zero.

O dinheiro servirá como capital de giro para a Coopel, que já chegou a beneficiar mais de 11 mil litros de leite por dia, mas teve sua produção reduzida para pouco mais de 5.400 litros em conseqüência da forte seca ocorrida no ano passado. As dificuldades surgiram porque eles haviam comprado o laticínio falido de um empresário e, com a queda da produção, acabaram se descapitalizando ao quitar parcelas da compra do patrimônio que agora pertence aos produtores.

“Há muito tempo a gente sonhava em dar aos nossos produtores um momento tão feliz quanto esse da liberação do dinheiro que precisamos para fortalecer a cooperativa comprando matéria-prima para fazer estoque de queijo e manteiga que vamos vender a melhor preço na entressafra”, explicou Ezequiel Rodrigues de Oliveira, presidente da cooperativa. “Isso nos anima a demonstrar que, com a união e a disposição para o trabalho de nós produtores, podemos vencer onde os empresários falharam e construir uma bacia leiteira no Acre.”

O gerente regional do Banco da Amazônia, Marivaldo Melo, fez a entrega do primeiro cheque de pagamento a um dos produtores de leite presentes à cerimônia. “Gostaríamos de poder ajudar mais aos pequenos produtores, mas o sistema brancário ainda precisa ser melhorado nesse sentido. Também quero dizer que desde quando era gerente do banco em Sena Madureira fiquei fã do senador Sibá, por reconhecer que ele investe e apóia o setor produtivo, que embora possa não gerar tantos votos, é, ao lado da educação e da saúde, a chave que vai garantir nosso desenvolvimento futuro.”

O senador agradeceu o elogio e esclareceu que, para garantir o financiamento, teve de conseguir a inclusão do Acre na compra antecipada do leite pelo programa Fome Zero, o que não acontecia pelo fato de o Estado não ser considerado uma bacia leiteira. “Agora nossos produtores receberão seu pagamento em dia e a cooperativa terá dinheiro para estocar a matéria-prima. A vantagem é que, além de pagar juros de apenas 2% ao ano, no momento do pagamento a cooperativa poderá fazer isso em dinheiro ou fornecendo produtos como queijo, leite e manteiga para a merenda escolar.”

Ele lamentou que os produtores tivessem enfrentado tanto descrédito por parte dos bancos quando se propuseram a assumir uma empresa com uma dívida de mais de R$ 1,2 milhão, hoje quase totalmente quitada apenas com a venda do leite dos que, apesar das dificuldades, continuaram acreditando no negócio.

Já o diretor do Instituto de Defesa Animal e Florestal do Acre (Idaf), Paulinho Viana, anunciou: “Ficamos satisfeitos de ver que nossos produtores estão enfrentando e vencendo o desafio de administrar uma agorindústria. Quanto a nós, que já conseguimos nos livrar da aftosa, o próximo desafio é conseguir a certificação das propriedades do Acre como área livre da tuberculose e da brucelose, então seremos o primeiro Estado do Brasil a conseguir isso”.

Voz do campo

Com 30 vacas no pasto, Joel Oliveira de Souza, 59, que tem sua propriedade no ramal do Zé Vaqueiro, vendia uma média de 100 litros de leite por dia até que a seca do ano passado fez a produção cair para apenas 30 litros.

“A seca prejudicou nossa pastagem e as vacas atrasaram o cio, por isso a produção caiu muito. Mas na verdade o leite é hoje a melhor opção para o pequeno produtor ganhar dinheiro, pois não podemos mais derrubar para fazer lavoura e a mecanização não deu certo até agora”, declarou.

Seu vizinho Raimundo Costa Melo, 35, que produzia uma média de 150 litros por dia, agora está com a venda reduzida a pouco mais de 50 litros, mas não desanima. “Nossa propriedade é nossa vida, e o gado de leite é o que garante a renda de que a gente precisa, principalmente agora em que até o preço da carne deu uma baixada muito violenta”, disse.

Já o secretário municipal da Agricultura de Senador Guiomard, Neilton Vasconcelos, explicou: “A maioria dos pequenos produtores de nosso município hoje está dedicada à produção de leite porque ela é a única que dá melhor garantia de renda para suas famílias. Por isso nós realizamos parcerias com a Embrapa e o gabinete do senador Sibá Machado para melhorar a qualidade do rebanho e fazer outros investimentos que melhorem a produção e a produtividade.”

 

 
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