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Ricardo Berzoini * |
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FHC, um juiz sem razão Fernando Henrique Cardoso, proibido por líderes tucanos de participar da campanha presidencial brasileira, resolveu se portar como juiz de governos e governantes de alguns países sul-americanos. Em entrevista ao jornal chileno La tercera, FHC criticou o crescimento político de Hugo Chavez, presidente da Venezuela, condenou a Argentina na disputa que travou com o Chile e elogiou a socialista Michelle Bachelet e os seus antecessores na presidência do país. O príncipe comete a insensatez de acusar o governo brasileiro de dar pouca atenção para a América do Sul e de ser o responsável pela crescente influência do presidente venezuelano. Algumas conclusões podem ser depreendidas desse disparate do padrinho de Alckmin: Em primeiro lugar, é possível desconfiar que ele não lê jornais, não assiste tevê e não acompanha a política externa do governo Lula, que reconhecidamente dá prioridade ao fortalecimento do Mercosul e à criação da Comunidade Sul-americana de Nações. Em segundo lugar, observa-se que FHC não tem dado os devidos conselhos a seu afilhado Geraldo Alckmin, que, no dia 10 de julho, em Bruxelas, afirmou que a Alca e os acordos comerciais com Estados Unidos e Europa deveriam ser prioridade. Em terceiro lugar, podemos perceber que Fernando Henrique não respeita a autonomia política das nações. A disputa ou o crescimento político de nossos vizinhos é resultado das relações que estabelecem internamente e com outros. Não é saudável que qualquer líder político, muito menos um ex-presidente da República, emita opiniões preconceituosas sobre a qualidade da liderança de um ou outro país ou presidente. Os presidentes Néstor Krichner, Hugo Chavez e Michelle Bachelet foram eleitos democraticamente e têm exercido suas funções dentro do estabelecido pelas leis locais e pelos acordos internacionais. Todos eles, inclusive, têm sido muito importantes para que a América do Sul se perceba como um sujeito político relevante no cenário internacional, o contrário do praticado no governo brasileiro anterior e do defendido pelo candidato tucano-pefelista. No que diz respeito ao Brasil, é inegável que o país passou a ocupar, no cenário internacional, um lugar que lhe corresponde e que os brasileiros sempre exigiriam. Uma política externa ativa e altiva devolveu-nos o sentido da soberania. Sem confrontações ideológicas e enfrentamentos desnecessários, o Brasil assumiu papel importante nas grandes questões internacionais —da reorganização das Nações Unidas ao combate à fome e à pobreza — pregando a paz, o fim das desigualdades o multilateralismo. Também nos aproximamos da África, continente com o qual temos dívidas históricas, e estabelecemos diálogo importante com o mundo árabe, além de impulsionarmos um eixo Sul-Sul com África do Sul, Índia, China e Rússia. Mas, sobretudo, levamos adiante consistente processo de integração na América do Sul, reforçando o Mercosul, participando ativamente da criação da Comunidade Sul-americana de Nações e estendendo nossa presença em toda a América Latina e Caribe. No governo Lula as viagens presidenciais ganharam outra importância e deixaram de ser o turismo estatal praticado outrora. Por tudo isso, a política externa brasileira no governo Lula está longe de ser tímida, equivocada ou desagregadora. Responsável e abrangente, ela não se resume apenas aos tradicionais acordos bilaterais e comerciais, mas coloca-se também como protagonista das relações internacionais. Quanto a nossos vizinhos, o Brasil agora os enxerga como parceiros políticos, sociais e culturais, o que - ao contrário do que diz FHC - vem enriquecendo, e muito, o processo de integração regional. * Presidente nacional do PT e coordenador da campanha Lula Presidente 2006 |
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