Nayara Lessa
Visando demonstrar os efeitos da prática do mercado de produtos piratas no Estado do Acre, o Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Acre - IFEPAC, realizou uma pesquisa junto a 411 consumidores da cidade de Rio Branco, no período de 10 a 15 de julho de 2008. O objetivo é entender o perfil do consumidor de produtos piratas e avaliar o impacto do problema sobre a economia organizada. Como ponto mais alarmante, a pesquisa revelou que 78% dos entrevistados compraram produtos piratas no primeiro semestre desse ano.
A pesquisa também se aprofundou quanto ao perfil do consumidor de pirataria. Os homens são os que mais compram produtos piratas, 53% dos entrevistados. A faixa etária que mais contribui com esse tipo de comércio ilegal vai de 25 a 34 anos, cerca de 42% dos entrevistados.
Um dos fatos mais curiosos é que 32% dos consumidores de pirataria possuem o Ensino Médio Completo e que a renda familiar da maior parte dos compradores varia de R$ 501 a R$ 1.000. Um resultado preocupante, tendo em vista que mesmo as pessoas mais instruídas e estáveis economicamente não se importam com as mazelas sociais e econômicas que a pirataria pode proporcionar como o aumento da violência e o desemprego, além do financiamento para o crime organizado.
Entre os produtos pirateados, o campeão de vendas é o CD, com 44% do movimento do negócio, seguido pelo DVD, com 28%, óculos, com 6%, além de calçados, bolsas, tênis, roupas e perfumes. O Brasil é o quarto país que mais consome produtos pirateados, depois da China, Rússia e Paraguai (Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita). Os produtos falsificados chegam ao Brasil por diversas rotas, com destaque para os portos de Santos/SP e Paranaguá/PR, seguem para o Paraguai e depois voltam para o Brasil. Os produtos trazidos do Paraguai representam vendas superiores a 88% do mercado informal brasileiro (Revista do IBRAC). |