Val Sales
As áreas de floresta preservadas no meio da cidade de Rio Branco são uma mostra de que homem e natureza podem conviver em perfeita harmonia quando são priorizadas a consciência coletiva e a responsabilidade. O Horto Florestal é um desses locais. Ele está situado no bairro Vila Ivonete, a apenas quatro quilômetros do centro da capital, e abriga 17 hectares de floresta nativa e secundária.
Localizada às margens do igarapé São Francisco, a área exibe inúmeras espécies de árvores e plantas, mas também destaca uma estrutura que demonstra que o homem e a natureza integram o mesmo cenário e convivem de forma pacífica.
No Horto Florestal estão instalados uma escola de Educação Ambiental, um viveiro, trilhas ecológicas, a Secretaria Meio de Ambiente do município e espaços que permitem a prática de esporte, caminhada, piqueniques e outras atividades. O local é freqüentado diariamente por famílias inteiras, grupo de crianças, jovens e pessoas da terceira idade.
Todos são unânimes em ressaltar a tranqüilidade da área, a exemplo de um grupo de idosos que ontem aproveitava a sombra das árvores para um piquenique regado a bolo de milho e refresco. “Melhor que estar aqui seria acolher mais pessoas no nosso grupo e dividir essa tranqüilidade”, assegura a aposentada Cecília Timóteo de Freitas, 73, moradora do bairro Floresta.
No mesmo grupo de dona Cecília estavam também as aposentadas e donas de casa Diva Augusta Mota, 52, Vanilda Rocha, 68, Diamantina Rodrigues, 52, Maria Julia de Oliveira, 66, Eva Luiza do Nascimento, 65, e Maria Alves de Oliveira, 55, entre outras. A equipe de senhoras estava acompanhada de coordenadores e técnicos do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) da Regional Seis, que engloba os bairros Floresta, João Eduardo, Aeroporto Velho e Sobral.
“A gente troca os afazeres domésticos e outras preocupações para passar horas de descanso e descontração com os amigos. Aqui a paisagem propicia a boa conversa, o exercício físico e as aulas de alongamento”, lembra a dona de casa Diva Augusta. Ela aconselha ainda que outras pessoas façam o mesmo para driblar o estresse diário, atividade que, segundo a dona de casa, deveria ser incentivada pelos familiares mais jovens.
“A gente troca os afazeres domésticos e outras preocupações para passar horas de descanso e descontração com os amigos. Aqui a paisagem propicia a boa conversa, o exercício físico e as aulas de alongamento”
Troca de experiência entre gerações
Dois jovens profissionais acompanham o grupo de senhoras do CRAS da Regional Seis. O educador físico Ailton Eluan, 20, e o psicólogo,Fladson Lopes Santana, 25, coordenaram as atividades desenvolvidas ontem pela equipe da terceira idade e se envolveram nas brincadeiras. Juntos fizeram exercícios e alongamentos e pararam para o lanche.
“O Horto Florestal faz parte do nosso roteiro de passeios e é um dos locais preferidos desse grupo”, destaca o psicólogo Fladson. Já o educador físico Ailton Eluan disse que o ambiente da reserva, a sombra das árvores e a beleza das plantas criam uma atmosfera propícia para a descontração.
“O grupo participa de todas as atividades. O contato com a natureza e com as outras pessoas que passeiam nesse local cria uma integração na qual a quantidade de anos que se viveu não pesa no corpo e serve apenas para passar experiência”, explicou.
Espaço comunitário das empresas
O Horto Florestal também é utilizado pelas empresas para a realização de testes de aptidão física dos novos funcionários. Exemplo disso pôde ser visto ontem envolvendo um grupo de servidores de uma empresa de segurança da cidade.
O educador físico da firma, Gladson Roque, coordenava os movimentos dos rapazes e moças que se revezaram entre os aparelhos de musculação e corridas nas trilhas ecológicas. Para ele, trata-se de um espaço especial que abriga o esporte de massa, ao mesmo tempo em que promove o contato respeitoso do homem com a natureza.
“Nós em Rio Branco temos o privilégio de desfrutar uma área preservada dentro da cidade e que serve para todos os tipos de público, seja comunitário ou empresarial”, ressalta. De acordo com ele, o ambiente da reserva propicia o aprendizado dos alunos, em que o peso dos exercícios não diminui, mas é amenizado pela paisagem natural.
Ponto de encontro
As trilhas do Horto Florestal são percorridas diariamente por pessoas de várias partes da cidade, das diversas idades e camadas sociais. Muitas delas se conheceram e se tornaram amigas durante as caminhadas. A dona de casa Francisca Oliveira e a comerciante Ariane Fernandes dividem a mesma trilha enquanto conversam animadas sobre o cotidiano.
Para ambas, a caminhada na reserva é tida como um passeio descontraído, onde, além de trabalhar a boa forma, elas esquecem o estresse do dia-a-dia. “Aqui é um bom espaço para fazer novas amizades e a gente nunca fica sozinho nas trilhas, o que representa maior segurança”, enfatiza Ariane.
O aposentado George Barbosa também é árduo freqüentador das trilhas, as quais percorre três vezes na semana. Ele começou a caminhar em companhia de um neto até conhecer o amigo Alfredo Araújo, com quem divide o tempo e os exercícios. “As pessoas, principalmente da terceira idade, deveriam ser mais incentivadas a freqüentar ambientes como esses. Posso garantir que sua vida seria mais saudável”, garante Alfredo.
Sustentabilidade exige responsabilidade
A política de sustentabilidade defendida pelo governo acreano coloca o homem e a floresta como duas potências que podem e que precisam crescer e se desenvolver juntas. Uma parte oferece as riquezas e os meios de sobrevivência e a outra usufrui com respeito e responsabilidade.
Essa relação de harmonia vem crescendo no Acre como conseqüência de um nível maior de consciência sobre a importância da preservação da natureza e seus recursos. Além do Horto Florestal, no bairro Vila Ivonete, a população de Rio Branco conta ainda com outras duas reservas públicas, que recebem o mesmo carinho do cidadão.
O parque Chico Mendes, localizado na Vila Acre, e o Parque Capitão Ciríaco, próximo à cabeceira da Ponte Nova, abrigam parte de uma floresta nativa que lembra o interior dos seringais, ocupado pelos primeiros colonizadores do Estado. O primeiro abriga várias espécies de animais silvestres e o segundo lembra a forma artesanal como era confeccionada a borracha de seringa.
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