Vanessa França
Entre leilões de gado, rodeios, feiras e exposições, são realizados 3 000 eventos agropecuários de médio e grande porte por ano nos mais diversos rincões do Brasil. Esses eventos movimentam 5 bilhões de reais, alguns têm repercussão internacional e funcionam como vitrine para agricultores, pecuaristas e empresas ligadas ao agronegócio. Uns são direcionados aos produtores rurais, privilegiam demonstrações, visam à realização de negócios. Outros dão prioridade a shows e querem atrair o público em geral. Na essência, todos fazem diferença sobre a economia e a vida social das cidades onde são realizados.
As exportações do agronegócio em 2007 segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento totalizaram US$ 58,415 bilhões, um recorde histórico para o setor. Em relação a 2006, as exportações apresentaram um aumento de US$ 8,992 bilhões, o que significou uma taxa de crescimento de 18,2%.
No Acre, onde a pecuária também desponta, não poderia ser diferente. O diferencial é que os pastos onde se criam bois estão sendo melhor utilizados para produção agrícola. É possível se ter uma idéia desta mudança na Expoacre com a exposição e participação de produtores de farinha, amendoim e agricultura orgânica.
Duas cooperativas de amendoim participam do evento com exposição e venda de amendoim in natura, torrado e licores. São 78 familias beneficiadas nos municípios de Plácido de Castro, Mâncio Lima e Senador Guiomard com o projeto do Sebrae que ministrou capacitações e consultorias a este setor. “Muita gente vem aqui nos procurar e sempre sai com algum produto. Ta melhor que o ano passado, agente se organizou mais e estamos vendo o resultado” informou o produtor Evaldo Gomes.
Evaldo participa pela segunda vez da exposição. Ele deixou de ter agricultura de subsistência para ganhar dinheiro plantando e beneficiando o amendoim.
O projeto este ano ganha mais um impulso com a experiência de plantar três novas espécies de amendoim; o amendoim tatu vermelho, o tatu branco e o runner. A vantagem destas espécies é que eles podem alcançar quatro toneladas de grãos enquanto o utilizado atualmente alcança de uma a duas toneladas por hectare.
O setor de horticultura levou para a exposição a agricultura orgânica e a convencional. Foram plantados alfaces, tomates, pimentão e repolho para a apreciação dos visitantes. Segundo o consultor do Sebrae, Jordão Santos de Melo, a vantagem da agricultura orgânica é que não são usados produtos químicos e são reaproveitados materiais orgânicos, como a casca de café para adubo, que minimizam os custos do produtor. O projeto de horticultura começou este ano e abrange 70 familias nos municípios de Rio Branco e Bujari.
Outro espaço bastante visitado é o do Projeto Grupo de Produtores de Farinha de Mandioca do Baixo Acre e Purus que está em execução desde 2006, beneficiando no total 81 produtores envolvidos na produção de mandioca (raiz), farinha e derivados. Foram construídas seis casas de farinha modernizadas, cinco localizadas em áreas ribeirinhas e uma em um Pólo Agroflorestal. Além da importância econômica para essas comunidades, existe também a importância social, o Sebrae e seus parceiros através desse projeto busca resgatar a força econômica e social dessa região. Na Expoacre foi reproduzida uma Casa de Farinha que mostra o processo de produção, o produto final; a farinha torrada e o beneficiado; a tapioca.
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