ESPECIAL
   ENTREVISTA

O Acre visto pela janela de um caminhão

Programa Siga Bem Caminhoneiro, do SBT, exibe avanços na área de transportes, na economia e no conceito de Florestania

Sérgio Valle
Murilo Carvalho entrevista o
governador Jorge Viana para o
programa a ser exibido pelo SBT


Tião Maia

Começa a ser veiculado em rede nacional pelo SBT (Sistema Brasileiro de Televisão - TV Rio Branco), canal 8, a partir do próximo domingo, às 7h15min (horário local), uma série de pelo menos quatro reportagens do programa “Siga Bem Caminhoneiro” em que o Acre, suas histórias, sua economia e seus conceitos de desenvolvimento sustentável estarão sendo focalizados por pessoas que conhecem profundamente o Brasil: os próprios caminhoneiros.

O programa “Siga Bem Caminhoneiro” foi criado em 1994 pela Petrobras Distribuidora, em parceria com empresas privadas da área de comunicação, para estimular a racionalização no uso de combustíveis e reduzir a emissão de poluentes. Para isso, alguns serviços foram colocados à disposição dos consumidores: em cada posto rede Siga Bem o caminhoneiro encontra um Centro de Revisão Técnica, onde é feita limpeza dos bicos, da bomba injetora e do tanque de combustível.

Dos postos de gasolina, o programa foi ampliado para o rádio e para a TV. Além da divulgação dos serviços Petrobras, consumidores, usuários e telespectadores começaram a participar de uma verdadeira aventura: o Siga Bem Caminhoneiro no SBT conquistou o país. Em mais de uma década no ar, o programa já registra mais de 1 milhão de quilômetros rodados - com as equipes viajando, sempre de caminhão, por todo o Brasil e outros países da América do Sul, Estados Unidos e Europa. O Siga Bem Caminhoneiro é o único programa da televisão brasileira destinado a caminhoneiros e uma de suas equipes, sob o comando do diretor da iniciativa, o jornalista Murilo Carvalho, passou pelo menos um mês registrando suas impressões sobre o Acre, numa autêntica aventura. Os jornalistas-caminhoneiros, com o apoio de um jeep Land Rover, armados de câmeras nas mãos e muitas idéias na cabeça, percorreram o Acre de Assis Brasil a Cruzeiro do Sul e ontem chegaram à capital impressionados com o que viram.

Numa entrevista com o governador Jorge Viana, em Rio Branco, queriam saber como o Acre está conseguindo a proeza de realizar uma autêntica revolução em diversas áreas, principalmente no setor de transporte. Antes da entrevista com o governador, o diretor do programa, Murilo Carvalho, falou sobre a viagem em terras acreanas.

Como surgiu a idéia de fazer um programa destinado aos caminhoneiros do Brasil?

Murilo Carvalho – Há alguns anos, há mais de uma década, nós atendíamos a Petrobras fazendo uma série de documentários e trabalhos temporários na área jornalística. Houve uma ocasião em que a Petrobras lançou um projeto novo de postos diferenciados oferecendo uma série de serviços aos caminhoneiros, como melhor conforto e programas de cidadania. Foi aí que nós sentimos que era necessário no Brasil um projeto de televisão que pudesse explicar isso ao caminhoneiro e ao mesmo tempo resgatar um pouco da dignidade desse profissional, que quase sempre é um sujeito discriminado socialmente. Humilhado pelo fato de ele não ter organização política e praticamente por não ter também paradeiro nenhum, é um grupo muito desamparado dentro do sistema de trabalho do Brasil. A idéia era atender isso. Mostrar ao caminhoneiro que ele é importante como profissional.

Ao que tudo indica, deu certo, não é?

MC – Deu certo. Nós já estamos no ar há 12 anos, com uma audiência bastante alta e com uma ligação muito forte com o caminhoneiro. O que nós procuramos fazer, a partir do olhar do caminhoneiro, é lançar um olhar sobre o Brasil. É o que estamos procurando fazer aqui no Acre, por exemplo. Temos várias equipes que estão permanentemente percorrendo o país, fazendo reportagens em que o caminhoneiro é o centro das atenções. Mas, apesar de o caminhoneiro vir a ser o centro, nós procuramos mostrar um retrato do Brasil pela janela do caminhão.

E no Acre, o que vocês viram a partir dessa janela?

MC – No Acre, nós procuramos conhecer os dois grandes eixos rodoviários que estão se formando no Estado, com a Transoceânica, a rodovia que vai para o Pacífico até o Peru, e a BR-364, no norte do Estado, que liga o Vale do Juruá ao Vale do Acre. A nosso ver são dois eixos fundamentais para o transporte do país. A gente veio conhecer e mostrar para o Brasil o que está acontecendo aqui, como caminhoneiro. Nós vamos mostrar o caminhoneiro que transporta borracha no Seringal Cachoeira, em Xapuri, e também fomos ao projeto Cazumbá para, a partir daí, contarmos um pouco da história do Chico Mendes, que era um trabalhador como os outros, como o caminhoneiro. Fomos ver também a construção da estrada que vai até Cruzeiro do Sul, uma obra muito difícil, realizada com uma determinação impressionante desse governo porque a gente constata que é uma região sem pedra, com muitas dificuldades no transporte de insumos.

Qual é a impressão que vocês levam deste Acre que está em construção?

MC – O Acre nos impressionou desde muito tempo, por duas razões. A primeira vez, quando estivemos aqui há seis anos, pelo seu estado de pobreza, pela falta de produção. Os caminhoneiros reclamavam que traziam produtos para cá e saíam vazios, com o caminhão batendo, porque não tinham o que transportar de volta. Era muito triste. Hoje nos impressiona porque está diferente, porque sua economia está aquecida. A gente nota a diferença já na entrada da cidade. Rio Branco está uma cidade limpa, com ruas sendo abertas, com gente trabalhando, com a economia se movimentando. Mas hoje o Acre impressiona, sobretudo, por este conceito de que o cidadão é acreano, um sentimento que é raro no Brasil. O gaúcho se identifica como tal, o carioca, o baiano e o mineiro, mas, no resto do país, especialmente nos demais Estados amazônicos, a gente não sente isso como sentimos no Acre, com essa identidade forte. Outra coisa impressionante é essa idéia de que a floresta é a base da economia e criar todo um pensamento em torno disso é algo muito interessante porque, mesmo aqueles caminhoneiros que puxam madeira com os quais a gente conversou, dizem com um certo orgulho que é importante esse desenvolvimento sustentável em que a floresta é a base do desenvolvimento do Estado. O Acre é de fato muito impressionante e tudo o que a gente viu vai estar na TV, no domingo que vem.

 

 
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Rio Branco-AC, 1 de setembro de 2005
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