COTIDIANO

Força-tarefa ambiental no Riozinho

Município e Estado treinam brigadas de incêndio e promovem limpeza em mananciais

Cedida
Brigada fez limpeza no rio e seus afluentes para garantir a trafegabilidade nesse período de estiagem


Resley Saab

Uma expedição de técnicos das secretarias municipais de Meio Ambiente e de Agricultura, do Corpo de Bombeiros e do Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco partiu, na semana passada, para a Bacia Hidrográfica do Riozinho do Rola, numa das maiores incursões de que se tem notícia àquela região.

A missão à maior faixa de floresta intacta do município tem como objetivo formar as brigadas rurais de prevenção a incêndios entre os agricultores, iniciar o processo de estudos do zoneamento, executar a limpeza do Riozinho e de seus afluentes para o livre tráfego de embarcações, além de promover um levantamento dos recursos naturais e retransmitir aos seus moradores a recomendação que proíbe a queima em roçados por 75 dias, editada pelo Ministério Público Estadual.

Hoje há um interesse muito maior da parte das instituições ambientais de que a bacia, a maior mancha de floresta contínua de Rio Branco, seja mantida preservada, “mas com garantias de escoamento da produção às 1.300 famílias de ribeirinhos, extrativistas e pequenos agricultores que ali residem”, afirma Paulo Sérgio Brama Muniz, diretor de Gestão e Controle Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Embarcada em picapes toyotas traçadas, a equipe optou por entrar na bacia, usando a fronteira com o município de Xapuri, dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, distante 170 quilômetros de Rio Branco. Desse modo, foi encurtada de dez horas para uma hora e trinta minutos a etapa que seria feita a pé, até a colocação Boca do Espalha, ex-seringal localizado às margens de um dos tributários do Riozinho.

Em toda a região serão desobstruídos 240 quilômetros de rios e igarapés, a um custo para a prefeitura de R$ 70 mil. Cerca de 60 quilômetros já foram limpos pelas frentes compostas pelos próprios ribeirinhos e sob a orientação da Secretaria Municipal de Agricultura, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. A meta é que até o final de outubro todos os mananciais estejam limpos.

A limpeza garantirá que a produção agrícola, sustentada, basicamente em três culturas, a farinha, o milho e o arroz, seja repassada sem dificuldade ao mercado consumidor de Rio Branco, já que o acesso por terra ainda é difícil. Os trechos que já foram limpos vão desde a colocação Maloca Branca, Seringal Novo Destino, Cajazeiras, Barro Alto e Água Preta até o Igarapé Espalha, a colocação Deserto e Babilônia.

“Na parte ambiental, 90 produtores rurais foram treinados para atuarem no controle de queimadas, nas colocações São José, Descanso e Boca do Espalha, no Seringal Belo Horizonte, enquanto que outros 60 estão sendo preparados em regiões como as colocações Macapá e Vai-se-Ver”, informa o biólogo Henrique Anastácio, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Todos receberam kits antiincêndio, que incluem abafadores, bombas costais, óculos e máscaras. A Secretaria Municipal de Saúde também doou kits de primeiros-socorros.

A Bacia do Riozinho é considerada hoje o principal manancial de águas superficiais de Rio Branco. Por isso, a execução de políticas públicas que visem à sua proteção, o seu uso sustentável e a gestão territorial será importante para a população rio-branquense.

Barco já afundou com farinha

A dificuldade de navegar pelo Riozinho do Rola, por conta dos muitos galhos e troncos de árvores no seu leito já foi no passado motivo de muita preocupação aos produtores. O maior receio entre os ribeirinhos era a possibilidade de naufrágios. Os tocos entranhados na calha do rio já afundaram, por exemplo, a embarcação do produtor rural Aldo Chicó, que na ocasião transportava cerca de 200 quilos de farinha para ser vendida no Mercado Municipal Elias Mansour.

“Perdi dinheiro e tive prejuízo também com o meu único meio de chegar à cidade mais rápido”, relembra. Por isso mesmo, ele acha importante o trabalho que vem sendo feito na área. “Aqui estamos muito protegidos da devastação que acontece por toda parte, mas queremos também facilidade para vender o que plantamos e o rio é a nossa estrada.”

 

 
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Rio Branco-AC, 1 de setembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Da Redação
 
 
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