COTIDIANO

Chegou a hora da Amazônia

Cientistas dão soluções para salvar região do atraso e da destruição

 


Romerito Aquino

Fazer aliança entre a ciência e a tecnologia. Combinar a conservação e o uso sustentável de 83% dos ecossistemas naturais com o uso intensivo e inteligente dos 17% de áreas já alteradas. Quantificar o valor da floresta e efetivar uma mudança básica da economia. Construir um sistema de pesquisa e desenvolvimento para fomentar cadeias produtivas baseadas na biodiversidade regional.

Fortalecer mecanismos de mercado para a pecuária, o manejo florestal e a produção de grãos, que incentivam o cumprimento da legislação ambiental. Criar programa ambicioso de regularização fundiária e de uso intensivo das áreas já alteradas, estabelecendo um clima estável que favoreça investimentos de longo prazo. Criar programa intensivo, massivo, de investimento em tecnologia e capacitação de recursos humanos para a sustentabilidade. Adoção de políticas públicas eficazes de crédito, fundiária, assistência técnica, licenciamento ambiental e ciência e tecnologia.

Pobreza no Maranhão

Essas são algumas das alternativas apresentadas por cientistas brasileiros para desenvolver a Amazônia de forma sustentável, gerando renda e empregos para a sua população e excedentes de riquezas para o país de uma maneira geral. São alternativas que, somadas, podem transformar a região da maior floresta tropical do planeta no grande diferencial que o Brasil pode mostrar ao mundo.

Cada vez mais focada internacionalmente como alternativa para minimizar os problemas ambientais do planeta, a Amazônia requer, de fato, diversas soluções por sua grande extensão e diversidade biológica, social e cultural. Afinal, trata-se de uma região que corresponde a mais de 60% do território brasileiro, que vem correndo sérios riscos de ser devastada nas próximas décadas por males como desmatamentos, queimadas, grilagens de terra, biopirataria e tráfico de animais e de drogas. Irregularidades que se somam à situação de pobreza e de miséria de grande parte de sua população, que apresentam os mais baixos índices de desenvolvimento humano e os maiores recordes em trabalho escravo.

Vastidão da planície amazônica

Diante de tão grande desafio e dos problemas que se acumulam ano a ano nas mesmas dimensões de seu gigantismo, pode-se perfeitamente dizer que a Amazônia chegou ao limiar de seu tempo. No tempo de agir para que ela não seja transformada, para as gerações futuras, no mesmo tipo de legado que a atual recebeu da outrora frondosa e rica Mata Atlântica.

Foi pensando em contribuir para o debate sobre as soluções urgentes que possam tirar a região do atraso em que se encontra, preservando a sua rica floresta, que a Kaxiana republica as opiniões de 14 cientistas brasileiros, com profundos conhecimentos da região, que foram divulgadas pela revista Veja em sua edição de outubro do ano passado. São opiniões absolutamente atualizadas tal a continuidade dos problemas que perseguem a região e dos desafios que ela representa.

Entre as opiniões dos cientistas, Veja destacou o combate à pobreza como uma das ações mais urgentes para a Amazônia. Afinal, estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) revelam, por exemplo, que existe um quadro de miséria tão extrema quanto a exposta em meio à paisagem ressequida do Nordeste brasileiro. Os pesquisadores do INPA encontraram um índice de 70% de nanismo, 37,5% de anemia e 50% de avitaminose entre as crianças analisadas. Na área urbana, onde vivem sete em cada dez pessoas da região, foi identificado um índice de 72,2% de desnutrição.

Queimadas destroem a biodiversidade

Pontos comuns entre os cientistas
Entre os pontos comuns dos diagnósticos desenhados pelos cientistas, podem ser destacados os seguintes:

• A comunidade científica ainda não conhece suficientemente os impactos das culturas intensivas sobre o ecossistema. Isso se torna urgente com a crescente demanda mundial por alimentos, que coloca a Amazônia no centro dos debates da expansão agropecuária.

• Na Amazônia, estão registrados os maiores índices de crescimento populacional do país. A principal causa dessa explosão demográfica é a migração de miseráveis de outras regiões do país, principalmente do Nordeste em busca de terra e trabalho.

• É impossível impedir a expansão da ocupação humana e a fronteira econômica na região. O Estado brasileiro precisa definir regras claras de uso da Amazônia e garantir a segurança e o cumprimento da lei na região.

• É preciso atribuir um valor econômico para a preservação. As pessoas precisam ter lucro real com a floresta para mantê-la de pé.

• Falta investimento em pesquisa e tecnologia na Amazônia. A região tem o menor índice per capita de doutores do país e os volumes de investimentos mais baixos se comparados com as demais regiões do Brasil.

• Esquecer a xenofobia e aceitar que a solução para os problemas amazônicos não depende apenas dos brasileiros. Se os benefícios da Amazônia são globais, o mundo deve ajudar a pagar a conta da preservação.

 

 
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