| OPINIÃO | ||
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Marcos Inácio Fernandes * |
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| A hora da onça beber água Na linguagem e comunicação do povo, essa expressão do título significa momento de tomada de decisão, de “pegar o touro a unha” de resolver a parada. Para nós do PT, ela tem um significado histórico especial, pois está relacionada com um dos nossos mártires e com a maior das nossas lideranças políticas, o Presidente Lula. Tudo aconteceu em julho de 1980, quando os “senhores da terra” no Acre assassinaram Wilson Pinheiro dentro do Sindicato de Brasiléia. Na minha tese sobre o PT do Acre fiz o relato sobre aqueles dias dramáticos: “O enterro de Wilson Pinheiro aconteceu 48 horas após o seu assassinato e se transformou numa cerimônia político-religiosa. Numa conversa com João Maia em 1994, ele havia me confidenciado que mandou embalsamar o corpo de Wilsão sem ter “um centavo” e com o corpo embalsamado ele teve tempo para mobilizar a seringueirada para o enterro, que se transformou num ato de protesto”. Com efeito, “em 27 de julho de 1990, ocorreu o ato público em Brasiléia, promovido pela CONTAG, em protesto ao assassinato de Wilsão e se fizeram presentes Lula e Jacó Bittar, do PT; José Francisco, presidente da CONTAG; João Maia, delegado da CONTAG no Acre; Chico Mendes, presidente do STR de Xapuri, além de outras lideranças sindicais do Estado. “Os discursos foram inflamados e muitos clamavam por vingança”. É nesse clima que Lula faz o seu discurso e diz que: TINHA CHEGADO A HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA” (...) No dia seguinte os seringueiros procederam a retaliação assassinando Nilo Sérgio, um dos suspeitos de tramar a morte de Wilson Pinheiro. Lula, Jacó Bittar, José Francisco, João Maia e Chico Mendes são indiciados na Lei de Segurança Nacional, acusados de “incitar a luta de classes por meio de violência”; (...) 13 seringueiros foram presos, acusados da chacina contra o fazendeiro. Nenhum era liderança. (...) Passaram 4 meses na penitenciária de Rio Branco, sendo libertos, pois a polícia não conseguiu juntar provas contra eles. As outras lideranças, Lula entre elas, só foram absolvidos muitos anos depois, quando no Governo Sarney, se varreu o “entulho autoritário” da ditadura militar. É desde esse tempo a relação de Lula com o Acre e o seu povo. Uma relação forjada na solidariedade de classe, da classe trabalhadora. E a luta de classes, no Acre e no Brasil, continua cantando, ora mais violenta (como nos anos 70/80) ora mais branda. Mais de luta e resistência, o povo do Acre entende, pois o “astro”, a estrela vermelha, da nossa bandeira foi tinto no sangue de heróis. Como diz o nosso hino – “POSSUIMOS UM BEM CONQUISTADO, NOBREMENTE, DE ARMAS NAS MÃOS ...” O Acre, no dizer dos autonomistas, “é o amor ao Brasil, que se tomou expressão jurídica”. Eu digo que o PT é o amor ao Acre que se tomou expressão política. Lula, a maior estrela do PT, hoje Presidente da República, tem demonstrado, desde aqueles longínquos dias dos anos 80, seu amor, carinho e solidariedade para com o Acre. Nunca, um Presidente, ajudou tanto o Acre e o fez porque conhece o nosso Estado, a nossa história e a nossa gente. Em 1980, foi a luta contra os “paulistas”, hoje é a luta contra “O PAULISTA” (Alckmin). Se depender do povo acreano, venceremos novamente. A onça já está em cima do barreiro. No dia 1º de outubro ela desce para beber água e decidir a parada. Igualmente ao felino, o povo brasileiro também vai expressar sua gratidão e matar a sua sêde de justiça, reconduzindo Lula à Presidência. Aqui no Estado, o nosso povo já sabe de cor e salteado, uma rima de infância que o “Acre é de maroca – NÃO SE DÁ, NÃO SE VENDE E NÃO SE TROCA”. * Sociólogo, militante do PT |
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