| OPINIÃO | ||
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Irailton Lima * |
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Ontem, sábado, ao transitar por uma esquina da região do Bosque, deparei-me com um jovenzinho, algo em torno dos 12 anos de idade, que vendia doce caseiro, em pequenos potes, a um real a unidade. Vi alegria em seus olhos quando adquiri algumas unidades. Olhei para aquele pequeno empreendedor e pensei na eleição de hoje. Aquele garotinho humilde não fazia idéia do quanto alguns estão lutando, na arena da política, para impedir que os de baixo, como ele, tenham oportunidade na vida. O ambiente criado em torno desta eleição, principalmente a disputa para a presidência da república, somente se assemelhe ao que ocorreu em 1989, na eleição de Collor de Melo. Como naquela ocasião, neste momento formou-se uma poderosa coalizão envolvendo os partidos da oposição conservadora, os veículos da grande mídia e diversos segmentos privilegiados da sociedade nacional - as elites econômica, social e política - destinada a impedir a eleição de Lula a qualquer custo. Usam de todos os expedientes possíveis. Há muito não se via tão vergonhosa operação de desmonte de uma liderança política como esta. A pergunta que fica é: por quê? Afinal, os interesses dessa gente foram combatidos pelo Governo Lula? Esse foi um governo que atacou os privilégios das elites? A resposta para estas perguntas todos nós sabemos: não e não. Nos últimos três anos, banqueiros e grandes empresários continuaram ganhando muito dinheiro, como sempre. A oposição raivosa que esse pessoal faz ao Presidente Lula aparece travestida de indignação com atos de corrupção no executivo federal. Alguém, em sã consciência, acredita nisso? FHC, que no seu governo não deixou CPIs nem Ministério Pública investigar as centenas de denuncias de corrupção, está mesmo indignado? O PFL? O Alckmin, que se especializou em enterrar CPIs em São Paulo? A mídia, que fez vistas grossas às inúmeras evidencias de desvio de dinheiro público nos governos do PSDB? Na verdade, toda essa indignação é puro jogo de cena, tem objetivos meramente eleitorais. Esse pessoal sabe que a corrupção não aumentou com Lula. Pelo contrário, ela foi combatida como há muito não acontecia. As centenas de operações de desmonte de esquemas de fraudes e desvio de recursos não se comparam com nada já feito neste país, em termos de combate à corrupção. Agora, isso, evidentemente, cria a sensação que o problema aumentou, porque o assunto permanece na agenda dos tais “formadores de opinião” e nas rodadas de conversas entre as pessoas. O presidente Lula tem dito isto insistentemente. Mas, aos tais “formadores de opinião” não interessa. O que importa é atacar Lula e seu partido. A questão permanece: se não é por conta da corrupção, nem por ataques aos privilégios da elite, então, por que tanta virulência, tanto ódio a Lula e ao PT? A resposta é uma só: por preconceito, porque eles não aceitam Lula como Presidente do Brasil. Como presidente, Lula realizou um dos maiores feitos da história deste país: em seu governo aconteceu a maior redução do nível de pobreza da população brasileira. Em três anos, de 2002 a 2005, a pobreza diminuiu 19%. Para isso, seu governo elevou o salário mínimo muito acima da inflação, investiu forte na geração de empregos (mais de 7 milhões de novos postos de trabalho gerados) e, principalmente, desenvolveu o maior programa social do mundo, o Bolsa-Família. Por ano, o atual Governo Federal investe 23 bilhões de reais em programas para pobres. Ora, a elite deste país, tão acostumada a ter o governo apenas para si, não aceita isto. É demais para ela ter que conviver com um presidente pobre e com cara de povo, e que, ainda por cima, direciona grande parte do orçamento público para atender a ralé. Afinal (quem não lembra?), até a pouco tempo as prioridades do Governo Federal eram salvar banqueiro falido e repassar para os barões do empresariado nacional o patrimônio público a preço de banana, com o escandaloso processo de privatização das estatais. Como se pode ver, a distância entre Lula e o PSDB do Alckmin (e da elite brasileira) é equivalente à distância entre o Bolsa-Família (programa dinheiro para pobre) e o PROER (programa de salvamento dos banqueiros). O que está em jogo nesta eleição, portanto, é se o governo vai voltar para as mãos dos que a vida toda se beneficiaram do orçamento público, ou se permanecerá com Lula e a maioria do povo. Ao pensar nestas coisas, olhando para aquela criança vendendo doce de banana na esquina, não resisti... * Diretor-presidente do Instituto Dom Moacyr, do governo do Estado |
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