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POLÍTICA

Acre vai continuar seguindo em frente

Governador diz que confia na vitória de Binho Marques no primeiro turno e que será uma honra passar a faixa para seu vice


Foto mostra Jorge Viana na primeira campanha ao governo

Leonildo Rosas

Como faz há vários anos, antes de votar hoje na sessão número sete na Assembléia Legislativa, Jorge Viana vai à missa no mosteiro localizado na Estrada do Calafate. Irá acompanhado dos pais, Wildy e Silvia Viana. Nas suas orações, o governador certamente fará um pedido: que o povo eleja como seu sucessor o vice-governador, Binho Marques, e reeleja seu irmão Tião Viana senador com o maior percentual de votos do Brasil. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também estará nas suas preces.

Viana sabe que a partir de hoje começa um novo ciclo na história política do Acre e que também se inicia a contagem regressiva para que passe a faixa governamental ao seu sucessor no dia 1º de janeiro de 2007.

Com a experiência de quem disputa eleições desde 1990, concorrendo ou não, Jorge Viana afirma que tem certeza da vitória dos seus correligionários e que será um prazer passar a faixa para Binho Marques.

“Sempre tive medo de o Acre cair em mãos erradas. Mas estou tranqüilo. Tenho certeza de que a eleição será decidida no primeiro turno e que o Binho vai continuar cuidando muito bem do nosso Estado”, afirma.

Além da vitória de Binho Marques, Tião Viana e Lula, o governador acredita que a Frente Popular, coligação que lhe dá sustentação, surpreenderá elegendo uma forte bancada de deputados federais e estaduais.

“Digo isso porque nossos candidatos foram heróis que sempre trabalharam com o melhor instrumento na política: a verdade”, diz.

Mas, para garantir a vitória dos correligionários, Jorge Viana e demais lideranças da Frente Popular não confiaram apenas no poderes divinos. Fizeram sua parte aqui na terra com muito trabalho e uma ampla aliança partidária.

É confiante nesse trabalho e na forças dos aliados que leva Jorge Viana a declarar: “O Acre vai continuar seguindo em frente. Não dá para voltar a andar para trás”.

A confiança do governador é reforçada pelas pesquisas que lhe dão 80% de aprovação e confirmam a vitória de Binho Marques no primeiro turno. Segundo ele, essas pesquisas valem para todo o Brasil e não seriam diferentes no Acre. “O Binho é o maior fenômeno dessas eleições. O Tião será um fenômeno para o Brasil, obtendo uma votação histórica.”

Faltando três meses para deixar o cargo, Viana já adota um tom de despedida. Ele avalia que a eleição de hoje é mais importante do que a posse, porque se encerra um ciclo da sua vida e começa a transição depois de oito anos à frente do Executivo estadual.

“Estou feliz por ter tido o privilégio de ser governador o Acre por dois mandatos consecutivos. Estou convencido de que agi certo em permanecer no cargo até o fim do mandato porque está sendo possível realizar muitas coisas”, diz.

Afirmando que esse é o momento de agradecer o povo do Acre, Viana declara que suas esperanças estão renovadas com a possibilidade de Binho, Tião e Lula vencerem as eleições.

Essa esperança é reforçada, segundo ele, porque foi possível resgatar a auto-estima da população, dando um tratamento igual para os moradores de Rio Branco e demais municípios acreanos. “As obras que a gente fez na capital fez no interior. Entre elas, merecem destaque as realizadas na Educação”, destaca.

Quando fala da educação, o governador não mede elogios a Binho Marques. Segundo ele, o vice-governador foi o grande responsável pelos avanços alcançados, como o de levar ensino médio e curso superior a todos os municípios acreanos.

“O povo está dando a demonstração de que tem um bom gestor governando nosso Estado. O Binho é o melhor de que dispomos”, salienta.

Sobre o sucesso obtido na sua gestão, o governador enfatiza: “Tudo isso é fruto da maturidade dos nossos políticos e do povo. Esse Estado que está dando certo não pode recuar. Conseguimos resgatar o respeito do Acre e trazer de volta o sentimento de orgulho para o peito dos acreanos”.

Obsessão pelo Acre - Quando concorreu ao governo pela primeira vez, em 1990, Jorge Viana tinha 29 anos. Era chamado, junto com outros petistas, de “Meninos do PT”. Naquele ano, com uma campanha criativa e sempre dizendo que o Acre tinha jeito, conseguiu chegar pela primeira vez ao segundo turno, sendo derrotado por Edmundo Pinto (PDS).

Antes de lançar Jorge Viana ao governo, o PT sempre teve desempenho pífio nas eleições majoritárias. O partido tinha o foco errado. Lançava candidatos ao governo e ao Senado apenas com o intuito de eleger deputados. Não conseguia muita coisa.

Jorge Viana trouxe uma concepção diferente. Defendia que somente priorizando o majoritário é que o partido poderia crescer. Ele estava certo.

Para as eleições daquele ano, o PT passou a fazer parte de uma coligação chamada Frente Popular do Acre. Foi a manutenção dessa aliança que garantiu sua eleição a prefeito em 1992 e a governador em 1998 e 2002.

Viana não se tornou um político conhecido, respeitado e amado pela população à toa. Ele pôs sua vida para governar e modificar o Estado. Antes de ser eleito governador a primeira vez, fez caravanas por todos os municípios. Andou nos rios, igarapés, ramais, estradas e aldeias. Era um obcecado. É por isso que diz: “Sou o acreano que mais conhece o Acre”.

É no interior do Estado, segundo ele, que ganha energia para continuar trabalhando. Trabalho que continuará fazendo nos três meses que ainda lhe restam de mandato.

“Ainda há muita coisa a fazer e obras para inaugurar. Sem contar que trabalharemos na transição do Binho.”

Adversários - Jorge Viana declarou que também irá orar para os seus adversários. Pedirá que tenham humildade para aprender com os erros e que passem, segundo ele, a fazer política com a verdade e com propostas.

O governador ressalta que os adversários da Frente Popular não tiveram capacidade de enxergar que o Acre melhorou significativamente nos últimos anos.

Na sua avaliação, os opositores fizeram a opção “pela mentira, arrogância e prepotência”. “Tomara que eles tirem lição da derrota. Apesar de achar isso difícil”, destaca.

Viana diz que é uma pena que políticos da oposição tenham começado e terminado a campanha apostando na mentira. Segundo ele, essa é uma forma de agir que não dá mais certo no Acre porque “a população tem o discernimento para separar o joio do trigo”.

“É uma forma de fazer política que não colabora em nada com a democracia. Eu lamento, sinceramente, quem age dessa forma.”

É lamentando que Viana aproveita para criticar novamente seus adversários, que tentam pôr em suspeição o trabalho desenvolvido pela Justiça Eleitoral. “Amanhã [hoje] concluiremos uma das eleições mais tranqüilas e honestas da nossa história.”

 
 
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Rio Branco-AC, 1 de outubro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A