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FRASE

“Fiz da opção de ser o acreano a melhor e mais
conhecer o Acre uma obsessão.”

Jorge Viana


Acre, um espaço geográfico

Leonildo Rosas

Ao sair de casa para votar hoje, não dá para esquecer o que o Acre significava para o restante do país e para o mundo até 1998. É duro admitir, mas éramos considerados apenas um problemático e obscuro espaço geográfico incrustado na selva amazônica. Para fundamentar essa afirmação não precisa ir muito longe. Basta dar uma rápida olhada no retrovisor da história.

Os acreanos viviam num Estado de Direito fictício. Nenhuma instituição cumpria suas obrigações constitucionais. A baderna e o desmando eram institucionalizados.

Os desmandos cometidos pelo Executivo eram ratificados pelo Legislativo e contemporizados por um Judiciário omisso, que quase sempre fazia questão de se manter cego para não ver o que estava acontecendo.

Era lamentável, mas o Ministério Público não exercia o seu papel de apurar irregularidades e oferecer denúncias contra os criminosos, com e sem colarinho branco. O poder paralelo dos grupos de extermínio tinha seus tentáculos incrustados dentro do órgão.

Tantos anos de desgoverno permitiram que o Estado se transformasse numa terra de ninguém, onde o poder da força sempre prevalecia. Esse poder estava instalado dentro dos aparatos de segurança pública.

O povo temia a polícia. E tinha que temer mesmo: era nela que estavam os pistoleiros e matadores profissionais a serviço do crime organizado.

Essa situação levou a população ao medo, à desesperança e à baixa auto-estima de ser acreano. Os símbolos do Estado, como a bandeira e o hino tinham sido esquecidos. Foram jogados na lama. O povo que lutou para ser brasileiro sentia vergonha de ser acreano.

Essa vergonha não era infundada. Quase toda semana a imprensa nacional fazia questão de divulgar atos desabonadores contra os homens públicos do Acre. As notícias não eram mentirosas. Eram produzidas por políticos eleitos para nos representar.

Mas, nas eleições de 1998, a população acreana teve coragem de mudar. Fez uma aposta em outro grupo político composto por jovens idealistas. E elegeu o engenheiro florestal Jorge Viana governador.

Jorge Viana não era um desconhecido. Já tinha sido prefeito de Rio Branco, no período de 1993 a 1996. Mesmo tendo sido muito bem avaliado, não conseguiu eleger o então vereador Marcos Afonso seu sucessor. A vitória sorriu para o peemedebista Mauri Sérgio.

A derrota na disputa municipal não desanimou Jorge Viana e os demais membros do seu grupo político. Serviu como combustível. Fora do Executivo, ele não parou. Tratou de estudar e se preparar para governar o Acre.

Durante esse tempo, Jorge Viana conheceu o Estado de ponta a ponta, viajando a pé, de avião, de carro, de barco e montado em lombo de cavalo. Percorreu rios, igarapés, estradas, ramais e visitou aldeias indígenas. Tinha a obsessão de ser o acreano a conhecer mais e melhor o Acre. Conseguiu.

Em todas as localidades visitadas, Jorge Viana fez questão de parar e conversar com as pessoas. Foram essas andanças e essas conversas que permitiriam a ele compreender e mergulhar na alma dos acreanos.

Essa leitura da alma acreana Jorge Viana trouxe para o seu governo. Com um patrimônio desses, sabia que não podia ser igual aos governadores que o antecederam. Tinha o dever de ser melhor. E foi. É tanto que está no último ano do seu mandato e conta com a aprovação de mais de 80% da população.

Como governador, Viana tratou o Acre com carinho. Fez várias obras físicas importantes, mas a melhor de todas foi a que resgatou a auto-estima da população.

O povo que sempre se orgulhou de ter lutado para ser brasileiro voltou a ter orgulho de ser acreano. Hoje, a população de Marechal Thaumaturgo a Assis Brasil sabe que o Estado tem comando, tem rumo e tem futuro. Basta que continue no trilho certo.

Mas está chegando o fim do ciclo de Jorge Viana como governador. O Acre vai hoje às urnas escolher seu sucessor. Mais de quatrocentas mil pessoas irão dizer se aprovam ou não o que foi executado durante a sua administração. Essa é uma responsabilidade muito grande.

Durante o período de campanha ficou claro que há dois grupos políticos que têm concepção de desenvolvimento diametralmente opostas. De um lado, está o petista Binho Marques, que assume o compromisso de continuar o trabalho realizado por Jorge Viana. De um outro está Marcio Bittar, um candidato cheio de promessas, que enxerga no desastroso e corrupto modelo de Rondônia a salvação para o Acre.

Ocorre que o Acre não precisa de salvadores da pátria. O Estado não está à beira do abismo. Muito pelo contrário. Desse precipício ele foi retirado há oito anos. O que ele necessita é de alguém com capacidade e discernimento para continuar avançando. De um gestor que tenha carinho e orgulho de ser acreano.

Afinal, todos os acreanos sabem que não moram apenas num espaço geográfico. Saímos das páginas policiais para as de opiniões favoráveis. Nossa história de luta para sermos brasileiros será contada para o resto do país a partir de janeiro do próximo ano. É por isso que o Acre não se troca.

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— Narciso e Célia Mendes aparecem no jornal do casal como as estrelas das eleições 2006. Eles aparecem com o nariz de palhaço. Faltou apenas o picadeiro para se apresentarem.

— Apesar de a Justiça Eleitoral estar atenta aos crimes eleitorais, a impressão que se tem é de que será muito grande o derrame de dinheiro. O curioso é que não são apenas os candidatos que estão oferecendo. São os eleitores que estão cobrando. Tem cabo eleitoral que recebeu de vários candidatos.

— A mãe do vereador Márcio Batista (PC do B), professora Maria Rita, passou por momentos de aflição na noite de sexta-feira. Dois marmanjos armados entraram na sua casa para assaltar. Ela estava com o filho Marcelo e os dois netinhos. Felizmente, nada de mais grave aconteceu. A genitora do parlamentar mora numa humilde residência no Conjunto Castelo Branco.

— Desde sexta-feira à noite a central de boato não parou de funcionar. Segundo os boateiros, vários candidatos foram presos. Será assim até as 14 horas de hoje.

— Formou-se fila em algumas malharias da cidade ontem. Depois que o TSE autorizou o uso de bonés e camisetas, vários eleitores trataram de providenciar as suas. A maior procura foi pelas das cores vermelhas.

— E assim se passaram dez anos. A urna eletrônica foi experimentada a primeira vez nas eleições de 1996. Nesse período, o sistema se mostrou extremamente eficaz. A Justiça Eleitoral está aprimorando-o ainda mais.

— Nunca na história do Acre se chegou a uma eleição tão tranqüila com a deste ano. Isso é fruto da maturidade dos políticos e das instituições.

— A partir de hoje começa a contagem regressiva para a saída do governador Jorge Viana. É incrível como não sofreu com o estresse do poder. Oito em cada dez acreanos aprovam sua administração. Viana entrou e vai sair em lua-de-mel com o povo.

— Não tem cabimento chamar Jorge Viana de perseguidor. Ele é tão camarada dos opositores que providenciou o vôo da TAM a partir de terça-feira para levar os candidatos “copa do mundo” de volta às suas casas.

— A coluna hoje está diferente. Foi necessário

 

 
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Rio Branco-AC, 1 de outubro de 2006
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