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VARIEDADES

As muitas artes de Antônio

Agricultor, marceneiro, construtor e entalhador, autodidata conta suas aventuras criativas na floresta

 


Juracy Xangai

A necessidade é mãe da criatividade, afirma o ditado popular que melhor expressa o roteiro de vida de Antônio Germano da Silva, 39 anos, pai de três filhos que chegou no Acre há 22 anos vindo de Guairá no Paraná para ser assentado pelo Incra num dos lotes do Projeto de Assentamento Dirigido Quixadá, em Brasiléia.

Inventivo, ele trabalhava na roça enquanto cultivava o sonho de um dia ser marceneiro. Sem ter ferramentas apropriada\s improvisava tudo a tal ponto que conseguiu fazer, usando apenas uma moto-serra, um guarda-roupas que sua mãe conserva com orgulho até hoje.

“Trabalhava na agricultura e cuidava do gado, mas aproveitava minhas horas vagas para fazer tamboretes, bancos, tábua de bater bife, cabo de faca, em fim, fazia de tudo o que pudesse para ganhar algum dinheiro. Também tomei gosto pela carpintaria, mas sem descuidar da colônia e de meu gadinho que foi crescendo, crescendo até que vendi todos eles para realizar esse meu sonho de montar uma marcenaria aqui em Assis Brasil”, explica.

Isso foi há cinco anos quando conseguiu o terreno, montou o galpão, comprou uma desempenadeira e uma tupia, o resto era improvisado com a moto-serra e a plaina manual. “Desde menino sonhei ser marceneiro, mas nunca tive a oportunidade de entrar numa marcenaria e como não tinha quem em ensinasse fui obrigado a aprender tudo na marra”.

Começou trabalhando sozinho, foi aprendendo a manha das ferramentas e matéria prima, aperfeiçoou-se e hoje, só na marcenaria, trabalham sete pessoas. “Hoje produzo tudo o que for necessário e ainda invento algumas coisas que os pessoal sempre se agrada delas. Faço móveis, caixilho pra portas e janelas. Agora dei para inventar estes tampos de mesa feitos de granito, pois com isso evito usar muita madeira. Por enquanto eles estão saindo 20% mais caro, mas quando começar a chegar por aqui o cimento peruano o preço vai baixar bastante”.

Arquiteto pica-pau

O primeiro galpão da marcenaria já não existe porque foi transformado no Bonança Sport Club, que coberto com cavacos pintados de verde e paredes igualmente revestidos no mesmo material tem a construção em estilo suíço chamando atenção pelo tamanho, como também pelos bailes e pela saborosa galinha caipira que ali se serve preparada pela mãe do inventor.

Como se não bastasse a estilização suíça do clube, construiu nos fundos um chapéu de palha coberto de amianto, mas com a forma de uma estrela de cinco pontas de beirais inclinados. “Quando mostrei a maquete da construção para o carpinteiro que fazia os serviços pra mim, ele disse que não ia fazer aquilo, que o telhado ia cair na cabeça das pessoas. Ele foi embora pra Brasiléia e eu mesmo fiz as colunas de concreto para depois apoiar o telhado em cima. Todo mundo que vê, acha uma beleza e é mesmo.

Sonho não realizado

Apesar do seu sucesso inventivo, Antônio sabe que precisa aperfeiçoar suas técnicas de trabalho, por isso está buscando apoio para que seu filho e mais um funcionário recebam treinamento especializado em marcenaria. “O ideal mesmo seria ter alguém treinando a gente aqui mesmo, assim a lição iria servir para todos nós, mas se não tiver outro jeito eles vão ter que viajar para aprender lá fora. O importante é continuar melhorando a qualidade dos serviços”.

Artista nas horas vagas

Como já era de se esperar, Antônio quando não está inventando coisas de uso ou construções, passa o tempo entalhando madeira com a qual produz quadros que vão dos motivos religiosos à vida cotidiana das pessoas, paisagens e cenas da natureza. “A gente tem que saber apreciar o lado bonito da vida”, garante Antônio.

 

 
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Rio Branco-AC, 1 de outubro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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