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Alexei Bueno “Euclides e Pompéia foram imortalizados, por livros absolutamente centrais”
Alexei tem vários livros publicados e conquistou diversos prêmios. Nessa entrevista, ele mostra as afinidades entre Euclides da Cunha e Raul Pompéia. Quando você percebeu as afinidades entre Euclides e Pompéia? Sou apaixonado pelas obras de Euclides da Cunha e Pompéia, especificamente pelo Ateneu. Com os anos de leitura de ambos fui percebendo certas afinidades estilísticas curiosas. Então, a partir dessas semelhanças estilísticas percebi uma semelhança biográfica entre os dois, uma espécie de análise comparada de dois escritores que são da mesma geração, que trazem algumas afinidades humanas e históricas impressionantes. Você poderia situar algumas? Ambos nascem na Província do Rio de Janeiro, que hoje é o Estado do Rio de Janeiro. Pompéia nasce em Angra dos Reis, em 1863, e três anos depois, da mesma geração, nasce o Euclides, em Cantagalo, uma região cafeeira na época. Os dois, em certo momento da vida sentem uma atração profunda pela política. O Euclides se transforma num famoso cadete da baioneta, que acaba jogando a espada aos pés do ministro da guerra. Por seu ato, quase foi expulso da escola de formação, foi dado como perturbado mental. Raul Pompéia era um jacobino total, um nacionalista fervoroso, grande propagandista da abolição. Coisa que pouca gente sabe é que ele vem a ser sobrinho-bisneto do Tiradentes. Foi para São Paulo ser secretario do Luis Gama, aquele grande abolicionista baiano. E depois se transformou num furioso republicano. E no sentido das obras dos dois escritores? Os dois ficaram imortalizados, apesar de terem uma obra maior, por um livro absolutamente central. O Euclides pelo Os Sertões, e o Pompéia pelo Ateneu. O Pompéia possui uma obra grande, que o Afrânio Coutinho reuniu em dez volumes, entre crônicas, contos, duas novelas, romances e escritos políticos. O Euclides também, como Contrastes e confrontos (1907), Peru versus Bolívia (1907), À margem da história (1909), mas indubitavelmente, ambos são imortalizados, por dois monumentos da prosa brasileira, que considero inapeláveis, um ficcional e o outro não-ficcional: Os Sertões, de Euclides da Cunha e O Ateneu, de Raul Pompéia. Que importância trazem essas afinidades para a literatura? A parte estilística é muito curiosa, pois mostra a vertente de toda a prosa brasileira. Existe uma vertente menos carregada, com uma linha mais clássica, que podemos dizer que vem de Machado de Assis, e segue adiante, até chegar a escritores com uma linha muito limpa, como o Graciliano Ramos e etc. E existe uma outra vertente mais carregada, mais barroca, tendendo ao êxtase. Essa vertente já se encontra claramente no Ateneu, que é um livro de uma pletora de estilo, de uma unidade dentro dessa pletora espantosa. Os Sertões, talvez seja um exemplo maior. Essas duas vertentes são muito claras na prosa brasileira. Qual sua opinião sobre a I Semana Euclidiana? Acho maravilhoso porque Euclides é uma figura do Brasil inteiro. E apesar de ser do Brasil inteiro, o grande momento dele é com Os Sertões, onde discorre sobre uma guerra civil, que reuniu o Brasil naquela espécie de loucura coletiva. Canudos apesar de ser no sertão baiano foi uma guerra nacional. Então, podemos dizer que Euclides pertence a alguns estados. Do Acre, por causa da demarcação do Purus, que foi um momento importante na vida de Euclides, pelo fato de seu filho ter morrido aqui no Acre. Estou muito feliz e entusiasmado com o projeto I Semana Euclidiana. |
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