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José Cláudio Mota Porfiro * |
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Intolerável Talvez a humanidade não tenha hoje uma fórmula eficaz para colocar-se à caça dos imbecis e intolerantes que se encarregam tão somente de desamarrar os laços tênues das nossas relações sociais. Detecto, então, através da grande rede mundial de computadores, um ou mais patifes à solta, além, é claro, do racionalmente tolerável. O sítio da internet www.thesim.hpg.com.br/web/cane.htm é denominado “Cane - Campanha Acre Não Existe” e possui frases preconceituosas do tipo “O Acre não existe”, “O Acre é o nada”, “O Acre é um abismo de perdição”, “O Acre é uma outra dimensão”, “Se encontrar alguém que diz ter vindo do Acre, grite por ajuda, chame as autoridades”, “As pessoas que vêm de lá são neonazistas”, e assim por diante. É lamentável. O Prof. Hélio Guedes, do CEBRB, lançou pergunta atroz: seria esta uma brincadeira de mau gosto? Não. O que há aí é o açodamento de uma prática brasileira escamoteada pelas autoridades, que só vem à tona quando um índio é incendiado em ponto de ônibus, ou quando skinheads trucidam um qualquer em praça pública. Talvez estejamos entrando em um longo período de barbárie. A vida humana e a morte do mundo têm sido banalizadas. Em nível amplo, tenho enxergado nuvens negras sob o sol da liberdade e da boa convivência humana. Por que a triste Coréia do Norte ou o Paquistão, dentre alguns outros, não podem ter a sua bombinha atômica? Na reunião do Chile, os russos, poderosos, prometeram uma arma avassaladora, o que deixou Bush ensandecido, posto que só os americanos, e tão somente os americanos, podem ter armas para destruir o que eles bem entenderem, a exemplo do Iraque, onde não conseguiram disfarçar a indisfarçável ambição pelo petróleo, principalmente, depois que não encontraram nenhum depósito de armas. E quando será a minha e a nossa vez? Eles estão já com sede e querem a água da Amazônia... Voltando à questão Acre e ao famigerado “Cane”, é preciso atentarmos para alguns detalhes que não podem escapar à análise real das autoridades, em nível estadual e em nível federal. Há um crime sendo praticado contra um povo que só agora busca espaço mas, segundo consta, já incomoda, e tanto, a um ou a tantos imbecis. E não se trata de um fato sem importância. O nosso povo é forte, trabalhador, bonito e confia no futuro. Estamos quase chegando lá. Somos, sim, como eu, uma maioria de mestiços. Viajamos pelo Brasil afora e não queremos ser importunados. A imprensa local e a nacional deveriam cuidar para que movimentos deste tipo não criem raízes. Deputados e Senadores deveriam zelar para que consigamos uma convivência pacífica neste País que já se torna Nação. Uma ação direta do Ministério Público poderia levar a Polícia Federal a ver as possibilidades e tomar todas as medidas cabíveis para a identificação dos responsáveis pelo grave delito. O próprio Governo do Estado, através do seu Gabinete Civil, poderia fazer a defesa intransigente dos acreanos. Orgulhosamente, a nossa história é ímpar no contexto nacional. Somos brasileiros, com certeza, porque pegamos nas armas quando quisemos sê-lo naquele episódio esquecido chamado Revolução Acreana. Seria esta uma fórmula talvez eficaz na defesa da boa convivência entre todos. Se não houver uma resposta rápida das autoridades, à altura da insensibilidade dos criminosos, poderemos ser caçados pela sanha de imbecis que detestam a si próprios pelo fato de não conseguirem viver debaixo do mesmo sol dos verdadeiramente justos. * Pesquisador do Depto. de Filosofia e C. Sociais / Ufac. |
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