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POLÍTICA

Projeto pecuário saldado no Finam

Tião Viana destaca certificado de implantação concedido ao projeto da fazenda Forquilha, do empresário Sidnei Zamora

 


Romerito Aquino

Brasília – Mais de duas décadas depois de serem implantados no Acre com recursos do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam), os projetos de expansão da pecuária financiados no Estado pela extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) começam, finalmente, a saldar suas dívidas. O primeiro no estado a conseguir tal façanha foi o projeto da Agropecuária Forquilha, cuja fazenda de produção de bois, de 5,2 mil hectares, fica situada no km 110 da BR-364, no sentido Rio Branco-Sena Madureira.

O proprietário do empreendimento, o pecuarista Sidnei Zamora, recebeu ontem das mãos do gerente geral da Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos (Ugfin), do Ministério da Integração Nacional, Antônio Balhmann, o primeiro Certificado de Implantação (CEI) dado no Acre para um projeto que zera a sua dívida com os recursos do antigo Finam. O feito foi prestigiado pelo senador Tião Viana (PT-AC), que esteve no Ministério para reiterar a disposição do governo do PT de apoiar as pessoas e os empreendimentos que estejam dando certo na Amazônia e sejam comprometidos com o futuro e o desenvolvimento sustentável da região.

Ao se tornar o primeiro pecuarista do Acre a receber seu certificado de quitação com os recursos que recebeu do Finam, que tantas dores de cabeça deu aos governos e à sociedade brasileira pelos desvios de finalidade que proporcionou nas últimas décadas, o pecuarista Sidnei Zamora declarou-se “satisfeito” por ter podido cumprir as metas sociais previstas em seu projeto. Há 29 anos morando no Acre, o paulista Sidnei Zamora disse que “já se sente acreano” e muito feliz de ter podido, com seus projetos pecuários, gerar renda e emprego para o estado e a Amazônia. Além da fazenda Forquilha, ele é proprietário hoje da fazenda Cipoal, em Rio Branco, com 5,6 mil hectares, e de outra fazenda no município amazonense de Lábrea, com 33 mil hectares. “Fico muito satisfeito porque, atrás de projetos como os meus, vieram os frigoríficos e começam a chegar os curtumes, que também geram emprego e renda para o nosso Estado do Acre”, destacou Zamora.

O senador Tião Viana fez questão de ressaltar que o fato de um empresário do Acre ganhar o Certificado de Implantação do Finam traz à sua lembrança a memória do economista Celso Furtado, que desenhou um modelo de desenvolvimento nacional compartilhado em todas regiões do Brasil, iniciando-se com a expansão da integração física e consolidando-se com políticas de financiamento de crédito onde o homem estivesse no centro dessa atenção, utilizando-se de maneira honesta e inteligente os recursos. “Hoje, quando presenciamos o senhor Sidnei Zamora receber o primeiro CEI do Estado do Acre, nós nos sentimentos orgulhosos porque mostra que o homem que está na Amazônia é um homem comprometido com a região e não um homem que esteja preocupado em destruir ou empobrecer a região”, destacou o senador.

O gerente geral da Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos, Antônio Balhmann, também fez questão de parabenizar o empresário Sidnei Zamora pelo sucesso de seu projeto na geração de emprego e renda no Acre. “Aqueles que recebem o CEI estão de parabéns porque são projetos que expressam o valor da idéia original quando os fundos de investimentos foram criados para promover a revolução econômica da Amazônia Legal brasileira e do Nordeste do Brasil”, destacou Balhmann.

O gerente disse, ainda, que a presença do senador Tião Viana no recebimento do Certificado de Implantação do empreendimento de Sidnei Zamora, é a confirmação de que o ministro Ciro Gomes, da Integração Nacional, estava certo ao acelerar a gestão da carteira do antigo Finam. “Essa aceleração veio promover justiça aos bons projetos implantados, assim como tratar com mão de ferro aqueles projetos que apresentaram ilicitudes graves”, completou o gerente.

Prejuízos foram de bilhões em toda a Amazônia

Mas nem tudo foram flores na história dos projetos pecuários financiados no Acre e em outros estados da Amazônia pelo Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam), que ontem entregou o primeiro certificado de quitação a um pecuarista acreano. Dos muitos projetos que foram aprovados na década de 80 pelo fundo agora extinto, uma parte deles acabou em escândalos financeiros provocados pelos desvios dos recursos públicos subsidiados para outras praças do país. Alguns empreendedores pegavam os recursos baratos oferecidos para criar gado na Amazônia e simplesmente os desviavam para outros tipos de investimentos fora da região, quando não eram totalmente aplicados nos mercados financeiros do Centro-Sul do país.

O gerente geral da Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos, Antônio Balhmann, informou ontem que dos 743 projetos pecuários que se encontravam ativos na carteira do Finam, 300 já foram cancelados e viraram ações judiciais através da quais a Procuradoria da Fazenda Nacional procura recuperar o dinheiro investido na região pelos cofres públicos. Para dar uma idéia da dimensão do prejuízo provocado pelos desvios, que ele denomina de “graves ilicitudes”, Balhmann revelou que 38 dos 114 projetos do Finam que se encontram hoje na condição de cobrança administrativa envolvem recursos da ordem de R$ 1,8 bilhão.

Antônio Balhmann também revelou que dos cerca de 46 projetos pecuários do Acre que se encontram ativos ainda no Finam, cerca de 25 devem receber os certificados de implantação e 21 já foram cancelados ou se encontram em processo de cancelamento. O gerente não revelou, no entanto, os nomes dos empreendimentos do Acre que serão quitados no Finam e nem os que foram ou serão cancelados e transformados em ações judiciais para a reparação do prejuízo publico.

“O ministro Ciro Gomes teve a preocupação de levar a gestão da carteira do Finam para o seu gabinete para dar agilidade e promover a justiça aos bons projetos, ao mesmo tempo em que se dispôs a tratar com mão de ferro todos os projetos que tenham ilicitudes graves”, disse o gerente. Para ele, assim como é triste ver um projeto que foi mal sucedido, que teve recursos mal aplicados ou desorientados pelos seus investidores, “temos a satisfação de atribuir o certificado de implantação a uma empresa que trabalhou seriamente e que cumpriu a função social pressuposta no projeto de gerar empregos e desenvolvimento para a região”.

 
 
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Rio Branco-AC, 1 de dezembro de 2004
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
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