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Cosmo Palasio de Moraes Jr. * |
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Uma breve conversa na estrada Sempre que viajo – e viajo muito – gosto de dar carona. Tenho como qualquer pessoas medo dos ruins, mas não creio que o medo dos ruins deva ser motivo o bastante para deixar de estar perto dos bons. E nas caronas que dou sempre aprendo, porque na verdade acaba sendo uma oportunidade para conversar, vislumbrar novos mundos, conhecer novas histórias e pessoas. E nas caronas que encontro conversas mais humanas, menos técnicas, sem jogo de interesses ou coisas assim. E nas caronas que me sinto gente perto de gente e quase sempre – depois que a carona vai embora – sigo viagem com o coração mais cheio de vida. Dia destes dei carona a Dona Neusa – uma senhora com seus 50 ou 60 anos – ou talvez menos – apenas judiada pela vida. Estava ali na beira da velha estrada no trecho onde ficam alguns presídios e que em alguns dias as margens ficam cheias de pessoas que vão ate ali para visitar seus entes e amigos que estão presos. Dona Neusa é sem duvida o retrato de uma senhora do povo, gorda, cabelos mal cuidados, uma imensa sacola nos braços e inúmeras marcas no rosto – como se fossem as marcas do que a vida lhe fez. Ao entrar no carro agradeceu muito – a chuva forte lá fora não respeitava qualquer tipo de abrigo. Logo me perguntou eu era “doutor” – pois achava que eu tinha ar de gente importante. Achou engraçado quando disse que não, que na verdade eu era uma pessoa igualzinha a ela. E ai danou a falar, contou do lugar onde morava, das faxinas que fazia em casa de gente chique para sustentar as duas filhas mães solteiras, os netos e a mulher do filho que estava preso. Contou que gostava de ouvir musica sertaneja e que quando era jovem pensava em ser artista – e foi indo da alegria para a tristeza ate que começou a falar do filho que tinha ido visitar....”sabe moço, ele é um menino tão bonito, meu filho mais velho – o pai dele nunca viu o rosto dele – é homem importante que abusou da minha inocência e mocidade. Nunca deixei faltar nada para ele mas mesmo assim ele andou sempre com uma pessoas erradas e assim deu no que deu. Venho aqui toda semana, trago uma fruta, um biscoito, cigarros e as vezes minhas filhas reclamam que eu tiro deles que estão comigo para dar para ele que só nos fez passar vergonha e desgosto. Mas seu moço, ele é meu filho, nasceu da minha barriga e para mim vai ser sempre um menino que eu amo como se ainda pudesse pegar no colo. Eu acho que ela nem teve tempo de ver que no meio da conversa e em plena chuva coloquei meus óculos escuros para esconder as lágrimas e fiz força para que o choro não fizesse minha boca se mexer. Menos ainda talvez venha a saber um dia – que naquele dia me ensinou muito sobre amor incondicional. Deixei-a na entrada do sue bairro e segui viagem. Ela agradeceu e disse – Deus te acompanhe – mal sabendo que pouco antes suas palavras de anjo haviam trazido de volta Deus ao meu coração. |
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