COTIDIANO

Ibama faz nova vistoria em Vista Alegre do Abunã

Relatório indica novos acampamentos para retirada ilegal de madeira

Regiclay Saady
Sebastião Santos disse que índice de ilegalidade caiu na região


Renata Brasileiro

Uma operação rumo à Vista Alegre do Abunã identificou ilegalidades em retirada de madeiras feita por serrarias daquela região. A visita ao local foi planejada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que contou com o apoio da Polícia Federal para a executar a missão no período de uma semana.

O grupo, composto por mais ou menos oito membros, chegou na tarde de ontem da região após fazer diversas vistorias por terra e através de sobrevôos no helicóptero do instituto. Um relatório completo foi trazido pelos membros e passará por uma avaliação. Segunda-feira o documento será divulgado, garante o superintendente em exercício, Sebastião Santos da Silva.

“Esta operação foi feita como forma de monitorar as ações que o Ibama começou a desenvolver na Ponta do Abunã no ano passado, quando 15 mil metros cúbicos de madeira foram apreendidos. Na região há muitas serrarias funcionando de forma ilegal e áreas grandes desmatadas”, revelou.

O superintendente destacou que a operação do ano passado fez com que o índice de ilegalidade caísse, mas que não foi suficiente para inibir muitos donos de serrarias, que continuam atuando sem permissão.

Em um último contato que ele teve com os membros da operação, foi informado de que os pátios das serrarias não estão abarrotados de madeira como foi constatado no ano passado. Por outro lado, a movimentação para novas derrubadas é grande. Até acampamentos foram identificados a partir do sobrevôo feito pela equipe.

“Vamos avaliar com cautela este relatório para começarmos a agir o mais rápido possível. A meta agora é impedir que mais desmates sejam feitos naquela região”, argumentou.

A região, apontada como grande área ilegal, corresponde à Vista Alegre do Abunã, Extrema, Nova Califórnia e Boca do Acre. Somente em Vista Alegre existem mais de 40 serrarias funcionando, muito mais do que o número existente em todo o Estado do Acre, observa o superintendente.

“É claro que nem todas estão ilegais. Existem muitos projetos que atendem aos planos de manejo florestal e que trabalham com madeira certificada”, completou.

Madeiras apreendidas serão destinadas à construção de casas

O superintendente informou que do total de 15 mil metros de madeira apreendida na operação desencadeada no ano passado, cinco mil vieram para o Acre e a outra parte foi para Rondônia.

A madeira que veio para cá está armazenada no pátio da Funtac, à espera de trâmites administrativos para que possa ser liberada para o governo. Como de praxe, a madeira deverá ser convertida em construção de casas populares. Pelo menos 340 casas podem ser levantadas com o volume que há, de acordo com Santos.

 

 
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