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POLÍTICA

‘Uma Verdade Inconveniente’ revelada aos acreanos

Fernando Melo traz filme para promover debate sobre aquecimento global

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Fernando Melo está promovendo
a exibição do filme no Acre


Tião Maia

O documentário Uma Verdade Inconveniente – Um aviso global, do ex-vice-presidente norte americano Al Gore, que trata dos perigos do aquecimento global, de grande repercussão nos Estados Unidos e em todo o mundo, será exibido em Rio Branco, na próxima semana. A promoção é do deputado federal Fernando Melo (PT-AC), membro da Frente Parlamentar do Meio Ambiente do Congresso Nacional, e tem o objetivo de chamar a atenção dos acreanos para o que deve ser feito em relação à destruição do meio ambiente, a causa principal do aquecimento global. Após a exibição, os espectadores serão convidados a debater o filme – que, aliás, acaba de ganhar dois Oscars de melhor documentário e melhor canção.

“Uma Verdade Inconveniente” é o primeiro depoimento franco e aberto de um dos protagonistas da política mundial das duas últimas décadas a reconhecer a possibilidade da autodestruição do Planeta. O documentário é extraído do livro “Uma Verdade Inconveniente – O que devemos saber (e fazer) sobre o aquecimento global”, também de Al Gore, publicado no ano passado e que esteve presente na lista de best-sellers dos EUA e venceu o Quills 2006, prêmio literário apoiado pela Reed Business Information e pela NBC, na categoria Histórias, Atualidades e Política. O livro e o documentário fazem parte de ambicioso projeto de conscientização ambiental de Al Gore, que, na condição de senador, esteve em Xapuri, em 1988, nas exéquias do líder sindical Chico Mendes.

O documentário inclui palestras do ex-vice-presidente ao redor do mundo. De forma didática, são apresentados dados incontestáveis sobre a crise climática provocada pela ação do homem no Planeta. Com base em pesquisas realizadas por especialistas e instituições de renome, e compilando dados e exemplos no mundo inteiro, Al Gore produziu uma obra eficaz de alerta sobre o aquecimento global, narrando também parte de sua trajetória de vida, focando os pontos-chave que o fizeram voltar a atenção para o ambiente.

“Fiquei chocado com o que vi”, disse o deputado Fernando Melo depois de assistir ao documentário, em Brasília. O presidente da Frente de parlamentares ligados ao meio ambiente, deputado Sarney Filho (PV-MA), informou ontem aos deputados que vai providenciar cópias do documentário para que possa ser exibido nos estados. “Quero dividir a preocupação que passei a ter depois que vi o documentário. Vou andar o Estado inteiro, indo às escolas e às universidades convidando estudantes, professores e o povo em geral para que a gente possa assistir e debater o que podemos fazer para adiar cada vez mais esta catástrofe anunciada”, disse Fernando Melo.

Este, afinal, é o objetivo de Al Gore. As imagens, chocantes, mostram as atuais alterações que o nosso Planeta está experimentando e elas são, também, a evidência da irresponsabilidade dos políticos que se negam a reconhecer a urgência de tocar no assunto e o pouco tempo que resta para evitar a catástrofe total. As informações que fornece são exaustivas e definitivas. Um dado concreto é que quase todas as atividades industriais dependem do desflorestamento e da desidratação da Terra. Além do corte das árvores para produzir madeira industrializada e carvão vegetal, a construção de hidroelétricas para gerar energia elétrica com as suas indispensáveis barragens é responsável pela inundação de enormes áreas emissoras de gases de efeito estufa, reduzindo a camada atmosférica e aumentando o nível térmico mundial. Algumas das conseqüências do desflorestamento são a desertificação, as secas, as inundações e o incremento do número de furacões, tufões e outros tipos de tempestades de grande dimensão. O aquecimento atmosférico que derrete as calotas polares leva à dessalinização das águas oceânicas e a mudanças radicais nos ecossistemas e na capacidade imunológica de todos os seres vivos.

Face a esse catastrófico cenário, Al Gore insiste em que “a solução para a crise climática global exige uma ação rápida, sábia e grande de nossa parte”. Na mensagem aos empresários, ele lembra que “se destruirmos o Planeta não haverá economia que sobreviva”. E ataca frontalmente a causa principal: a cultura dos países industrializados concentrada no consumo, na ganância e na expansão dos negócios em níveis insustentáveis. Todos esses conceitos os ambientalistas do mundo inteiro conhecem de longa data. O inédito é que um político do mais alto nível executivo e legislativo da maior potência do mundo afirme, com todas as letras, que é necessário mudar de vida para que o Planeta possa sobreviver.

 
 
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Rio Branco-AC, 2 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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