COTIDIANO

Mãos que constroem um mundo

Artesã produz peças decorativas em MDF. De tão bem feitas, clientes dizem que compraram em outro Estado

Rose Peres
Antonieta começou a
produzir peças há três anos


Marcela Barrozo

Das mãos da artesã Maria Antonieta saem verdadeiras obras de arte. Basta imaginar e ela realiza. Quis o destino que ela tivesse nome de rainha (Maria Antonieta governou a França de 1774 até a Revolução Francesa, em 1789) para que, futuramente, fosse soberana naquilo que faz para ganhar a vida: peças decorativas em MDF, sejam para eventos (desde lembrancinhas até o próprio cenário), sejam para enfeitar residências ou para o que o cliente desejar.

Em sua pequena oficina, localizada no bairro do 15, no Segundo Distrito de Rio Branco, ela trabalha durante todo o dia nas encomendas que recebe. De tão bem feito, o trabalho de Antonieta chega a ser “omitido” pelos seus principais clientes, que são lojas do ramo de decoração de festas. “Eles dizem que as peças vêm de São Paulo”, revela uma cliente, que descobriu a procedência do material depois de muito insistir com uma atendente. O material chega a ser vendido pelo triplo do preço que ela cobra.

Antonieta sabe disso e demonstra uma mistura de orgulho e frustração. São poucas as pessoas que sabem da existência artesã até por este fato. Poucos são os clientes que compram diretamente com ela, pois a maioria compra para revender os produtos a preços exorbitantes após fazer um acabamento em pintura – ela vende as peças “cruas” por assim dizer.

“Pena que eu não tenho capital de giro para fazer uma exposição das minhas peças nem fazer um acabamento com biscuit ou pintura. O material que eu tenho só dá para atender as encomendas e só faço uma pintura se fizer parte do pedido do cliente”, lamenta.

Como tudo começou

Autodidata, Antonieta começou há três anos, com muita força de vontade, observando os funcionários da marcenaria do sogro trabalharem. Foi pedindo auxílio de um e de outro até conseguir moldar as primeiras peças, feitas da madeira de caixas de embalagem de supermercados.

“Eu ficava esperando até altas horas da noite as pessoas jogarem essas caixas fora. Eu e minha filha íamos lá catar e depois eu ia tentando fazer as peças de enxoval de bebê que eu via nas lojas”, relata Antonieta.

Para fazer peças como lixeirinha, porta-fraldas, dentre outros objetos, passava horas tentando “afinar” a matéria-prima e emendava um pedaço no outro até chegar à forma final. “Quando terminava, saía pra vender, de porta em porta. Hoje, eu paro e penso: ‘como é que eu conseguia vender aquilo?’”.

Falta de capital impede vôos mais altos

Com Maria Antonieta trabalham membros da sua própria família. Além de saberem o ofício da líder, eles também são prendados em alguma área complementar, como pintura e biscuit. Porém, a falta de capital para investir em material e na concepção de uma cooperativa impede o grupo de agregar ainda mais valor aos produtos.

“Eu vendo para uma moça de outro bairro que faz esse trabalho. Por exemplo, uma luminária dessas sai daqui custando R$ 45. Ela pinta e coloca uns detalhes em biscuit e revende a R$ 150”, conta a artesã. Porém, mesmo sem o devido reconhecimento, em três anos de trabalho duro, Antonieta sempre conseguiu vender todas as peças que produziu e, sem empréstimo de banco, comprou seu próprio maquinário para lidar com material delicado como o MDF. Garra ela já mostrou que tem, de sobra, para ir adiante e sair da sombra que a oculta do mundo.

Serviço: Telefone para contato: (68) 3244-2397

 

 
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