OPINIÃO
   RETRATOS DO JURUÁ

Nelson Liano Jr.

 

Uma questão de Justiça e de cidadania

Os apelos dos defensores públicos do Juruá por melhores condições de trabalho, na minha opinião, são justas. Eles alegam não ter condições de atender a toda a demanda da população devido a falta de recursos materiais para o exercício das suas profissões. O defensor Jonathan afirma que nem mesmo acesso à internet existe no prédio da Defensoria, em Cruzeiro do Sul. Faltam também assistentes para realizar os trabalhos de pesquisa e veículos adequados. É uma pena. Numa sociedade que ainda está se estruturando, em tempos que o povo está aprendendo valer os seus direitos, a assistência jurídica para as pessoas de baixa renda é de suma importância. É uma questão de cidadania. Todo investimento que o governo do Estado puder fazer para melhorar as condições de trabalho dos defensores irá gerar um clima de paz social e justiça. Para se ter uma idéia da precariedade do atendimento da Defensoria, em Mâncio Lima, as pessoas passam a noite acampadas em redes para terem acesso aos advogados públicos. Em Cruzeiro do Sul, a situação só não é a mesma porque os profissionais resolveram adotar um sistema de senhas. A verdade, é que deveria ter uma Defensoria própria em Mâncio Lima para atender toda aquela região. Uma Defensoria bem estruturada significa um povo consciente capaz de fazer valer os seus direitos de cidadão. Isso, significa, inclusive, o fortalecimento dos movimentos sociais.

Indulto presidencial

Bom para uns e preocupante para outros. O anúncio feito esta semana pelo Juiz da Vara de Execuções Penais do Juruá, Dr. Fábio Costa Gonzaga, da liberação de 70 presos da Unidade Prisional Manoel Néri da Silva deixou muita gente preocupada. Os detentos serão liberados devido ao indulto do presidente Luis Inácio Lula da Silva. No momento em que a segurança pública é tema de debate na sociedade da região e, levando-se em conta as estatísticas de que parte de ex-detentos voltam a praticar crimes, o fato merece a atenção das autoridades policiais.

IML para o Juruá

Uma criança morta por afogamento na zona rural de Cruzeiro do Sul permaneceu por três dias no gelo aguardando a chegada de um médico-legista de Rio Branco. Como o menino de dois anos tinha o pescoço quebrado, o caso merecia a análise de um especialista. A falta de um Instituto Médico-Legal para o Juruá tem causado muitos transtornos, inclusive para o bom funcionamento do Hospital Regional do Juruá. Sem falar que as investigações criminais se tornam morosas em casos de homicídios. Não dá para entender por que a segunda maior cidade do Acre não tem ainda um IML.

Tentar fazer adaptações para solucionar o problema não é suficiente. A região precisa de mais peritos criminais e de um médico-legista trabalhando num espaço físico adequado.

Ruído na comunicação

O gabinete do deputado federal Henrique Afonso (PT-AC) enviou nota à imprensa com as iniciativas de continuidade da reunião sobre a segurança pública no Juruá. A nota afirmava que o secretário de Segurança, Antonio Monteiro, estaria na semana passada na região para incrementar ações emergenciais para conter o quadro de violência. Isso não aconteceu. Uma fonte da coluna afirmou que o secretário não sabia de onde teria surgido a informação de que viria ao Juruá. Agora já sabe.

Mais Viaturas

O deputado Gladson Cameli (PP-AC) esteve reunido com o senador Tião Viana (PT-AC) para viabilizar um avião cargueiro da FAB para trazer cinco novos carros para as polícias do Juruá. Sempre que o governo do Estado precisa de transporte rápido é o vice-presidente do Senado que faz a embaixada junto à Aeronáutica para conseguir o Hércules da FAB. É assim com as frutas, legumes e verduras, e também material de saúde, que chegam a um preço acessível ao Juruá.

Pé de cana

Faz-se necessária uma grande campanha para minimizar o problema de alcoolismo no Juruá. Na zona rural, então, o problema é extremamente sério. Tem gente que ingere álcool misturado com K-Suco ou puro mesmo, o famoso Tampa Azul. O resultado são crimes bárbaros e mulheres inocentes espancadas. Pior: a maioria é de jovens.

Guerreiro solitário

Um policial civil que trabalha na sede do Projeto de Assentamento Santa Luzia tem feito uma cruzada solitária contra os cachaceiros e traficantes da zona rural. Sem recursos, “Seu Juscelino” caminha quilômetros para fazer palestras nas escolas da zona rural com pais e alunos explicando os malefícios do álcool e da droga. Ele já conseguiu fazer com que traficante deixasse de comercializar drogas e que donos de biroscas parecem de vender pinga e cerveja. Membro da Pastoral da Família, da Igreja Católica, o policial faz um trabalho ecumênico contando com o apoio de membros de todas as religiões. Falta a ele um veículo adequado para adentrar os ramais e atender mais pessoas nesse trabalho de prevenção. Aliás, o policial não tem carro nenhum a sua disposição. Iniciativas como essas deveriam contar com o apoio irrestrito das autoridades.

Normal, mas não Legal

Pacientes do Juruá de uma médica (particular) da capital botaram a boca no trombone. É que a doutora não queria dar recibos para as consultas e exames. Isso só acontecia se houvesse acréscimo no valor dos pagamentos. No Brasil inteiro essa prática é “normal”. Mas com certeza não é legal. Até a próxima...

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 2 de março de 2008
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A