| OPINIÃO | ||
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| Tião Maia * |
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Um sessentão sim senhor O número 60, escrito assim, é apenas um número. Meia dúzia de dezenas que não diria mais nada. Mas, se a gente olhar para trás e pensá-lo como tempo de vida, vamos descobrir que não é fácil chegar a isso. Não foi fácil nem mesmo para o homem mais importante da história da humanidade, que foi parado, aos 33, sob crucificação. Chegar a isso é, portanto, um privilégio e, no meu caso, uma grande aspiração, um desejo inconfessável, o que o faço agora com uma certa inveja daqueles que têm o tempo como cúmplice. Mas, hoje, a inveja natural não se manifesta porque um dos que está a entrar na casa dos sessentões é Telmo Camilo Vieira, o senador, um velho amigo, um irmão. Ser amigo, a meu ver, é uma forma de apego a um outro eu. É uma celebração conosco mesmo tendo ao lado uma pessoa que nos reflete e, mesmo assim, não nos inveja nem tampouco nos aborrece. Telmo tem sido, ao longo do tempo, um exemplo disso. E hoje ele faz seus primeiros sessentas anos. Sessenta anos de uma vida íntegra, uma raridade principalmente para aqueles que botaram a mão na massa do serviço público, inclusive na política. Telmo foi servidor público, professor universitário, militante político do velho PMDB de guerra e assumiu, interinamente, o Senado da República, quando, pelas qualidades morais que o acompanham, fez com que o Senado tenha mais saudades do suplente do que do titular. É por isso que os amigos só o tratam pelo título de senador, que é muito mais que uma homenagem, uma honraria. É que, sinceramente, ele foi um grande senador e é reverenciado assim por merecimento. Mas, como se trata de seu aniversário, não convém falar disso nem tampouco de política. O conveniente seria falar do grande sujeito que é o filho mais velho do velho Rufino Vieira, um democrata, um autentico defensor dos princípios democráticos que atuavam no Acre quando a manifestação da mais simples convicção política podia resultar em demissão, em transferência para as localidades mais inóspitas, como Foz do Breu, ou, não raro, em cadeia. Além de enfrentar bedéis e verdugos pela imprensa ou pelas tribunas que lhe ofereciam nos idos antigos do Acre e mais recentemente durante a ditadura militar, Rufino Vieira soube, a seu modo, cunhar nos filhos, inclusive nas mulheres, o seu espírito libertário e crítico em relação às coisas do poder. Telmo Vieira, além da incrível semelhança física com o pai, soube conservar esses caracteres de forma tão arraigada que, mesmo após ter convivido com o poder e por ele ter passado, mantém-se um cidadão humilde e generoso ao ponto de, neste dia, muitas das pessoas que vivem distante das rodas sociais e dos símbolos quererem, como eu, abraçá-lo com o desejo de que esta data se renove sempre. Que as Parcas não o encontre tão cedo. Escrevo sobre o aniversário deste amigo porque, faz um ano, imaginei que ele havia partido vítima de um acidente de trânsito que o fez passar a andar de cadeira de rodas, depois de anda - já e agora, de muletas. Assim, ele tem dado uma incrível demonstração de vontade de viver e, mais que isso, tem sido um exemplo de que, quando se é feliz, esses percalços que a vida nos apresenta no caminho são meios com os quais também podemos ir ao longe. Como acho que homenagens póstumas, quando não estão mais entre nos os homenageados, me parecem algo sempre atrasado, uma forma pública de anonimato da qual nos falou Mário Quintana ao se recusar emprestar sua identidade para virar nome de rua, creio que, mesmo correndo o risco de ser demasiadamente piegas e injusto com outros amigos que também prezo e que não lembrei de homenagear, o faço como posso e sei certo de que se o peco o faço por carinho. De forma que neste dia, me junto aos seus. Ao TJ, à sua Preta, à Mel, ao Marcelo, à Brenda, à Crisba, ao Toinho, ao Telson e também a todos os que esqueci de citar. São amigos e irmãos que têm nesta grande figura humana uma referência do que é bem viver e bem querer. Um brinde ao amigo, ao professor, ao senador e, sobretudo, um brinde ao ser que, a cada dia, tem dito, a seu modo, que a vida sem amigos não tem graça. * Jornalista |
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