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Um delegado preocupado com o social

José Alves, titular da 6ª USP (Sobral), defende a prevenção como forma de preparar um futuro sem violência para a próxima geração


José Alves: prevenir antes
evita reprimir depois


Val Sales

Ele é acreano, tem 53 anos, 13 dos quais dedicados ao trabalho na Polícia Civil. José Alves dos Santos, titular da 6a Unidade de Segurança Pública (USP), pensa diferente em relação a muitos profissionais que atuam na mesma área. Ele acredita e prega que a prevenção da violência é a melhor forma de garantir um futuro melhor para as próximas gerações.

Pensando assim, ele participa ativamente das atividades sociais da comunidade e envolve a delegacia em trabalhos voltados para palestras informativas sobre o abuso de drogas e a divulgação dos cuidados de regras de segurança. Para José Alves, a violência pode ser combatida em 80% pormeio da prevenção e 20% por meio da repressão.

“Vou morrer defendendo isso. É melhor trabalhar antes para não reprimir depois”, confirmou. Em janeiro deste ano, a delegacia realizou o projeto Polícia/Comunidade e envolveu 60 lideranças da região e tendo como foco a prevenção por meio da boa informação.

Para este mês, a instituição pretende realizar um trabalho voltado para a prevenção que engloba, inclusive, sugestões sobre os cuidados que as pessoas devem ter para evitar que os ladrões entrem em suas casas. Nesse caso, quem mora sozinho e deixa a residência fechada o dia inteiro e parte da noite é considerado uma vítima em potencial.

O trabalho de conscientização é amplo. De acordo com as regras, aquele que recepta o produto do roubo é tão culpado quanto o ladrão. Nesse caso, se não houvesse receptador não haveria quem se aposse dos bens alheios de forma ilícita. “Os crimes mais comuns nessa região são cometidos contra o patrimônio, incluindo o tráfico de drogas, sendo este último o principal deles. No entanto, ambos desembocam os demais delitos. Não adianta somente reclamar, é preciso participar, sugerir e se indignar”, ressaltou o delegado.

É preciso haver mudanças no sistema

Baseado em sua experiência, José Alves aponta três saídas para melhorar o sistema de segurança no Acre e no país. A primeira diz respeito à ampliação da Lei das Pequenas Causas. De acordo com ele, incluindo mais crimes nessa legislação, a delegacia poderia cuidar de casos mais graves.

“É mais caro trabalhar com o processo de roubo de bicicleta do que com um assalto a banco”, explicou. O segundo ponto sugere que o mandado de busca e apreensão seja efetuado sem ordem judicial, desde que liderado pelo delegado titular. Para ele, a norma deveria ainda ser estendida ao comando da Polícia Militar. Resumindo, o delegado acha que a Justiça deveria atualizar e enxugar a Lei Penal.

Em terceiro lugar, José Alves defende que o preso trabalhe, já que sua manutenção custa caro para o Estado. “O preso perde apenas o direito de ir e vir. Ele recebe comida do restaurante, visitas íntimas, atendimento médico e dentista, entre outros benefícios”, acrescentou.

Para o delegado, o preso tem que sair melhor do que entrou no sistema prisional, o mesmo sistema que na maioria das vezes funciona como uma escola do crime. “Nesse caso, deixar o delinqüente solto seria menos perigoso, ou então estamos todos errados”, desabafou. O profissional acredita que os poderes têm que sentar para debater o caso. Que a sociedade tem que se indignar com a violência e se envolver mais com os programas sociais e não só esperar pelo governo.

A 6ª Unidade de Segurança Pública atende uma média de 70 mil pessoas provenientes da zona rural da área do Riozinho do Rôla até a estrada Transacreana, incluindo os 23 bairros próximos do Sobral, onde ela está localizada.

 

 

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Rio Branco-AC, 2 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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