| POLÍTICA | |
| Juízes federais protestam contra foro privilegiado Mobilização foi forma de pressionar a votação contra a emenda 358 |
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Ontem foi um dia nacional de luta para os juízes. Em forma de protesto, eles anunciaram em todas as capitais brasileiras sua posição contrária ao Projeto de Emenda Constitucional 358/2005, que prevê o foro privilegiado às autoridades, criando, assim, um instrumento de impunidade para crimes considerados tão urgentes de serem julgados. De acordo com as especificações da emenda, essa é uma garantia de que os ocupantes da cúpula do governo, do Legislativo e mesmo os membros da magistratura serem processados originalmente perante os Tribunais Recursais ou Superiores, o que para os juízes constitui anomalia no regime democrático. “Se um processo que vai para o juiz de primeiro grau já demora para ser julgado, imagine o que vai direto para o Tribunal. A demanda nos tribunais é tão grande, e o crime que envolve pessoas públicas é tão urgente, que consideramos essa emenda muito inviável. Se for aprovada, certamente será uma porta para que as autoridades cometam mais crimes, pois saberão que o processo estará arquivado num tribunal, e assim ele ficará impune por um bom tempo”, destacou o juiz federal Jair Facundes. Por conclusões como essas tiradas pelos juizes é que a mobilização aconteceu na manhã de ontem. Com o ato, eles pretendem chamar a atenção da sociedade para a gravidade da emenda, que poderá ser votada a qualquer momento na Câmara dos Deputados. Em Brasília, juízes foram diretamente à Câmara demonstrar sua insatisfação e levaram também advogados, membros do Ministério Público Federal (MPF) e associações que apóiam a posição. “É importante que todos os detalhes dessa emenda cheguem ao conhecimento da sociedade. Porque assuntos como esse começam a ser discutidos dentro da Câmara sem nenhuma visibilidade para quem está de fora, sendo que o debate público é muito importante”, reforçou o juiz. Os juízes acreditam que a sociedade também será contra o foro privilegiado e que esse reforço contrário poderá ser útil na hora de votar. “Vale lembrar que essa emenda está contida num artigo da Reforma do Poder Judiciário, e por ser apenas um item acaba fugindo da atenção pública. Um tema como esse não pode passar despercebido de modo algum. As pessoas precisam saber do que se trata”, completou o juiz da 2ª Vara, Pedro Francisco da Silva. A emenda estabelece claramente, por exemplo, a competência especial por prerrogativa de função do Tribunal de Justiça para o julgamento do prefeito por atos praticados no exercício da função ou a pretexto de exercê-la. Interessados em saber mais detalhes sobre a emenda, basta acessar o seguinte endereço: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/314601.htm. |
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