VARIEDADES

Tempo de colorir os céus

Vencendo a batalha contra os brinquedos modernos, as pipas continuam sendo um dos passatempos preferidos em período de férias


BRINCADEIRA supera o tempo e os brinquedos modernos

ANDRÉA ZÍLIO

O varal colorido no Mercado Álvaro Rocha - Mercado do Bosque - anuncia: chegou o período de enfeitar o céu com as pipas, conhecidas também como pepetas.

Mesmo com os riscos que elas representam, soltar pipa é uma atividade lúdica, e uma das poucas brincadeiras antigas que sobrevivem diante de tantos brinquedos modernos. Orlando Torres, 40, aprendeu a fazê-las aos 10 anos, e há a mais de onze confecciona para vender.

Este ano, ele saiu na frente é o primeiro a oferecer o produtor nos pontos mais conhecidos da cidade. O filho, Rafael Torres, 8, que é apaixonado pela brincadeira assim como o pai, é que o ajuda na venda, e agora, também está aprendendo a confeccionar suas próprias pipas.

O melhor período de venda, Orlando confessa que é julho e dezembro, meses de férias, quando chega a vender cerca de 100 pipas nos fins de semana, um dos dois meses de maior venda, confecciona cerca de 1 mil e 500 pipas, todas são vendidas, acompanhadas de linhas. É exatamente com o acessório essencial para o brinquedo que o vendedor tem cautela, só vende a linha preparada com cerol (vidro quebrado misturado com cola), para adultos.

As pipas vivem as dualidades: são perigosas com as linhas que podem provocar graves acidentes, mas também fazem parte de uma brincadeira lúdica, antiga, que aproxima pai e filho. Orlando estimula o filho e tenta fazer correto, procurar lugares vazios, e participar de todas as etapas junto ao filho, para que ele não se machuque, pois garante que não tem como se divertir ao empinar pipa se não houver a tentativa de corte.

“As crianças e os adultos gostam de empinar pipa, inclusive, agora as meninas também, e o grande barato da brincadeira além de fazê-la voar é cortar ou se defender do corte, o que é preciso fazer é orientar e ter cuidados para os filhos não se machucarem e não machucarem ninguém”, diz Orlando.

E para conquistar cada vez mais as meninas, Orlando ousa nas estampas das pipas que vende a R$ 2. Ele cria com estampas de heróis preferidos meninos e das meninas. “Quando elas vem comprar, sempre pedem das super poderosas, minie, entre outras”, comenta.

Incentivo – Em busca desse equilíbrio em incentivar a brincadeira, mas também alertar para os acidentes, que ano passado o Serviço Social do Comércio (Sesc) e a Fundação de Cultura Municipal Garibaldi Brasil (FGB), realizaram campeonatos de pipa, para que crianças e adultos participassem da forma mais segura possível.

Rafael, fala que adora ver a pipa que está controlando, voando no céu. É o eterno sonho de Ícaro presente na mente de várias crianças.

 

 
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Rio Branco-AC, 2 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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