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Ex-vigilante quer construir castelo Tijolo ecológico é bonito, regula a temperatura e reduz o custo de construção da casa própria |
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Vende-se uma casa de sete por onze metros, toda construída em tijolo ecológico e coberta de telhas de barro. Motivo: conseguir dinheiro para construir um castelo. Paulo Rogério Jangles de Souza, 38, construiu a casa, ou melhor, produziu e assentou tijolo por tijolo até que estivesse pronta. O anúncio pode até parecer insólito, mas é verdadeiro em cada palavra. Tudo começou, há 11 anos, numa bela manhã de domingo, quando Paulo Jangles, que era funcionário da empresa de segurança Norsergel, madrugou para assistir ao programa Globo Rural. Nele viu uma matéria sobre a produção de tijolos modulares, também conhecidos como tijolos ecológicos, e decidiu que iria aprender a fabricá-los e assim construiria sua própria casa. Investiu na compra das maquinas e aproveitou as férias para fazer um curso na empresa Sahara, em São Paulo. “Comecei a produzir alguns tijolos, apanhei bastante porque a areia e os materiais daqui não eram iguais aos de lá, mas logo peguei o jeito. Apareceram as primeiras encomendas, fiz um acordo e saí da firma onde trabalhava há mais de quatro anos”, recorda. Foi assim que surgiu a P&J Tijolo Modular, empresa informal localizada no quilômetro um do ramal da Judia. A qualidade do produto atraiu a atenção de várias pessoas, entre elas o então, prefeito de Cruzeiro do Sul, César Messias, e a de Sena Madureira, Toinha Vieira, construindo para cada um projetos de casa popular modelo a fim de ser apresentada para aprovação da Caixa Econômica Federal. “Os projetos foram aceitos, mas na hora, em vez de dizerem que era eu quem tinha feito, disseram que tinha sido a Funtac, mas tudo bem. Eu continuo vendendo meus tijolos e construindo casas, eles não”, declara. Trabalhando na fábrica, só ele e a esposa, a misturar terra, areia e cimento produzem uma média de 800 tijolos por dia. Vendem o milheiro a R$ 300 e fazem diferença no preço se o cliente fornecer parte da matéria-prima. Assim acaba de fechar contrato para entregar 30 milheiros a um cliente de Rio Branco. “Eu e minha esposa fazemos os tijolos depois eu mesmo levanto as casas. Isso para garantir a qualidade do serviço, pois os tijolos precisam ser bem encaixados. Eu fiz várias adaptações, inclusive melhorei o sistema de encaixes dos tijolos a fim de dar um melhor acabamento nos cantos de parede e nas colunas de sustentação”, explica Paulo, que antes de produzir tijolos nunca havia trabalhado com construção. A casa de sete por onze metros em que vive está toda no piso e é composta por dois quartos, sala, cozinha, banheiro mais uma ampla varanda. Sua construção consumiu onze milheiros de tijolo, mais oito sacas de cimento. Duas mil telhas de barro e cerca de 45 dias de trabalho do casal. “No começo eu só queria construir a minha casa, ela está aí e atualmente sobrevivo deste trabalho. Agora estou vendendo a casa para realizar meu segundo sonho, que é o de construir outra no formato de um castelinho, ali entre os açudes, para viver com minha esposa e minha filha. Eu sei que vou conseguir”. |
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