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Desmatamento cai pela ação do governo Pesquisador crê que controle e repressão foram os grandes responsáveis pela redução do desmatamento na Amazônia |
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Antes, eram só críticas ferozes à demora do Ministério do Meio Ambiente, comandada pela ministra Marina Silva, em estancar e reduzir a devastação da maior e mais rica floresta tropical do mundo. Foi só as estimativas preliminares apontarem para a redução de mais de 50% no desmatamento na Amazônia, no período entre setembro de 2004 e julho de 2005, que o reconhecimento do trabalho da ministra acreana começa a se efetivar até em nível internacional. Em entrevista concedida à reportagem do site “Amazônia.org.br”, o presidente do Grupo de Assessoria Internacional (IAG) do PPG7 (que agrupa os sete países mais ricos do mundo), pesquisador Carlos Afonso Nobre, diz que se for confirmado que as ações de controle e repressão formam o fator principal da queda do desmatamento estará mudado o paradigma da efetividade no cumprimento da lei na Amazônia. Ou seja, ficará demonstrado que o poder do Estado é muito maior que o próprio Estado acreditava. Coordenador Científico do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), Carlos Nobre aponta os principais fatores que levaram à queda do desmatamento da floresta amazônica. Embora considere “subjetivamente” como mais provável a tese de que a ação governamental de controle e repressão tenha sido a grande responsável pela queda, o pesquisador fez questão de afirmar que “cientificamente, não é possível dizer neste momento qual o fator principal”. Veja, a seguir, a entrevista com o pesquisador, que foi o responsável pela implantação e coordenação do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC-Inpe) durante o período 1991-2003, graduou-se em engenharia eletrônica no Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) e concluiu seu doutorado em metereologia no Massachussets Institute of Technology (MIT), em 1983. Como se explica a redução nas estimativas do desmatamento? Primeiramente, uma convergência de ações aplicou uma dose de anestésico nas estruturas ilegais do desmatamento: a atuação mais ativa do Ministério do Meio Ambiente em exigir o cumprimento da legislação ambiental; a morte de Dorothy Stang que levou a uma presença do Estado em regiões de desmatamento e grilagem - inclusive com a participação do Exército; a Operação Curupira, que foi uma ação de grande envergadura que reprimiu as quadrilhas que fraudavam ATPFs (Autorização para Transporte de Produtos Florestais) e a paralisação das atividades em grande parte do entorno da BR-163. A conjuntura econômica também exerceu influência? Sim. Neste ano de 2005, em particular, a queda do preço da soja e o real sobrevalorizado fizeram com que o rendimento do agronegócio da soja diminuísse muito. Este quadro, de preços deprimidos e moeda mais forte, teve como conseqüência um apetite menor da sojicultura, diminuindo assim o ritmo de expansão de áreas plantadas e a abertura de novos pastos para pecuária e o desmatamento de áreas florestais. Qual elemento teve maior relevância na queda do desmatamento: o fator econômico ou as ações de controle e fiscalização realizadas pelo governo? Cientificamente, não acho que seja possível dizer neste momento qual é o principal. Não há estudo que possa apoiar uma quantificação dos pesos entre estes dois elementos principais. Portanto seria prematuro colocar peso e apontar qual é o determinante e qualquer avaliação neste momento é muito subjetiva. Nestes termos, ou seja, subjetivamente, estimo que o fator da paralisia pela repressão governamental foi mais importante. Se isto for confirmado, ficará demonstrado que o poder do Estado é muito maior que o próprio Estado acreditava. Mudará o paradigma da efetividade no cumprimento da lei na Amazônia. Quais medidas o Governo deve adotar, continuar ou aprofundar para manter esta tendência de queda no desmatamento? Acredito que o governo deve manter uma mão muito forte nos próximos dez anos, sustentando um controle rígido, adotando tolerância zero com as atividades ilegais até conseguir desenvolver alternativas sustentáveis. E é preciso dar chance para esta produção sustentável adquirir escala, e para isso é necessário suporte por um período longo, no mínimo dez anos. |
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