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Começa a maior operação de pavimentação de ruas da história de Rio Branco Bairros periféricos vão receber 20 km de asfalto e tijolos a partir de uma parceria entre o Estado e a prefeitura na refundação das administrações regionais da cidade |
![]() Prefeito Angelim: desdobramento das primeiras ações da prefeitura |
Os investimentos do Governo do Estado e da Prefeitura de Rio Branco em pavimentação em asfalto e tijolo nos bairros mais afastados da cidade, da ordem de R$ 4,5 milhões, começarão pela chamada Baixada do Sol, a região que começa na chamada Ladeira do Bola Preta, na rua Rio Grande do Sul, e dali se estende para mais 16 bairros, onde vive uma população estimada em mais de 80 mil pessoas. O anúncio do início das obras foi feito ontem, no bairro João Eduardo, pelo governador Jorge Viana e o prefeito Raimundo Angelim durante reunião com líderes do movimento comunitário da região, no chamado “Clube do Talento”, nas proximidades do mercado municipal Luiz Galvez. Hoje pela manhã, o governador e o prefeito devem repetir esse tipo de agenda no bairro Belo Jardim, no Segundo Distrito da cidade, onde está outra administração regional de Rio Branco. O objetivo das reuniões com os líderes comunitários de cada uma das sete administrações regionais é estabelecer discussão com os técnicos da Prefeitura e do Governo para a definição de quais ruas terão tratamento prioritário. Além de investir na recuperação das ruas de Rio Branco, Governo e Prefeitura vão construir, em cada uma das regionais, uma sede com espaço para biblioteca, sala de reuniões e auditório destinado ao movimento comunitário de cada regional da cidade. As sedes serão construídas em madeira, ao custo médio de R$ 500 mil, no estilo da sede histórica da Sociedade Recreativa Tentamem, localizada no Segundo Distrito de Rio Branco. A sede da Regional da Baixada do Sol será no “Clube do Talento”, um espaço do município que já vinha funcionando como centro de assistência social e recreação para os moradores da região e que será adequado para continuar atendendo a população, mas também para servir de referência e endereço para os presidentes de associações e demais líderes do movimento comunitário, segundo explicou o prefeito Raimundo Angelim. Os investimentos anunciados são os desdobramentos práticos das articulações que vinham sendo feitas, tanto pela Prefeitura como pelo Estado, com o setor industrial da área de cerâmica. É que, para fazer frente à pavimentação de ruas em tijolos e em outras obras, Prefeitura e Estado terão que adquirir pelo menos 12 mil milheiros de tijolos, uma quantidade jamais contratada junto à indústria local - o que requer preparação para atender tamanha demanda. Como parte dessas articulações, ainda na quarta-feira, na sede da Federação das Indústrias, Governo e Prefeitura assinaram, com o Sindicato dos Oleiros do Acre (Sindoac) e instituições como Sebrae e a Federação das Indústrias do Acre (Fieac), termo de cooperação técnica para que os donos de cerâmicas sediados na capital recebam auxílio para a fabricação, em tempo recorde, do tijolo a ser adquirido. “Nas ruas de tráfego pesado, a pavimentação será em asfalto. Nas ruas de menor movimento, aquelas ruas transversais, a pavimentação será em tijolo”, disse o prefeito Raimundo Angelim. “O trabalho que começa hoje é o desdobramento das nossas primeiras ações na Prefeitura. Desde que assumimos, já trabalhamos, com a chamada operação verão, em 106 ruas da capital, colocando piçarra, fazendo drenagem, abrindo ruas e tapando buracos nos corredores de ônibus”, disse o prefeito Angelim. As reuniões com os líderes comunitários, de acordo com o prefeito, são a nova forma de trabalho da Prefeitura de Rio Branco. “Minha forma de trabalhar é assim: ouvindo a comunidade, consultando, dialogando. O que está acontecendo aqui é fruto de uma reunião que tivemos ontem [quarta-feira], até as dez horas da noite, com os técnicos da Prefeitura e os técnicos do Governo, quando constatamos que, de fato, dos 16 bairros da chamada Baixada, pelo menos dez não têm nenhum metro de tijolo nem um metro de asfalto em suas ruas”, disse. “O que estamos fazendo aqui é definir os três quilômetros de asfalto e tijolo que vamos fazer na região, mas sempre discutindo com a comunidade como devem ser os trabalhos de rua.” O prefeito adiantou-se às criticas de que a média de três quilômetros de pavimentação por rua pode parecer pouco. “Já que não podemos atender a cidade na totalidade, para que fazermos uma única rua de um quilômetro e meio se poderemos, com os mesmos recursos, beneficiar quatro ou cinco ruas? A idéia é, mesmo com as dificuldades, atingir o maior número de pessoas, colocando 400 metros de pavimentação aqui, 300 acolá, 150 em outra, fazendo drenagem ou um esgoto numa outra, de forma que a Prefeitura esteja presente nesses dez bairros que foram abandonados nos últimos oito anos.” “Aqui vive uma comunidade muito grande. Para se ter uma idéia do tamanho da população local, na eleição passada, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) registrou mais de 45 mil eleitores nesta região”, disse o presidente da Associação de Moradores do bairro do Aeroporto Velho, Rubisclei de Abreu. “Mesmo com tanta gente vivendo aqui, essa parte da cidade era a mais abandonada. Agora, com essa união entre o Estado e a Prefeitura e o início dos trabalhos começando por aqui, a gente renovas as esperanças”, disse. O presidente do bairro Ayrton Senna, Antônio Bezerra, disse que, além do abandono da administração anterior, moradores da periferia ainda tinham que conviver com a enganação. “Eu tenho documentos na minha casa dando conta de que a Prefeitura na gestão passada gastou R$ 220 mil em pavimentação de 650 metros de rua no meu bairro. Está lá numa planilha que eu mantenho guardada. Mas a pavimentação é só no papel, porque lá mesmo nunca entrou um metro de tijolo ou de asfalto”, denunciou Bezerra. Governador diz que ficaria frustrado se não pudesse trabalhar em parceria com a Prefeitura O governador Jorge Viana apoiou a estratégia da Prefeitura. Segundo ele, a gerência do programa de investimentos é toda da Prefeitura. “Nós estamos comprando tijolos, de forma antecipada, além do asfalto, o cimento, a piçarra, a areia e óleo diesel. Junto com a patrulha mecanizada, passamos tudo isso para a Prefeitura, que entra com outros recursos e faz a gestão. A idéia do prefeito é aproveitar o verão, começar o trabalho imediatamente, fazendo um pedaço de rua em cada bairro. O que pode parecer pouco é o que a gente pode fazer. Mas é um começo e a nossa idéia é dar continuidade no ano que vem para que assim possamos tirar do atraso os bairros da cidade de Rio Branco e passarmos a valorizar as pessoas que vivem nas chamadas ruas secundárias - mas é nessas ruas em que vivem as pessoas e é lá que elas precisam de atenção do poder público”, disse o governador. De acordo com Jorge Viana, a partir de encontros como o de ontem e que vai se repetir hoje no bairro Belo Jardim, está havendo uma espécie de refundação das regionais de Rio Branco, uma experiência do tempo em que era prefeito da cidade. “Quando saímos da Prefeitura, ficamos oito anos sem as regionais, sem a valorização dos presidentes das associações de moradores, e agora eu e o prefeito Angelim retomamos esse programa de participação popular nas decisões do município, implantando de novo um programa permanente de fazer ruas em tijolos e asfalto nos bairros, na periferia de Rio Branco. O diferente é que agora estamos fazendo isso com a participação das lideranças comunitárias”, disse. Segundo Jorge Viana, o que passa a acontecer na cidade a partir de hoje é uma espécie de presente para todos, “porque o programa, além de ajudar os nossos irmãos que vivem na periferia, aquece a economia, ajuda a indústria cerâmica e, principalmente, o morador simples dos bairros”. Na Baixada, lembrou o governador, as ruas que têm algum tipo de pavimentação são aquelas beneficiadas ainda durante sua administração na Prefeitura. “Retomar esse programa de pavimentação em tijolo, que é a cara do Acre e do nosso povo, é algo muito bom, principalmente porque envolve as pessoas, o movimento comunitário. Trabalhar nos bairros é aquilo que nos enche de satisfação, porque estamos perto das pessoas, onde elas moram”, disse Jorge Viana. O governador afirmou ainda que, apesar das obras executadas pelo Estado na cidade, sairia do Governo muito frustrado se não pudesse trabalhar em parceria com a Prefeitura. “Quando eu fui de casa em casa, de bairro em bairro, pedir que a população nos desse a chance de ter o Angelim como prefeito, era para poder realizar o que hoje estamos fazendo aqui. Eu confesso que deixaria o governo muito triste e frustrado se não pudesse trabalhar por Rio Branco para devolver um pouco do muito que esta cidade e sua população fizeram por mim. Afinal, foi Rio Branco que me pôs na política e me deu a chance de governar o meu Estado”, disse. |
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