OPINIÃO
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Francisco Aloísio Cavalcante *

 

Tecnologia reduz impacto ambiental da pecuária e torna atividade competitiva

A pecuária de corte do Estado do Acre encontra-se em um momento de baixa de preços na arroba de carne, mas mesmo assim pecuaristas estão investindo em tecnologias que oferecem retorno econômico rápido, produzem animais geneticamente melhorados contribuindo para a redução do impacto ambiental da atividade.

Fatores como a necessidade do Estado passar para zona livre de febre aftosa, dificuldades na implantação de novas áreas de pastagens, morte do braquiarão e, em menor escala, dificuldade de aquisição de reprodutores de alta linhagem genética (ocasionada pela distância dos grandes centros produtores do Sul do País), fizeram com que os pecuaristas procurassem rapidamente soluções viáveis para que seus sistemas de produção fossem verticalizados e assim pudessem competir com outros centros produtores.

Para que o rebanho do Estado, criado exclusivamente a pasto, e a carne denominada de boa qualidade pudessem alcançar novos mercados, estes fatores tinham que ser quebrados aos poucos, e hoje estão deixando de ser problemas. Inicialmente o poder público fez uma parceria com a classe pecuarista, por meio do Fundepec, e após um árduo trabalho de vacinação de quase 100% do rebanho conseguiu-se colocá-lo na condição de livre de febre aftosa.

A morte do braquiarão, inicialmente para os sistemas de produção mais tecnificados, foi um problema rapidamente contornado em parte pelas pesquisa com o desenvolvimento e introdução de variedades de gramíneas e leguminosas. Uma ampla rede de parcerias que envolveu instituições como Seap e Senar, bem como organizações não-governamentais como a Patha Mama Amazônia, incentivou produtores e técnicos com cursos de manejo de pastagem rotacionada, introdução de leguminosas e alternativas ao uso do fogo. Essas tecnologias associaram-se a um Programa de Arborização de Pastagens com a distribuição de milhares de mudas de plantas nativas, cujo objetivo é oferecer no futuro melhor conforto térmico aos bovinos, contribuindo no incremento do desempenho produtivo e reprodutivo, como também, indiretamente reduzindo as derrubadas para implantação de novas áreas de pastagens, por meio do aumento da produtividade por área.

Para completar o quadro básico de tecnologias é necessário melhorar e avaliar rapidamente a genética do rebanho, e pecuaristas mais avançados partiram na frente e já trabalham há anos com inseminação artificial. Nos últimos 3 anos, uma minoria, líder na incorporação de novas técnicas, vem fazendo transferência de embriões (TE) e fecundação in vitro (FIV) em seus rebanhos.

Como resultado destas técnicas, reprodutores e matrizes de excelente linhagem genética já são reproduzidos no Estado e ofertados em leilões regionais e na feira agropecuária. Além destas tecnologias implantadas, observa-se que o processo de seleção do rebanho nelore do Estado melhorou muito com a instalação do Escritório Técnico Regional da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), fato demonstrado nas avaliações de conformação no julgamento dos animais zebuínos na exposição agropecuária.

O mercado de vendas de reprodutores e matrizes no Estado é crescente, e é bom lembrar que, além do aspecto fenotípico (aparência), um programa de avaliação genética a pasto deve ser implantado nos criatórios de origem para que índices genéticos confiáveis se agreguem aos animais ofertados, criando opções de escolha para o consumidor.

Estes índices auxiliam os pecuaristas na produção de animais mais pesados na desmama, no sobreano e na terminação. Estas são características básicas que, além de qualificar os animais criados a pasto, irão facilitar a sua introdução nos mercados nacional e internacional.

A produção destes animais no Estado, pelas tecnologias de TE e FIV mencionadas, atualmente apresenta altos custos, pois estão sendo repassadas por técnicos especialistas de outras regiões, os quais muitas vezes não podem permanecer na região até concluir alguns procedimentos em que são necessárias ações, contínuas, precisando, portanto, retornar ao Estado para finalizá-los.

Preocupado em viabilizar os custos e incentivando, também, o segmento produtivo da bacia leiteira, o governo do Estado em parceria com a Embrapa Acre elaboraram projeto para a implantação, de um Laboratório de Reprodução Animal, no Campo Experimental da Embrapa Acre, em 2006, onde serão aplicadas as técnicas de TE e FIV para melhorar geneticamente e em pouco tempo o rebanho de leite e corte.

* Med. vet. M.Sc. Zootecnia, pesquisador
Embrapa Acre. aloisio@cpafac.embrapa.br

 

 
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Rio Branco-AC, 2 de setembro de 2005
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