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POLÍTICA

Crise na fronteira

Fernando Melo manifesta preocupação com ameaça de Evo Morales de expulsar acreanos que vivem em território boliviano

 


O deputado Fernando Melo, líder do PT na Assembléia Legislativa, disse ontem desconfiar que o governo da Bolívia, por determinação do presidente Ecoa Morales, está planejando para breve a expulsão de cidadãos brasileiros que vivem em território boliviano, na faixa de fronteira com o Acre. Melo lembrou que, na semana passada, o governo de Evo Morales decretou a nacionalização das reservas florestais na fronteira amazônica com o Peru (norte) e pode estar, a partir daí, planejando a expulsão de cidadãos estrangeiros radicados em territórios fronteiriços da Bolívia, o que abriria uma crise em relação ao Brasil e o Estado do Acre porque há informações de que pelo menos cinco mil famílias de brasileiros e acreanos vivem em território boliviano.

O deputado manifestou a preocupação com envio de expedientes ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e à Comissão Relações Exteriores da Câmara Federal pedindo imediata atenção ao problema. Fernando Melo está chamando a atenção para o fato de que, desde o início da semana, por ordem de Evo Morales, grupos de elite da polícia e do exército da Bolívia estarem mobilizados na fronteira com o Brasil, para desalojar empresas madeireiras de origem brasileira estabelecidas na região de floresta do norte boliviano.

“Temo que, a partir das madeireiras, esteja em curso um movimento de expulsão de brasileiros que vivem naquela faixa de fronteira há várias décadas, que constituíram famílias na região e que não podem ser expulsos de uma hora para outra”, disse o deputado. “A situação é delicada e é preciso discutir o assunto com as autoridades bolivianas. Por isso, estou pedindo que a Assembléia Legislativa, mesmo neste período de campanha eleitoral, debata a questão porque não podemos nos omitir”, acrescentou.

A imprensa brasileira citou, ontem, o vice-ministro do Interior da Bolívia, Rafael Puente, em relação à crise com as empresas madeireiras instaladas na fronteira, informando que foram mobilizados “cinco grupos especiais” das forças de segurança na fronteira de (a província) Pando com o Brasil”.

Puente explicou que a operação foi tomada contra os empresários, não contra os camponeses brasileiros pobres, também presentes de forma irregular em território boliviano. “Penso que as madeireiras são o princípio de um movimento que pode atingir seringueiros e outros trabalhadores brasileiros que vivem na Bolívia. Creio que é o momento da classe política brasileira e do Acre, mesmo que estejamos num período eleitoral, se unir e discutir essa questão antes de chegarmos a uma crise diplomática da mais alta gravidade”, disse Fernando Melo.

“O desalojamento completo dessas populações será feita em colaboração com o governo do Brasil e com o cuidado de não deixar essas pessoas ao deus-dará. A lei será cumprida com o respeito, também, às necessidades sociais”, enfatizou Puente.

O governo de Morales se propôs a recuperar para o Estado terras ocupadas ilegalmente por nacionais e estrangeiros em zonas de fronteira. Morales instrumenta uma política de “soberania”, com a criação e estabelecimento de postos militares nos limites do território boliviano, país que compartilha 7.000 km de fronteira com os vizinhos Brasil, Argentina, Peru, Chile e Paraguai.

 
 
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Rio Branco-AC, 2 de setembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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