OPINIÃO
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Rosali Scalabrin *  

 

Tribunal de Contas X responsabilidade ética

Não me recordo de algum dia em que a substituição de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado tenha estado em pauta com tamanha importância e gerado tanta polêmica.

Por um lado, pode revelar um sinal de novos tempos em nosso Estado, em que o processo de aprofundamento da democracia em nosso país possibilita maior participação e transparência no trato com a coisa pública. Por outro lado, podemos perceber que é difícil para alguns segmentos aceitar o fato de essa vaga ser ocupada por uma pessoa do povo, uma professora, que com seu jeito “rebelde”, ousou junto com milhares de pessoas da sociedade civil, questionar as injustiças cometidas, num passado recente, pela elite política do nosso Estado.

Ousou também apostar na transformação e radicalização da democracia através do projeto de desenvolvimento do Acre conduzido pela Frente Popular.

O Presidente Lula foi vítima do mesmo tipo de retaliação, mas tomou as rédeas de um País à beira da falência, dando início a um processo de desenvolvimento com inclusão social jamais visto no Brasil. E olha que foram as pessoas mais letradas e preparadas tecnicamente que governaram nosso país desde sempre.

Os tempos estão mudando e começa a se firmar uma nova visão e um novo agir com o que é público, pois por muito tempo havia uma linha tênue entre o que era público e o que era privado.

Neste sentido, o nome da deputada Naluh Gouveia é sem dúvida o nome que representa o fortalecimento da democratização e da transparência na Gestão Pública, que deve ser praticada com muita responsabilidade ética. Para ingressar no Tribunal de Contas do Estado não requer apenas responsabilidade técnica, mas, sobretudo, uma responsabilidade ética com a aplicação dos recursos públicos.

A trajetória de vida da Deputada Naluh sempre foi dedicada às causas da justiça, da ética e da coletividade. No Tribunal de Contas não será diferente, pois os seus onze anos no parlamento como fiscal do povo lhe permitiram acumular conhecimento suficiente das leis e da gestão pública.

Um ponto importante a ser ressaltado é o fato deste Tribunal, que tradicionalmente sempre foi ocupado por homens, estar incorporando a presença da mulher, promovendo assim uma maior equidade de gênero. Lembrando que a presença da mulher neste Órgão se deu efetivamente com o ingresso da Conselheira Dulcinéia Benício.

“Professora Naluh”, sua profissão não lhe dá status embora tão nobre seja o ofício, mas seu compromisso ético com a defesa da justiça, do bem comum e da democracia, lhe credencia para este cargo. Democracia esta que segundo Marilena Chauí (2007) “é o único regime político que afirma a necessidade e a legitimidade do conflito”. O grande desafio, portanto, é o exercício de administrar os conflitos para construção de consensos.

Que Deus a abençoe nesta nova missão!

* Socióloga, coordenadora municipal da Mulher e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher

 
 
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Rio Branco-AC, 2 de novembro de 2007
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