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Assembléia da Coopel aprova balanço de laticínios Resultado estimula novos investimentos para aumentar produção de leite |
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Investir mais e mais na produção de leite foi a principal decisão dos produtores que participaram da Assembléia Geral da Cooperativa dos Pequenos Produtores do Baixo Acre (Coopel) realizada no auditório da Seater na manhã da última quinta-feira de 2006. A reunião dos produtores foi prestigiada pelo senador Sibá Machado e secretária de Extrativismo e Produção Familiar (Seprof) Denise Garrafiel que levaram palavras de estímulo aos que num atp de coragem assumiram a massa falida do antigo Lacticínio da Sila e o transformaram no maior do Acre, beneficiando hoje mais de dez mil litros de leite por dia. Durante a assembléia liderada pelo presidente da Coopel, Ezequiel Rodrigues de Oliveira, os sócios decidiram pela substituição de cinco membros da diretoria, analisaram o balanço de contas que apresentou um prejuízo de R$ 47 mil assumidos e rateados entre os sócios. Os números do balanço financeiro mostraram-se favoráveis para a quitação da dívida de R$ 370 mil tomados emprestados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que deverá ser paga em agosto. O dinheiro foi utilizado para pagar débitos com os produtores que fornecem leite e gerar capital de giro para a cooperativa que assumiram há pouco mais de um ano com dívida superior a R$ 1.1 milhão, o que vem sendo quitado conforme programado inicialmente. “Nossa cooperativa ainda enfrenta muitas dificuldades, mas está conseguindo provar que nós produtores somos capazes de gerenciar uma agro-indústria onde os empresários falharam. A importância deste lacticínio é muito grande, não só para nossos produtores, mas também para o Acre que hoje se vê dependente do produto vindo de outros estados quando esse dinheiro deveria estar circulando aqui contribuindo para o desenvolvimento de nosso Estado”. Afirmou Ezequiel Oliveira. Ezequiel agradeceu pelo apoio que a cooperativa recebeu após procurar o gabinete do senador Sibá Machado que articulou parcerias com o Sebrae, Seater, Senar e Embrapa. Ao que o senador, dirigindo-se aos produtores, retrucou: “Se as coisas fossem fáceis não precisariam da gente para fazer dar certo. Defendo os produtores porque fui produtor e senti na pele essas mesmas dificuldades; também porque sei que a felicidade está ao nosso alcance, mas exige esforço para ser alcançada. Por isso é que eu sempre estarei trabalhando pelo sucesso deste setor que se traduz em alimento na mesa e dinheiro no bolso do produtor”. Destacou a coragem e arrojo dos produtores em assumirem uma empresa endividada para, em um ano, transformá-la na principal beneficiadora de leite no Estado. “Ao assumirem o negócio na forma cooperativada, eles acertaram duas vezes: primeiro por dividirem a responsabilidade sobre lucros e débitos. Por isso é que estamos hipotecando nosso nome em apoio a essa proposta de trabalho esperando ver o Acre produzindo pelo menos 100 mil litros por dia até 2010, quando então poderemos instalar uma fábrica de leite longa vida no Estado.” Reivindicações De sua parte, os produtores apresentaram uma reclamação geral sobre as péssimas condições de tráfego nos ramais, o que dificulta muito o escoamento do leite, principalmente neste período de inverno que coincide com a maior produção da safra. Outra necessidade urgente é a de trocar as vacas brancas que produzem média de litro e meio de leite por dia, até cinco litros em casos raros. A solução seria promover sua melhoria genética para que a exemplo das gir-holanda existentes em São Paulo e Minas com produção que varia de 15 até 30 litros por dia. Decidiram que vão realizar a eleição de uma nova diretoria para a cooperativa a partir de março e que contratarão, através dela, uma equipe técnica que garanta assistência técnica aos produtores. A reclamação e proposta estão fundamentadas nas visitas que fizeram à bacia leiteira de Rondônia onde são as cooperativas de pequenos produtores responsáveis pela produção de mais de 3 milhões de litros de leite por dia, num Estado que há menos de 20 anos importava carne do Acre, cuja bacia leiteira concentrada em Rio Branco, Senador Guiomard e Acrelândia produz menos de 50 mil litros de leite por dia. Produzir é preciso “Hoje em dia, produzir leite é muito melhor que plantar arroz, feijão ou macaxeira para fazer farinha”, afirmou Raimundo Joaquim de Souza, 51 pai de cinco filhos morador do Ramal dos Mineiros em Senador Guiomard que numa propriedade de 60 hectares cria 100 reses das quais 16 vacas leiteiras que lhe rendem uma média de 50 a 60 litros de leite por dia. Ele reconhece a necessidade de melhorar o rebanho de vacas brancas por vacas leiteiras que são mais produtivas e dóceis no manejo. “Melhorei a alimentação dos animais plantando cana e capim, mas não estou conseguindo fazer o composto porque a energia não tem força suficiente para fazer funcionar o triturador. Agora temos de começar a trocar nossas vacas, mas isso a gente tem de fazer devagar porque é caro e se a gente entrar no banco arrisca ficar endividado”. Já José Costa da Silva,55 anos que dos oito aos 40 anos de idade trabalhou cortando borracha nos antigos seringais Empresa e Mercês, declarou: “Cortava borracha porque não tinha outra coisa pra fazer, então era o jeito, mas era produto que não tinha preço nem dava pra sustentar ninguém. A gente vivia mesmo era do roçado, foi com ele que consegui dinheiro para comprar minha colônia de 37 hectares no antigo seringal Petrolina onde minhas vaquinhas me davam uma média de 50 litros de leite por dia, não é muito, mas é um dinheiro seguro pra gente”. Animado com os resultados financiou R$ 5.200,00 pelo FNO para a compra de seis vacas e um touro com prado de dez anos para o pagamento quitado adiantado neste ano. “Gado de carne é bom para o grande criador, o pequeno se dá bem melhor com as vaquinhas de leite que só com sua produção se pagam num ano e ainda dão um bezerro de lucro, daí pra frente tudo é lucro. Como tenho esposa e 12 enteados vendi a colônia do Petrolina para comprar outra maior, a fim de garantir o das despesas mais alguma coisa”. |
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